2010… 2011!

sexta-feira, 31 dezembro 2010 - postado por fabiocascadura

2010 vai chegando ao fim e eu não estou aqui para fazer retrospectiva. Quero pensar para frente!

Nesse ano, demos um tempo dos palcos e voltamos ao estúdio, para realizar uma nova obra: o Aleluia! Ainda estamos no processo de construção dessa nova história, com novas abordagens e novas perspectivas dentro do som que fazemos. Entraremos em 2011 buscando sua conclusão, porém, antes mesmo de chegarmos ao final desse trabalho, já tornamos a abraçar a nossa profissão de fé: tocar ao vivo.

2011 vem com promessas de renovação e com o nosso projeto Sanguinho Novo, logo de cara, em seu ventre. Já estamos ansiosos com a possibilidade de mostrar nosso novo show, com um novo CASCADURA. Mas o CASCADURA de sempre também estará lá, motivado pela comunhão que se manifesta em nossas apresentações, com a participação da gente que nos acompanha e pela qual seguimos produzindo. Não fosse essa moçada, nenhum sentido haveria em escrever canções, ensaiá-las, pensá-las, gravá-las e tocá-las. É o turbilhão de emoções da experiência do show que nos dá combustível para continuar e isso só é possível porque há quem acredite no valor do que oferecemos.

Por isso, só posso agradecer a todos que se mantiveram atentos, nos incentivando e nos cobrando, nesse ano de 2010. Agradecer aos fãs, ao fã-site Portal Cascadura, à nossa equipe, aos nossos parceiros,… Enfim, aos que nos auxiliam de toda forma. Percebemos a força do que temos criado através do interesse de quem observa e aguarda o desenrolar da nossa carreira. Nesse 2010, mesmo sem termos lançado nada, sem o CASCADURA ter feito apresentações, aparentemente o número de nossos “seguidores” parece ter aumentado. Com a honra que isso nos traz, vem também o aumento da responsabilidade com o que fazemos e com o que faremos. Podem crer que lembramos disso a cada instante e só posso agradecer a confiança. 2011 vem para fazer-nos testemunhar um novo passo.

Ao subirmos no palco do Largo Tereza Batista, no Pelourinho, em alguns dias, retomaremos um encontro há muito esperado e estaremos também presenciando um novo encontro de novos artistas que estão fazendo muito pela música em nossa cidade e para o resto do país: Vendo 147, Velotroz, Maglore e Dubstereo correspondem a uma parte do que há de mais novo nesse panorama atual da música feita em Salvador. Entre si e com o CASCADURA, elas têm em comum a característica de buscar interagir com o cotidiano e a realidade da Soterópolis, não satisfeitas em descansar após qualquer conquista, seguindo sempre em movimento… Por isso nos identificamos com elas, por isso elas estarão conosco no Sanguinho Novo.

Há uns dias tivemos um encontro, lá mesmo no Pelourinho, entre representantes de todos os grupos participantes e o que se viu foi uma troca de ideias e informações, uma comunhão geral e uma disposição de fazer desse momento algo único para os que lá estiverem. Lembrando que, ao lado da música e da festa, o Sanguinho Novo propõe também chamar atenção para a necessidade da doação voluntária de sangue, para a importância de oferecer uma oportunidade de vida a quem precisa, nas horas mais críticas…

Que esse instrumento, que o blog A Ponte, siga nos conectando, até quando ele nos servir nesse propósito. Desejamos aprimorar ainda mais nossos canais de comunicação. Isso é enriquecedor!

Então, venha 2011! Venha cheio de possibilidades e certo que te enfrentaremos, confiantes e plenos de coragem, como temos feito sempre.

Feliz Ano Novo!

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#DVDPittynoCirco

segunda-feira, 20 dezembro 2010 - postado por fabiocascadura

Foi uma experiência única! Fazer parte da gravação do novo DVD da amiga Pitty, com toda galera que a acompanha, todos amigos de longa data, foi realmente um prazer enorme.

Os ensaios já traziam a carga emocional daquilo que vivenciaríamos no palco. Sob a direção de Rafael Ramos, que faz a produção musical de toda a obra da Pitty, foi desenvolvida a estrutura da música com a minha participação. Ficou muito legal. As dicas de Rafael foram bastante precisas e todas deram certo.

Não bastando estar com os amigos da banda tradicional (Pitty, Martin, Duda e Joe), ainda conheci o tecladista Bruno Cunha, que passa a excursionar como membro da trupe, e também o grande Hique Gomez, violinista/cantor/performer conhecido por todos por seu projeto Tangos & Tragédias, que já correu o Brasil levando humor e música, e ali também para fazer uma participação no DVD, na canção “Água Contida”.

Iria somente apresentar “Sob o Sol”, parceria minha com a Pitty, gravada nas sessões do álbum Chiaroscuro e que acaba de ser lançada no Lado B de um lindo compacto de vinil preto e branco, que também conta com o sucesso “Me Adora” no Lado A. Mas, lá mesmo, nos ensaios, foi sugerido que tocássemos, em regime de experiência, a música “Senhor das Moscas”, do Bogary. O resultado foi tão bacana que acabaram levando-a para o show também. Não acredito que faça parte do DVD, mas a reação de todos foi tão positiva que já valeu!

A viagem entre São Paulo (onde ensaiamos) e o Rio de Janeiro, onde rolaria o show, no histórico Circo Voador, foi feita de ônibus com boa parte da equipe a bordo. Apesar de toda camaradagem e bom papo que acabou fluindo e da alegria de todos em participar desse projeto, o trajeto não foi nada fácil: é que a saída de São Paulo é realmente movimentada (ainda mais num fim de tarde de sexta-feira) e um engarrafamento nos atrasou em mais de quatro horas. Resultado: só chegamos ao Rio na madrugada do dia do show, quando deveríamos estar lá ainda no começo da noite do dia anterior! Ok…

Ainda cedo, acordei e fui dar um giro pela vizinhança do hotel, que ficava no tradicional bairro da Glória. Já conhecia aquele trecho do Rio e aproveitei somente para caminhar, andar por entre a gente carioca, rever alguns lugares que acho bacanas: Largo do Machado, Catete, Jardim do Museu da República… Na volta, encontrei Duda disposto a um banho de mar antes de ir para o Circo Voador e começar os preparativos para a grande noite. Topei!

