“Acompanhei todo o processo de criação do álbum pelo blog A Ponte e também estava ansioso para conhecê-lo. Após o download, ouvi o Aleluia algumas vezes. Ficou claro que a banda mudou de patamar e fez um discasso, um álbum duplo! Álbum duplo é coisa de gente grande, de quem tem cacife. Os Beatles só fizeram um, os Stones, em estúdio, também. Procuro nos cantos da memória um álbum duplo do rock brasileiro, e me vem um grande vazio…. Este é um ‘Exile on Main Street baiano’. Tem de tudo ali: Rock, Blues, Yeah Yeah Yeahs, arranjos de coral, sopros, até instrumentação típica de música clássica, punk rock, influências bastante explícitas de Led Zeppelin, Beatles, Stones, e mesmo Pink Floyd, mesclados com muita percussão baiana típica do candomblé. Em alguns momentos lembra a antiga banda baiana Catapulta.
O trabalho passa ao largo da música baiana carnavalesca de fácil consumo. Chama atenção a qualidade das composições, que são ótimas, sem, no entanto, tentarem ser explicitamente hits radiofônicos fáceis. São boas por si só, pela temática, pela poética, pela qualidade melódica e também qualidade técnica dos arranjos e gravações. Nada é gratuito e nada é óbvio.
Falar individualmente das faixas seria longo e inadequado, pois este é um álbum conceito, em que tudo se liga e o sentido maior aparece ao longo do trabalho, e não em cada canção individual. Mas o álbum tem muitas faixas com excelente qualidade radiofônica sim.
O trabalho de percussão é um capítulo à parte, em que a tradição percussiva baiana se une ao rock moderno. O disco é também uma ode de amor à Salvador moderna, esta Salvador sofrida de enormes contrastes e de péssimos gestores no passado recente. Não é a Salvador dos cartões postais e dos turistas e muito menos a do Carnaval, mas sim a cidade real onde vive um povo sofrido que luta para superar séculos de privações e a sempre presente sombra da escravidão.
Enfim, é um disco para ser degustado aos poucos, ao longo de semanas ou meses. A cada audição, descobre-se um detalhe escondido. O quarteto que compõe o núcleo duro deste trabalho (Fábio, o baterista Thiago Trad, o guitarrista Jô Estrada e o produtor andré t) se superou. Os inúmeros convidados se saíram muito bem, e deram ainda mais brilho ao trabalho pelas preciosas e precisas contribuições. Duvido que alguém lance no Brasil no resto do ano de 2012 um disco de rock melhor. Já é o disco do ano!!!!”
Gedson Meira (Lontra), de Camaçari/BA.
(Ele também faz música. Ouça aqui.)
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