Você tem que ouvir isso!
quinta-feira, 10 novembro 2011 - postado por fabiocascadura
Faz um tempo, numa ligação, o amigo Luiz César Pimentel me fez um pedido um tanto curioso. Ele contou que estava solicitando a alguns amigos uma mixtape, para guardar e entregar às suas duas filhas, ainda com 3 e 2 anos de idade, quando elas chegarem à adolescência.
Só um parênteses:
Luiz César Pimentel é um jornalista, paulistano, são-paulino, que conheci em 2003, por meio de Joe (baixista de Pitty), assim que cheguei com o CASCADURA em São Paulo. Ali nasceu uma amizade incrível, muito pautada na admiração mútua e sincera pelas atuações que temos em nossas carreiras.
À época, ele era chefe de redação da Revista Zero, um projeto editorial que deixou tanta saudade quanto marcas no setor. Como morávamos perto da redação, costumávamos, eu, Thiago, além de Martin e LF – que estavam na banda naquele tempo -, ir até lá para conversar com a “turma da Zero” (que também tinha o editor Marco Bezzi e o grande designer Daniel Motta, que fez a capa do Bogary).
Os papos giravam em torno de tudo: Metal, Rock, Metal, a falta de “noção” dos gringos, Metal, guitarras, Metal, os poptogramas de Daniel, Metal, Thin Lizzy, Metal, “… e ‘não-sei-o-quê-mais’ é uma bosta, mano!” (fala do Bezzi), Metal, Os Trapalhões, Metal, Salvador, Metal e por aí vai… Papo variado, né?…
Foi por meio de Luiz Pimentel que conhecemos os Cachorro Grande, nossos grandes amigos e parceiros. E costumávamos levar todo tipo de produção de rock de Salvador para ele e a turma da Zero escutarem. Uma simbiose muito proveitosa.
Mas a Zero fechou. Entretanto, dada a sua competência, Luiz seguiu uma carreira brilhante, sempre participando de bons projetos editoriais. Em 2006 (acho), ele lançou um livro chamado “Sem Pauta”, que tem textos narrando sua viagem por países como Vietnã, Nepal, Russia (“- 40°, mano!”),Tibet, Índia e outros. Ele também criou uma linha de camisetas chamada “Cuma?”, com estampas bem humoradas e muito originais. Passou pela implantação do MySpace no Brasil, pelo Portal UOL e hoje é chefe de redação do Portal R7.
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Mixtape é um termo moderno para uma sequência de canções. Eu mesmo não fazia essa associação ou usava essa nominação até ele me explicar isso. Chamava isso de “listinha” mesmo.
Bom, eu aprendi o que era a tal de mixtape e, em se tratando de uma listinha para meninas que cresceriam e se tornariam moças, resolvi achar algo que estivesse escutando naquela semana e que pudesse agradar a pessoas do gênero/faixa-etária, mas surpreendendo-as.
Daí, selecionei coisas de muitas épocas, em geral cantadas em muitas línguas, mas com apelo pop. Por exemplo: incluí a canção “Love Me, Please, Love Me”, do Michel Polnareff, que, a despeito do título em inglês, é cantada em francês, língua mater do autor/intérprete, e foi um estouro mundial no meado dos anos 1960.
Também tem “Pata Pata”, da Miriam Makeba, sul-africana cantando num idioma ou dialeto da terra dela (não, a letra não é “tá com pulga na cueca…”). Tem “Sapori de Sali”, do “genovese” Gino Paoli, com um dos arranjos (de Enio Morricone) mais legais e doidos que conheço na música pop. Caymmi com “Tia Nastácia”, “Caravan”, de Duke Ellington, “Alegria, Alegria”, do Caetano tropicalista, e lá vai: “Ya ya”, de Lee Dorsey; “Ana no Duerme”, dos queridos argentinos do Almendra; Robertão e a sua infalível “Quando”; “Rescue Me”, com a linda Fontella Bass… Variar, sacou? E era o que estava escutando naquele momento, com gostinho de “pensar menos barato”. Pop menos óbvio. O exercício da surpresa…
Mandei a listinha e ele retornou agradecendo…
Eis que hoje, dia 10 de novembro de 2011, às 18h, Luiz César Pimentel lança na FNAC – Av. Paulista (São Paulo) – o seu novo livro: “Você tem que ouvir isso!”, contendo “listinhas” coletadas junto a muitos amigos com sugestões de sequências de canções (mixtapes) para escutar. A brincadeira ficou tão boa que acabou ganhando asas em forma de lançamento editorial e pode ser adquirido por todo mundo. Para minha grande honra, a minha seleção está lá no meio… Tomara que ela sirva para entreter quem a ouvir e, principalmente, daqui a alguns anos, surpreenda Nina e Lola, as filhas do autor.
Para saber mais sobre a obra de Luiz César Pimentel: http://luizcesar.com