Fomos à praia do Leme, eu, Duda e Léo Leone. Demos um mergulho naquelas águas geladas, tão características das praias cariocas. Não demoramos muito: ainda havia muito o que fazer. Fiquei no hotel enquanto, aos grupos, quase todos foram dar sua contribuição à montagem do espetáculo e de toda a estrutura para sua captura em audiovisual. Uma equipe de cinegrafistas (dentre eles o amigo Rafael Kent, aqui de Salvador, além do grande Ricardo Spencer, diretor da empreitada) circulava a caminho do local do show/filmagem enquanto outros da equipe técnica preparavam o som, o cenário (desenvolvido pelo Renan, que já conhecia pela internet por ser fã da Pitty), camarim e tudo mais que envolve a produção de um show.

Acabei chegando ao Circo Voador por volta das 17h30 e tudo já estava praticamente pronto. Aguardei somente que o som fosse acertado e subi para ensaiar minha parte, agora, no palco, com tudo que aconteceria na hora do show. E como não poderia ser diferente, tudo deu muito certo… Aliás, parece que tudo que foi planejado correu como deveria. Isso deu mais confiança a todos e a satisfação estava muito evidente nos sorrisos e cumprimentos entre os envolvidos.

Encontrei com o amigo Fred (Supergalo, ex-Raimundos) que não via há um tempo, acho que desde que ele veio com a Supergalo tocar em Salvador, no Carnaval de 2008, a nosso convite, num trio. Além dele, outras figuras do Rio de Janeiro fizeram questão de levar seu abraço a Pitty e equipe pela realização desse DVD, dentre eles Marcelo D2: muito tranquilo e simpático. Muito legal perceber o carinho que todos têm com o trabalho de Pitty. Não somente com ela, que, por seu carisma, sempre cativa a todos, mas especialmente pelas coisas que ela fala e expõe em suas canções e em sua atitude, levando em uma nova argumentação uma série de temas à discussão por muita gente (jovem) que, sem essa iniciativa, estaria à margem de qualquer oportunidade de debate.

Pouco antes de subir ao palco, no camarim, fui convidado a fazer parte da “roda”: Pitty, Duda, Martin, Joe, Bruno, Hique, Rafael Ramos, eu… nenhuma palavra dita. Um “Hey!” pronunciado por ela e a magia estava feita! Subiram ao palco para uma sequência de canções que, segundo eles, eram “lados B”. Na verdade, as mais de 2 mil pessoas que lá estavam conheciam todas as músicas e participaram de cada uma delas com toda força, toda vontade, toda vibração. Bonito de ver.

Teve um outro momento significativo, ainda no começo, que ficou marcado: enquanto tocavam “Desconstruindo Amélia”, a banda via um monte de garotas, nos ombros de amigos(as), ficarem somente de sutiã! Algumas tentaram até ir além, mas não rolou…

A participação de Hique Gomez foi fantástica. Além de grande musicista, ele também é um cara ligado às performances teatrais e trouxe ao show um toque muito especial: sendo um tango, ele e Pitty acabaram arriscando uns passos durante a música “Água Contida”.

Depois da primeira metade da apresentação, chegou o momento da minha participação. Foi muito emocionante entrar no palco do Circo Voador (onde só havia pisado uma vez, num show com Cascadura e Cachorro Grande) e partilhar essa canção. A resposta da galera não poderia ter sido mais bacana: muito carinhosos, todos! Para a surpresa da assistência, ainda emendamos “Senhor das Moscas” que, aí para a minha surpresa, muitos conheciam.

Já na coxia, após o término, fomos convidados a repetir a performance a pedido de Ricardo Spencer, e Rafael foi muito enfático: “Olha, gente… Ficou ótimo! A performance e a interpretação estão prontas. Mas o pessoal da captura de vídeo (Spencer) pediu para repetir porque faltou filmar alguma coisa. Pode ser?” Não é algo que seja muito confortável… Pitty muito sensivelmente me perguntou se tudo bem pra mim e eu disse que “sim”… Lá vamos nós outra vez.

Eles voltaram como num bis, mandaram uma para reaquecer e então viria mais uma versão de “Sob o Sol”: Pitty canta a primeira estrofe, eu entro no refrão e… alguma coisa acontece no meu coração e nós dois erramos os nossos trechos da letra e essa nova tentativa ficou na tentativa mesmo… Pena! Fiquei pensando se aquilo comprometeria o resultado final.

Logo todos estavam confraternizando numa festa improvisada no camarim. Todos celebrando o êxito na realização desse projeto. Ao final, chamei Spencer e ele disse: “Cara a sua participação arrepiou! Ficou muito bom! As vozes de vocês dois… Blá, blá, blá…”. Aí, eu falei: “Legal, man… pena que não capturou direito, né? Foram poucas tomadas?”. Ele respondeu meio espantado: “Oxe… capturamos direito, sim! Filmamos tudo! Peguei todos os closes que imaginei…”. E eu: “Ô?! E por que você pediu para refazermos a minha parte?!”. Aí, ele arremessou: “Foi tão bonito que eu queria ver de novo!…”

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Fábio Cascadura participa do novo DVD de Pitty

sábado, 11 dezembro 2010 - postado por assessoria de imprensa

Cantor faz dueto com a conterrânea na música “Sob o Sol”, em gravação ao vivo que acontece em 18 de dezembro no Circo Voador (RJ)

Lançado em 2009, o disco “Chiaroscuro”, de Pitty, depois de ter gerado o DVD “Chiaroscope”, com o making of das gravações, agora vai render um registro ao vivo. O show a ser realizado no próximo dia 18 de dezembro (sábado), no Circo Voador, no Rio de Janeiro, pretende ecoar o conteúdo deste álbum que é um marco na carreira da cantora. Neste momento especial, Fábio Cascadura, líder da banda baiana Cascadura, estará presente: ele vai cantar com Pitty a canção “Sob o Sol”, uma composição feita pela própria dupla.

Parte do DVD “Chiaroscope” e do compacto de “Me Adora”, que será vendido exclusivamente no dia do show no Circo, em vinil de cor especial (variações de preto e branco), “Sob o Sol” é a primeira criação em conjunto dos amigos – uma realização que concretiza o encontro de dois dos mais importantes nomes do rock da Bahia.

Além de Fábio Cascadura e da banda oficial (o guitarrista Martin, o baixista Joe e o baterista Duda), o novo DVD vai contar com a participação do tecladista Brunno Cunha (Caixa Preta) e de Hique Gomez (Tangos e Tragédias), que toca violino em “Água Contida”. Segundo Pitty, este será um trabalho “mais roots, diferente do anterior, com uma pegada mais direta, inclusive privilegiando lados B da minha carreira”, explica.

“Sob o Sol” – Na casa de Pitty, Fábio Cascadura cozinhou um caruru para um jantar de festa – e foi lá que, entre um assunto e outro, surgiu a conversa de escreverem juntos. “Pitty é minha amiga há bastante tempo, mas nunca havíamos cogitado a possibilidade de fazer uma canção juntos”, conta Fábio, também em referência ao fato de que, além de terem compartilhado a cena musical baiana na década de 1990 e de terem dado seguimento sólido ao rock local, os músicos que integram as duas bandas (a de Pitty e o Cascadura) têm histórias costuradas: Thiago Trad, baterista do Cascadura, tocou com Pitty no Inkoma; e Martin Mendonça, Joe e Duda Machado já passaram pelo Cascadura.

“Naquela noite, conversamos sobre Salvador, suas possibilidades, reais alegrias e mazelas… Aí, ali mesmo, ao redor da mesa, nos propusemos, quase que simultaneamente, a escrever algo falando disso”, lembra Fábio. Alguns meses depois, a ideia foi posta em prática e eles fizeram um rock misturado com bolero. “Criei o riff a partir do desejo de compor um bolero mesmo. Virou um rock com embalo ‘abolerado’. Ou seria um bolero pesado?”, ele tenta definir.

Na letra, a capital da Bahia, tão bem conhecida por ambos, se apresenta em suas riquezas e tristezas – sobretudo na relação de descaso que há para com ela e a desfaçatez de quem deveria ter o compromisso de torná-la uma cidade mais justa para os que aqui vivem. Fábio resume: “Salvador definha a olhos vistos, sem que nem mesmo nós, soteropolitanos, tomemos a frente para colocá-la numa condição menos indigna… Ao menos para que ela não fique tão só”.

“Sob o Sol” foi gravada nas sessões do álbum “Chiaroscuro”. Não entrou no disco, mas apareceu no DVD “Chiaroscope”, chegando ao público e aos shows da turnê de Pitty. Foi esse público que tornou a canção relevante de fato. “Agora, toda essa trajetória vem desaguar na minha participação na gravação do DVD, o que é uma honra para mim. Há da minha parte uma alegria enorme pela canção ter chegado a esse destaque. E, antes de mais nada, esta será uma celebração ao lado de grandes e bons amigos”, conclui Fábio.

SERVIÇO
SHOW: PITTY – GRAVAÇÃO DO DVD
Quando:
18 de dezembro (sábado), 21 horas
Onde: Circo Voador (Rua dos Arcos, S/N, Lapa – Rio de Janeiro/RJ)
Quanto: R$ 50 (inteira); R$ 25 (meia)
Vendas: www.ingresso.com

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E lá vêm shows: Sanguinho Novo!

quinta-feira, 09 dezembro 2010 - postado por assessoria de imprensa

Saiba tudo em www.sanguinhonovo.com!

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Bahia de Todos os Rocks 2010!

segunda-feira, 29 novembro 2010 - postado por fabiocascadura

Dia 23 de novembro, uma terça à noite, fui à cerimônia de entrega do Prêmio Bahia de Todos os Rocks 2010. Na edição anterior, de 2008, o Cascadura recebeu os prêmios de Banda do Ano e Melhor Clipe, por “Mesmo Eu Estando do Outro Lado”, dirigido por Zeca de Souza e Luis “Mingau” Guilherme.

O Prêmio é uma ideia muito legal do pessoal da PutzGrillo!, jovem produtora local, e visa a premiar a produção do rock baiano, além de criar uma oportunidade de congraçamento entre todos que participam desse mercado.

Esse ano, não tivemos indicação, não concorremos em nenhuma categoria. Nosso lançamento dentro do período julgado (2009-2010) foi o DVD Efeito Bogary e não há categoria em que ele se enquadre (além de o conteúdo dessa obra já ter sido avaliado). Porém, além de vários amigos estarem participando como concorrentes, acho de grande relevância prestigiar a festa.

Aconteceu no Teatro Casa do Comércio, mesmo lugar da cerimônia da primeira edição. Foi uma premiação justa com muitos trabalhos importantes sendo apontados aos troféus (que é uma brincadeira bem sacada com uma “figa”) e com a participação de boa parte dos que circulam pelos espaços da chamada cena alternativa soteropolitana. A falta, na minha opinião, está justamente aí: é preciso chegar ao interior da Bahia, onde há boa produção também.

Do mesmo modo, gostaria de ver ali outras possibilidades para além do rock, como o reggae e a música eletrônica, que, se não estão alinhados esteticamente, têm muito que contribuir para o crescimento e a circulação dessa orientação cultural. Enfim, o Prêmio Bahia de Todos os Rocks pode, daqui para frente, dar uma contribuição ainda maior ao panorama artístico da cidade e do estado, chamando à adesão uma gama maior de artistas e estilos.

No mais, foi uma felicidade ver o reconhecimento e o carinho de todos que estavam lá com gente como Messias, que recebeu o prêmio de “Música do Ano” por sua “Resilience”; como Ronei Jorge e Os Ladrões de Bicicleta (houve um pequeno incidente que acabou dando mais charme à apresentação deles, que também concorriam à “Música do Ano”: a guitarra de Edinho não funcionou e ele, como não podia tocar, cantou e dançou. Foi sensacional!); bacana o prêmio de “Músico Destaque” para Morotó, que, ao meu ver, sempre será indicado (na ausência do premiado, quem acabou indo buscar o troféu foi seu parceiro de Retrofoguetes, Rex, que também concorria na categoria. Foi engraçadíssimo vê-lo lá! Rex é um cara muito espirituoso e inteligente. Deveria inclusive ser cotado para apresentar as próximas edições).

A banda Quarteto de Cinco levou o prêmio “iBahia Garage Band”, o que a credencia a participar do Festival de Verão 2011; o videoclipe vencedor foi o da Teclas Pretas (talvez a concorrência mais acirrada do Prêmio); Silvis Rodrigues ganhou como “Designer do Ano” e Luciano Matos, pelo blog El Cabong, levou “Mídia do Ano”. Merecidíssimo o prêmio para “Frascos, Comprimidos e Compressas”, de Ronei Jorge e Os Ladrões de Bicicleta: “Disco do Ano”! Bem como para “Banda do Ano”, que foi a Vivendo do Ócio (eles fizeram um 2010 fantástico, trazendo adimiração e orgulho a todos nós que curtimos o som deles), e o “Show do Ano”: Paulinho Oliveira, que aniversariava naquela noite.

Na 1ª edição, o prêmio mais aplaudido foi o que foi oferecido ao pessoal d’Os Panteras, batizado de “Dinossauro Referência” (parêntese: acho o nome desse prêmio muito feio. Poderiam escolher um título melhor, menos pseudopomposo. Talvez bastasse “Referência Rock”… Mas Dinossauro Referência é feio demais…). Nessa edição, este prêmio coube ao comunicador, radialista e agitador cultural Valdir Serrão, o Big Ben!

Antes de mais nada, a homenagem é mais que merecida: Valdir Serrão é um cara que tem sua marca na história do rock local. Com cinco ou seis anos de idade, lembro do programa que ele tinha na TV Itapoan, o “Som do Big Ben”, e depois escutei mil outras histórias de suas iniciativas para divulgar o rock’n’roll, o reggae e outros estilos por aqui (tem aquela famosa lenda de que, em 1969 ou 70, ele teria colocado “Voodoo Chile”, de Jimi Hendrix, para tocar em seu programa na rádio e durante a execução choveram telefonemas perguntando por que a estação estava fora do ar…). Enfim, o prêmio é mais que merecido. Só achei que a produção do vídeo de apresentação não foi a contento. Tem que ter mais cuidado ao expor uma figura pública, tanto mais quando vamos homenageá-la.

No mais, espero que daqui pra frente o Prêmio Bahia de Todos os Rocks só cresça, contribuindo para tornar ainda mais visível o resultado do esforço de quem trabalha pela música na Bahia.
Parabéns aos indicados, aos premiados, aos organizadores… Enfim: Parabéns!

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“Valeu, tio!”

sexta-feira, 19 novembro 2010 - postado por fabiocascadura

Falei em um post anterior sobre alguns álbuns recém-lançados que nos forneceram combustível para pensar num conceito para nosso próximo disco de estúdio, o Aleluia, esse mesmo, matéria-prima e razão de ser desse blog.

Falei do “Chá Chá Chá” (Retrofoguetes), “Frascos, Comprimidos, Compressas” (Ronei Jorge e Os Ladrões de Bicicleta), “Letieres Leite & Orkestra Rumpilezz” (homônimo) e “Maçalê” (Tiganá Santana). Óbvio que não só disso vive o Aleluia, mas esses marcaram por serem obras contemporâneas, de artistas que estão num patamar de ascensão dentro do panorama musical brasileiro e que, acima de tudo, representam a inquietude diante da própria música.

Mas deixei de citar um outro disco, lançado há pouco tempo e que, tanto quanto ou mais que estes, interfere na produção que estamos fazendo em estúdio e nos ensina algumas coisas para além da música que pretendemos criar: “Zii e Zie”, de Caetano Veloso.

Escutei esse disco pela primeira vez na casa do próprio num período em que nos aproximamos, exatamente porque ele nos citou no blog que criou para expor o processo de criação desse álbum, exatamente como estamos fazendo com o Aleluia, aqui, em A Ponte.

Mas nossa relação com Caetano vem de antes: uma vez, nos idos de 1999, encontrei um amigo no Largo de Santana (Rio Vermelho). Era um começo de noite de uma sexta-feira e eu estava ali para encontrar com Martin e Jorginho (o famoso King Cobra). Éramos parceiros num evento que vinha acontecendo havia alguns meses: o Rock Nights! Toda semana, (Dr.) CASCADURA e King Cobra (banda da qual, então, Martin era guitarrista) revezavam-se no palco do Havana Sushi Bar, exatamente naquela praça. Eram noites bem concorridas e que nos custaram muito trabalho para tornarem-se assim, prestigiadas. As edições do Rock Nights aconteciam nas quintas e o combinado com a direção da casa era recebemos o cachê da noite anterior no começo da noite de sexta. Eu sempre ia acompanhado do então Cascadura Paulinho Oliveira, e encontrávamos com os dois “Cobras”.

Nessa noite, porém, me encontrei com esse camarada, o lendário Alexandre “Polho” Torres, que nos disse: “Você viu? Caetano falou de vocês na MTV! Foi no Jornal da MTV, agora há pouco…”.

“Cuma?”
Tanto eu quanto Paulinho achamos que havia um engano aí: Caetano é famoso e nós somos uma banda de rock soteropolitana suando para sobreviver localmente! Ele confirmou e, sabendo que nos encontraria ali (na época, nenhum de nós tinha telefone celular), veio nos encontrar para comentar o fato (e de quebra sentar para uma rodada de cerveja e papo). Ele repetiu umas três vezes que Caetano tinha dito no programa da MTV que estava escutando “uma banda de Salvador que fazia um rock assim… bem Stones: Dr. Cascadura!”.

Seguimos descrentes, até que chegou um outro amigo: Wallace (hoje guitarrista da banda de rock ultrapauleira Bestiário). E qual foi a primeira frase dele? “Poxa! Caetano falou que está escutando vocês!”… “Porra, véi… Foi mesmo?”. Polho não perdeu a deixa: “Viu aí, mané?! Eu tô maluco?!”.

Aquilo repercutiu por um tempo e nos trouxe satisfação: era sinal de que estávamos trabalhando bastante e fazendo nossa obra chegar ao maior número de pessoas possível, dentro da nossa limitação (sobretudo, orçamentária). Mas logo demos sequência e seguimos.

Ficamos sabendo que Caetano, que costuma passar temporadas de verão em Salvador e, nestes períodos, habitualmente, frequenta o Rio Vermelho, foi a uma loja de discos do bairro, a extinta Na Mosca, e pediu ao Tony Lopes, proprietário do estabelecimento, algumas “novidades” da Bahia. Acabou caindo-lhe as mãos nossos dois primeiros discos: “Dr. Cascadura #1” (1997) e “Entre!” (1999). E pronto…

Esse lance de “Caetano falou de vocês”, virava e mexia, vinha à baila. Só que, com o tempo, fomos dando cada vez menos ênfase a isso. Não tenho certeza, mas acho que ele acabou fazendo esse comentário de estar escutando CASCADURA em mais alguns outros veículos, sendo que eu mesmo jamais havia lido, ouvido ou o visto falar de nós.

Passa um tempo, a banda muda, a música muda, “pererê-parará-pão-duro”, como dizia minha mãe… Eis o Verão de 2008/09. Quando chegam as festas de fim de ano, é tradição em Salvador o baile “O Maravilhoso Natal dos Retrofoguetes”. É praticamente uma festa de confraternização entre os que frequentam e trabalham no circuito de música alternativa da cidade. E sempre que dá, eles me chamam para uma canja. Eu adoro participar.

Os Retrofoguetes são organizados em suas diversas ações, não dão ponto sem nó. Para esses shows com convidados, fazem questão de armar um ensaio antes da apresentação. Para a festa do Natal de 2008, além de mim, do maestro Letieres e o pessoal da Anacê, eles convidaram nosso amigo Glauber Guimarães.

Glauber é primo de Rex (baterista dos Retro), foi ele quem me substituiu quando saí d’Os Feios, banda de rock 50’s da qual fazia parte, juntamente com Joe (hoje baixista de Pitty), Morotó (guitarra) e o próprio Rex Crotus, na bateria. Depois, como todos sabem, eles se tornariam os The Dead Billies e Glauber mudaria seu nome para Moskabilly. Ok…

Passadas essas aventuras, Glauber acabou desenvolvendo-se como compositor e cantor (dando ênfase ao seu projeto Teclas Pretas) e, naquele instante, estava muito ligado ao universo virtual dos blogs. Ele chegou ao ensaio, onde eu já estava (foi no estúdio de Bola, ex-guitarrista da Dinky Dau e Sangria, na região do Largo 2 de Julho, Centro de Salvador), e me cumprimentou dizendo: “Caetano falou de vocês…”. “De novo essa conversa?!”, pensei. “Mas foi essa semana! Você viu?!”, ele completou, e ainda afirmou que “está escrito na internet…”.

Glauber vinha acompanhando uma estratégia inovadora de Caetano para divulgar seu disco. “Pois é, bicho! O cara tá gravando um disco novo e decidiu expor todo o processo de construção em um blog na internet, onde, quem quiser, fica sabendo o que tá rolando no estúdio, nos shows de preparação e desenvolvimento desse trabalho… Chama-se: ‘Obra em Progresso’ e lá ele disse que curte o som do Cascadura e que vem acompanhando vocês!”, contou.

“Pera aê, Glauber!.. Ele tá gravando um disco e mostrando o que tá fazendo antes de lançar?”, me assustei com a informação. Caetano é um “medalhão”. Se essa estratégia fosse implementada por alguém do universo alternativo, eu até compreenderia, acharia natural, pois a necessidade de lançar mão de algumas ferramentas mais radicais para divulgação dos projetos dessa fatia do mercado é sempre eminente. Mas um cara que trabalha num patamar como o dele?…
“Vá lá ver, rapaz!”, sugeriu.
Eu fui…

Li o texto em que ele nos cita, li o texto em que ele falava da música do disco, da abordagem, do conceito do álbum, dos shows que faria/fizera no Canecão, no Rio, onde testaria possibilidades e arranjos e li mais: os comentários dos que visitavam o blog “Obra em Progresso”.

Centenas de comentários por post. Havia uma legião de fãs, curiosos e detratores ali, prontos para debater, bater papo, comentar somente, mandar um alô, um beijinho, fazer uma graça ou xingar o Caetano. E ele estava lá, nu! Exposto, debatendo o quer que fosse, contra-argumentando, concordando… O legal ali era que quem lesse poderia comentar. Não era, como de costume em casos de artistas de grande alcance, uma via de mão única. Podia-se “responder”, com grandes possibilidades de réplica por parte do autor.

Tendo ele nos elogiado e chamado a atenção para o CASCADURA em seu texto, decidi deixar um comentário, agradecendo o carinho e tal… Não lembro se houve réplica, mas fiquei de boa com isso tudo e segui… Foi quando nosso produtor de então, Dimitri, foi ao Rio Vermelho e acabou encontrando com o próprio Caetano: “Oi, Caetano! Eu sou produtor do CASCADURA, sabe?! Os caras ficaram contentes com seu texto e tal… Blá, blá, blá… Blá, blá, blá… Blá, blá, blá…”. Parece que Caetano falou que queria nos conhecer e Dimitri disse que iria me ligar para que pudéssemos falar.

“Alô, Fábio… É o Caetano!..”, era a voz do “Cinema Transcendental” mesmo. “Olha, vamos nos encontrar uma hora dessas… Acho o som de vocês demais… Blá, blá, blá… Blá, blá, blá… Blá, blá, blá…”. Foram uns cinco minutos de papo e deixei uns telefones com ele, caso ele quisesse ligar e marcar algo.

Passaram-se algumas semanas e no meio de uma partida de buraco da qual eu participava somente para fazer número (minha sogra, meu cunhado e esposa sabem jogar. Eu, não), toca o telefone: “Oi, Fábio! É o Caetano… Vai fazer o quê hoje?!

O cara me convidou para ir a uma festa na casa dele aqui em Salvador e lá, enfim, nos conhecemos pessoalmente. Gente fina! Tava lá a galera do Grupo de Teatro Olodum, o produtor Arto Lindsey, o músico e arranjador Tuzé de Abreu e dentre outros tantos famosos David Byrne (ex-Talking Heads).

Caetano fez questão de nos apresentar a ele e não perdeu a chance de uma brincadeira (em inglês fluente): “David, esses são roqueiros daqui de Salvador… Eles odeiam pagode, axé e carnaval!..”, falou com um meio sorriso zombeteiro e tomando um drinque. Eu, de supetão, quis contradizê-lo, falando um “It’s not true…”, e me saí com um estúpido “Not too much!”. O círculo irrompeu em gargalhas (“Olha, David! Eu sou preconceituoso, mas NEM TANTO!”, seria a tradução da gafe que cometi).

O Mr. Byrne nem nos deu trela, mais simpático foi o Arto Lindsey. Mas estávamos ali para conhecer Caetano e era o que valia. Fomos eu, Thiago Trad, acompanhados das namoradas, e Dimitri. Conversamos um tempo sobre música. Ele falou muito bem da produção do Bogary, com propriedade de quem realmente ouviu. Citei a vontade de fazer um próximo disco mais diferente e arriscado, buscando diálogos com informações locais e cheguei a dizer que “tenho vontade de justapor Stones e samba-reggae”. Ele fez cara de “É…” (?).

Passadas algumas horas, fomos nos despedir. Ele pediu que voltássemos num dia qualquer, somente para trocar informações sobre música e arte. Esse retorno acabou acontecendo três semanas depois, e com a presença de Glauber, que ele pediu que eu levasse, e andré t, outro que pediu que convidasse, desde que munido de algumas coisas que vinha trabalhando em estúdio, além de Trad e Heitor, um amigo e parceiro de Glauber.

Passamos uma tarde conversando sobre histórias do passado (muitas das quais já conhecia de livros sobre a música brasileira), tiramos dúvidas sobre o rock em Salvador no período em que ele morou aqui (entre os 50 e 60 do século passado), o escutamos dizer algumas vezes “Caras, eu sou ‘tiozinho’! As vezes as pessoas se esquecem, mas sou ‘tiozinho’!”, e ele falou sobre o que deveria vir a ser seu próximo disco, o que estava expondo no blog “Obra em Progresso”.

Daí, ele convidou-nos a ouvir música na sala (antes estávamos num pátio na frente da casa). andré t levou um CD com uma compilação de produções dele: Messias (músicas do que depois viria a ser o sensacional álbum triplo “Escrever-me, Envelhecer-me, Esquecer-me”), que parece ter gostado muito, e uma demo de um projeto dub no qual eu e ele vínhamos trabalhando com uma dupla de baixo-bateria fenomenal. Quando tocou a primeira das faixas dessa experiência (que estava, como ainda está, inacabada), Caetano deu um sorriso e disse: “Esse é o som!”. Explicamos que era um projeto aberto e que não sabíamos exatamente o que fazer com aquilo. E ele mandou: “Quero participar também!”. Logo depois, numa entrevista coletiva aqui em Salvador, ele tornaria a comentar esse projeto e sua vontade de fazer parte dele.

Atenção, você que me lê agora: até aqui, escrevi a introdução do texto… O assunto vem agora!

Terminado o CD levado por andré, Caetano pegou um outro CD-R e disse: “Esse é o ‘Zii e Zie’, meu novo disco. Vou pôr para vocês ouvirem”. Entrou uma música extremamente diferente… Era guitarra e era samba. Mas não era guitarra e samba de Benjor ou Gil… Era outra parada! E era da boa! A sequência ia rolando e a gente meio espantado, para o visível deleite dele. Quando tocou uma que hoje sei chamar-se “Menina da Ria”, comentei que lembrava um frevo torto com suspiros McCartianos (sic!): “Um frevo-beatle!”.

Caetano explicou seu desejo de falar com o olho de sua geração, “de tios e tias”, sobre o Rio de Janeiro. Acendeu-se uma lâmpada sobre a minha cabeça! Na real, já estava acesa. Só ganhou alguns watts de potência.

Antes de escutar o “Zii e Zie”, ali e depois com mais calma, em casa, já queria um disco do CASCADURA todo DE Salvador, em contraponto ao Bogary, que foi feito em São Paulo, mas PARA Salvador. Porém o modo articulado apresentado nesse disco de Caetano, com sua banda formada sobre instrumentos identificados como “de rock”, com seu som mais vivo e claro que o “Cê”, supostamente o “disco roqueiro” de sua obra, levou-me a certeza de que teria que enfrentar esse desejo, desapegando-me de muito do que estava comigo em termos de crença e perspectiva, no que diz respeito à minha própria produção. Será que me fiz entender?…

Ao final da “audição”, ele nos perguntou o que havíamos achado. Visivelmente mexidos, elogiamos. andré emendou uma analise técnica mais apurada e lançou seu “Não gostei do som do ‘Cê’…”. Exato! Caetano arregalou os olhos e parece ter achado massa a sinceridade de andré, tanto mais quando ele explicou que o som do “Zii e Zie” era muito superior e a produção, que valorizava as “salas” de cada instrumento, dava a esse disco um som próprio e muito bem acabado. Ele explicou o porquê do nome, “Zii e Zie”, sendo reforçado pelos complementos de Glauber, bem mais interado naquele momento das intenções que ele havia exposto no “Obra em Progresso”.

Terminamos essa com abraços e promessas de breve reencontro. Com o passar dos meses, o “Zii e Zie” foi lançado, trazendo espanto, admiração de muitos e também certa rejeição da parte de quem não o assimilou. Segui ouvindo-o. Entendendo que, nele, Caetano busca tratar da sua territorialidade vigente: o Rio de Janeiro em seus diversos aspectos. Esse olhar, muito simples e objetivo, reforçou a trilha que buscava e que, somado aos outros discos, a alguns livros e filmes, ajuda a compor o mosaico de influências que adornam o Aleluia.

Ainda mais: a forma como o disco foi apresentado, com seus shows de teste no Canecão e o infalível blog “Obra em Progresso”. Não fosse aquela experiência, talvez não tivéssemos o impulso de fazer o mesmo com o nosso novo álbum de estúdio, abrindo o processo para que todos possam saber um pouco mais do caminho que estamos percorrendo. Não fosse assim, talvez eu não estivesse escrevendo essas linhas e você não as estaria lendo. Por isso, tenho que agradecer a Caetano Veloso: “Valeu, tio!”

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Vespas Mandarinas + Fábio Cascadura no Festival DoSol

terça-feira, 16 novembro 2010 - postado por fabiocascadura

Depois de um voo que fez, desde São Paulo, duas paradas, em Brasília/DF e Fortaleza/CE, completando mais de seis horas de viagem, chegamos à “Cidade do Sol”: Natal, Rio Grande do Norte. Por isso o nome do festival: DoSol!

Voo demorado é aquilo… Numa cadeira espremida, durante o processo de implantação da nova política da companhia que, para baratear a passagem, passou a vender as refeições durante a viagem: tudo certo! Sou a favor disso, mas R$ 4 numa garrafa d’água é um pouco demais. A água desce com gosto de sal… Até fazermos o check-in no balcão, seria uma única parada, em Recife, achávamos. No “Boa tarde!” do comandante, ficamos conhecendo essa rota de pinga-pinga… Vá lá. Tudo certo se as comissárias não estivessem com a cara amarrada… sempre!

Eu tenho 1,92 metro de altura. Boa parte disso é perna… Cadeirinha espremida é tortura pra mim. Por seis horas, então… Let’s rock!
O que deu um toque pitoresco à tudo foi a presença do famoso Comissário Ronald, que assumiu o comando do serviço de bordo a partir de Fortaleza, e que nos brindou com uma inesquecível e original explicação das normas de segurança do voo.

A produção do evento, na 7ª edição esse ano, é bem experimentada. Chegamos ao aeroporto e eles lá estavam para nos receber.

Quando estive com o CASCADURA, em 2008, para tocar nesse festival, fiquei em um hotel próximo ao centro da cidade e perguntei como chegaria à Praia de Ponta Negra, muito famosa. Pela distância da qual estava, acabei não conhecendo o lugar. Nem bem entrei na van e perguntei: “Onde fica Ponta Negra?”. Me responderam que o nosso hotel ficava em frente a essa praia! “Ponto para nóis”!

Vista do hotel da Praia de Ponta Negra [Foto por Nicolau Gomes]

Vista do hotel da Praia de Ponta Negra (Foto por Nicolau Gomes)

Nos instalamos e fomos jantar. Logo mais, iríamos à 1ª noite do festival, que teria a apresentação dos AMP, de Recife, e do pessoal do Love Bazukas, junção entre Chuck Hipolitho, dos Vespas Mandarinas, e os caras do Black Drawing Chalks (GO), que tocaram no DoSol Bar. Ambos os shows foram muito bons. Sai de lá com o ouvido apitando e algumas cervejas na cabeça. Fui dormir, porque o sábado prometia. E acordei cedo (8 horas, de pé!) para aproveitar o dia.

Fomos à praia, eu, Chuck, Thadeu, Mauro e Mike, esses últimos acompanhados das namoradas, e lá encontramos os amigos Fabrício Nobre, do MQN (GO) e da Abrafin, e sua esposa, que se juntaram ao nosso sombreiro. Por lá, passaram muitos dos que se apresentariam à noite, dentre eles o Márcio do Mechanics (GO) e o Dennis, Black Drawing Chalks. Com tanto goiano em Natal, eis que surge um carrinho vendendo camarão com a estampa “Camarão Goiano”. Foi solicitado. Mas Goiás produz camarão?!

Que temperatura, a da água de Ponta Negra! Sensacional! Você tem vontade de ficar lá e pronto… E o sol expressava o calor nas mais altas casas, justificando o nome da cidade. Um calor diferente do de Salvador.

Com o banho de mar, perdemos a hora do almoço que o evento banca para os participantes. E em festival indie é assim: TUDO TEM HORÁRIO. Perdeu? Tchau!… Fomos então a um restaurante que fica ao lado do hotel. Caro, mas muito bom! Comemos… camarão. Delicioso. O detalhe é que havíamos comido isso na noite anterior e durante a estada na praia. Quando voltei ao quarto para uma soneca revigorante, sofri um “mini-piriri-cagancha”… Mas nada demais para um intestino forjado a azeite de dendê, por anos a fio…

Antes de subirmos ao quarto, quando passávamos pela porta do hotel, ouvimos um miado com sotaque de “S.O.S.”. Um segurança do hotel, em frente a um carro branco, falou: “É um gato que entrou no motor desse carro… Tá aí desde cedo, miando, e não consegue sair…”. Chuck, entre o indignado e o assombrado, perguntou por que ele não tinha feito nada para tirar o bichinho. Deitou-se no chão, pôs a cabeça embaixo do carro e foi aventurar-se a resgatar o felino. Eu pensei: “Vamos lá!”, e o imitei. Sem sucesso, tentamos arrancá-lo dos ferros. Só depois que subi, frustrado por não ter conseguido, Chuck e Thadeu o tiraram de lá, numa verdadeira operação resgate: “We can be heroes!”.

Chegamos à Rua Chile, no bairro da Ribeira (olha as semelhanças com Salvador de novo), onde rola o Festival. Um palco maior fica montado no “Armazém”, casa que deve abrigar umas duas mil pessoas. O menor fica no próprio DoSol Bar, na mesma rua. Foi onde o CASCADURA tocou em 2008. O show “Vespas Mandarinas + Fábio Cascadura” estava marcado para às 22h30, no palco do “Armazém”, mas, para minha alegria, acabou sendo transferido para o palco menor, no DoSol Bar. Gostei demais de ter tocado lá.

Chegamos com nossos instrumentos e ficamos aguardando a multidão se acomodar para levá-los ao camarim. Enquanto isso, conheci o Nevilton, cantor/compositor/líder da banda homônima. Cheio de energia, dando bons e seguros primeiros passos no universo independente brasileiro, vem conquistando o apreço da mídia, dos colegas e do público que o viu. Humilde e falante, Nevilton pareceu–me uma figura legal, autêntica e muito própria. Nos veremos novamente, muito em breve…

Reencontrei o amigo Esdras Nogueira, sax barítono dos Móveis Coloniais de Acaju (DF), banda que faz o trabalho mais consistente que tenho visto nos últimos anos, rodando o Brasil com seu show festivo e lançando bons produtos no mercado. Começamos a alinhavar uma possível colaboração mútua (mais detalhes, em algumas semanas, aqui mesmo). Autoramas, Cabruêra (com um show que hipnotizou a audiência), Superguidis, muita gente lá…

Cerca de 40 minutos para subirmos no palco, já com os instrumentos no camarim e em meio à correria reinante, fomos convidados para uma entrevista ao vivo via web. Acho que foi a única vez em que não falei numa ocasião assim e fiquei muito feliz com isso… Nos reunimos num círculo juntamente com Fabrício Nobre, que passava por lá na hora e demos aquela energia para o show: palco!

Os Vespas Mandarinas começaram espetacularmente com a sua “Sem Nome”, e o público reagiu bem. Seguiram com “Live Wire”, petardo do 1° disco do AC/DC. E assim continuaram até que Chuck falou: “Fabão!”. Subi ao palco energizado pelo que eles já haviam tocado.

Chuck disse: “Espero que vocês gostem de punk rock…”, e deu a indicação para que eu puxasse a canção a seguir. Fui com tanta sede ao pote que disse “Ok, vamos lá!” e, ao invés de tocar “Rosemary”, escolhida para ser a primeira música da minha participação, engatei “Ele, o Super-Herói”! Oh, não! Oh, sim! Errei feio… Mas o clima era de muita partilha, muita entrega, fui perdoado pelos olhares de Mike, Mauro, Chuck e Thadeu, que sorriram e pararam para recomeçarmos…

“Rosemary”, “Retroceder” (da qual esqueci a harmonia e com a qual mais me diverti ali no palco, a única coisa que fiz foi dançar e fazer pose de “guitar hero”), “Mesmo Eu Estando do Outro Lado” (com uma galera cantando junto), “O Inimigo” (sem dúvida a mais impactante música do repertório), “Ele, o Super-Herói” (finalmente, no lugar certo…) e “Rádio Blá”, num clima rock steady/ska/Stones/festa geral, deu o enlace final dessa apresentação. Todos dançando, todos dançaram… Descemos numa confraternização sincera. Recebemos o abraço de todos e o aplauso da moçada.

Pode não ter sido o melhor show do festival e nem era pra ser. Mas certamente foi o show onde todos se encontraram: banda, convidado, público e organização em torno do sincero amor à música.
Valeu, Vespas Mandarinas! Valeu, DoSol! Até a próxima.

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Os Vespas Mandarinas

quinta-feira, 11 novembro 2010 - postado por fabiocascadura

São quatro caras. Três de São Paulo e um do Rio Grande do Sul. Mas, dentre os paulistas, há um potiguar, que se criou no interior do estado de SP. São todos de grande talento musical, no criar e executar, vindos de outras bandas que já deixaram seus nomes na história do rock e da música do Brasil nesse século.

Mauro Motoki, nissei, sansei, não sei… Descendente de japoneses, é compositor, multi-instumentista e faz parte do Ludov. Toca baixo e canta nos Vespas Mandarinas.

Thadeu Meneghini, fundador e líder do grupo Banzé!, que se separou há pouco tempo. Toca sua Les Paul com destreza, canta e dança… Mestre em todas essas artes. A faixa “O Inimigo”, da qual participamos eu, Jajá (da Vivendo do Ócio), Pitty, Nasi (do IRA!), dentre outras figuras do rock nacional, é uma composição sua.

Chuck Hipolitho, saído da Forgotten Boys, já foi diretor de programas da MTV. Pilota uma Fender Telecaster, é o pai da Nina e um rockstar legítimo.

Michel Vontobel (Mike), vindo da banda gaúcha VideoHits, mora em Porto Alegre e sempre se desloca para Sampa quando tem que ensaiar com o grupo. Tira um som muito peculiar da bateria e anda sempre sorrindo.

A música do Vespas Mandarinas soa como rock, mas está para muito além disso. A conexão com o contexto pop é muito evidente. As canções têm presença própria, cada uma, seu universo particular. A combinação de informações trazidas pelos músicos/parceiros dá ao seu repertório uma diversidade que demora a aparecer. O clima é de partilha e diversão. Ela foi formada para ser uma banda/projeto paralelo, mas parece estar assumindo o controle dos dias de cada um deles como músicos.

Entrei num estúdio com os VM e fui contaminado. Minha intenção era não atrapalhá-los no show e eles pareciam me pedir exatamente isso: “Atrapalhe-nos!”. Me senti à vontade no primeiro instante. Já conhecia o Chuck e o Thadeu, grande amigos, generosos e amáveis, mas, sei lá… na música, a mecânica costuma ser outra… Podíamos, a despeito da amizade, não combinar tocando juntos: mas nos demos bem, nesse caso.

Havíamos combinado de tocar: “Ele, o Super-Herói!”, “Mesmo Eu Estando do Outro Lado” e, por sugestão deles, uma inédita: ofereci “Rosemary”. Das deles, eu participaria de “Retroceder” e, lógico, “O Inimigo”, além de uma surpresa.

Enquanto passávamos o som no Estúdio 500, um puta complexo com várias salas para gravações e ensaios que fica no bairro do Morumbi (São Paulo), Chuck puxou a introdução de “Rádio Blá”, do Lobão. Ora! Essa música fez parte do repertório do CASCADURA durante parte da turnê Bogary: fui atrás. Todos nós fomos! E, assim, ela acabou entrando como elemento surpresa no show.

Ensaiamos por SEIS horas seguidas! Acho que desde que tenho 19 anos que não passo por uma sessão de ensaio tão extensa. Mas valeu! Terminamos satisfeitos. Foda foi sair e encontrar a confusão na Avenida Morumbi, com o engarrafamento de carros e fãs que iam ao show do Black Eyed Peas no estádio do São Paulo FC, que leva o mesmo nome e fica no final da avenida.

Deveríamos ter ido ao show do grupo paranaense Nevilton, que se apresentou naquela noite de quinta-feira no Studio SP, casa que fica na Rua Augusta, mas estávamos todos cansados e fincados na viagem de seis horas que faríamos no dia seguinte, rumo à capital potiguar.

O show, no sábado, foi espetacular. Uma das mais intensas experiências que já tive num palco. Poucas músicas e muita entrega. O público respondeu muito bem à nossa junção e nos divertimos todos juntos.

Ao final, ficou aquela sensação de “vamos fazer novamente?”.
Tomara que logo…

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Outra viagem no meio de tudo – São Paulo

quarta-feira, 10 novembro 2010 - postado por fabiocascadura

Mais uma vez, me afastei de Salvador durante esse processo de construção do Aleluia. Mas por um motivo muito, muito nobre, que me levou a uma experiência ainda mais surpreendente.

O propósito inicial seria participar da apresentação da banda Vespas Mandarinas (SP), composta por grandes amigos meus. O convite foi feito pelo organizador do Festival DoSol, de Natal/RN, Anderson Foca.

Eu já havia ido com o CASCADURA até lá, em 2008, numa das participações mais legais que já fizemos num evento dessa natureza. O caso foi que, ao visitar os Vespas Mandarinas em Sampa, num ensaio, para convidá-los a irem ao DoSol, Foca os ouviu tocar uma das músicas do Bogary e pensou que, como havia uma amizade entre nós e uma conexão artística muito óbvia entre as duas bandas, seria uma boa ter-me com os VM, no show deles lá no RN. Feitos os convites, convites aceitos!

Um ou dois e-mails e havíamos combinado quais músicas tocaríamos juntos e como seria a dinâmica da apresentação. Decidi, então, que iria a São Paulo, onde reside o núcleo da banda, uns dias antes, para ensaiarmos tudo. Aproveitei para visitar outros amigos da capital paulista, onde já morei com o CASCADURA e onde concebemos o Bogary.

Não posso deixar de falar que alguma coisa acontece no meu coração, que só quando chego na Augusta e encontro Duda Machado! Eu estava acompanhado do famoso Rodrigo “Minha Pedra”, outro “baulista”, hoje produtor da equipe de Pitty e que, generosamente, me hospedou em seu apartamento nesses dias. Duda havia ligado para ele, chamando-nos para um almoço na casa de sua irmã, a estilista Bia Machado, que reside na mesma rua. Era meio-dia!

“Meu querido Cascadura! Como vai?!”, deu-me uma abraço apertado. Trazia nos ombros Tomaz, seu afilhado de 3 anos e filho de Martin. Também estava acompanhado de Clara, sua namorada.

Caminhamos alguns metros e paramos na porta de uma lanchonete porque Tomaz queria uma água de côco. Como a balconista não tinha troco, Duda virou-se para mim e perguntou: “Cascadura, meu caro, já te ofereceram uma cervejinha hoje?”. “Rapaz!… É meio-dia!”, respondi. “Eu tô ligado… Já meio tarde e você com sede…”, já ia virar-se para pedir as cervejas e eu arranjei o dinheiro trocado para o côco de Tomaz e seguimos para o almoço.

Foi ótimo!
Reencontrar amigos que conhecemos à intimidade e que não vemos a toda hora é uma experiência muito excitante.

A todos, sou extremamente grato: Martin, Duda, Minha Pedra, Pitty, Luiz César, Telma, Rodrigo Lima, Sérgio, Spencer, Anna, Alê, Malásia, Chuck, Thadeu, Mauro, Mike… Isso, só em São Paulo! Ainda viria Natal, no Rio Grande do Norte, com seu festival DoSol e outros amigos do peito, de outros recantos, de todo o Brasil.

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Nova camiseta CASCADURA/Bogary, by Marka Diabo!

terça-feira, 09 novembro 2010 - postado por assessoria de imprensa

Já está disponível para compra nova camiseta com os símbolos do Bogary.
Quem quiser adquirir é só acessar www.markadiabo.com, clicar no diretório “Música”, tópico “Nível Nacional”, e encontrará a estampa na página 2 (também pode procurar via “lançamento”, página 8).

O design foi desenvolvido pelo colaborador Ricardo Ferro, o mesmo que desenhou o famoso galo da capa do CD Bogary, e autor do elogiado projeto gráfico do DVD Efeito Bogary.

Em breve, fotos da própria!

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