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	<title>Banda Cascadura - A Ponte</title>
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		<title>Segue o baba!</title>
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		<pubDate>Tue, 31 Aug 2010 04:43:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>fabiocascadura</dc:creator>
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Foi Thiago Trad quem me falou deles a primeira vez. Mas o contato entre nós foi [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Desde que os conheci, quando ainda disputavam as seletivas do <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/GAS_Sound" target="_blank">Gas Sound</a>, tipo de “battle of the bands” de alcance nacional, promovido por uma marca de refrigerante, <strong>fiquei entretido pelo estilo, pelo som e pelo carisma dos <a href="http://www.vivendodoocio.com/" target="_blank">Vivendo do Ócio</a></strong>.</p>
<p>Foi Thiago Trad quem me falou deles a primeira vez. Mas o contato entre nós foi estabelecido por <a href="http://www.nemo.com.br/elcabong/" target="_blank">Luciano Matos</a>, jornalista, quando trabalhávamos no programa Jam Session Rock, na rádio <a href="http://www.atardefm.com.br/" target="_blank">A Tarde FM</a> – ele como redator e eu, como comentarista, aqui em Salvador.</p>
<p>O programa era semanal e era praxe haver uma entrevista com quem estivesse <strong>fazendo algo interessante</strong>. Esse papo rolava sempre por telefone. Justamente por terem passado da 1ª etapa do dito concurso, Luciano os recomendou como entrevistados daquela edição do JSR.</p>
<p>Foram três perguntas que fiz ao Jajá, cantor do grupo. Sinceramente, nem conhecia a música deles&#8230; Até ali. O cara (pra mim, um garoto) foi bem tranquilo em suas respostas. Depois, botamos no ar uma música de uma demo que o próprio Luciano nos trouxe. Não tava bem gravada, mas tava ali e dava pra tocar&#8230; <strong>Pela simpatia, acabei anotando o nome mentalmente e decide observar.</strong> Lembro que eles fizeram um show, numa matinê na Boomerangue (uma casa de shows daqui da cidade, que fechou recentemente), logo depois desse papo. Mas a agenda do CASCADURA nesse tempo e a minha preguiça me impediram de ir.</p>
<p>Pela imprensa, soube que eles seguiram bem no tal festival e chegaram à final. <strong>Fiquei sinceramente feliz.</strong></p>
<p>Não lembro se antes ou depois disso, convidamos eles para o lançamento de um projeto que havíamos idealizado: o Sanguinho Novo! Como o CASCADURA sempre teve a política de tocar com outras bandas mais novas (mesmo quando tínhamos somente um ano de existência, convidamos os então desconhecidos <a href="http://www.myspace.com/thedeadbillies" target="_blank">The Dead Billies</a> para tocar conosco no extinto Holandês Voador. Isso foi em 1993!), num intercâmbio onde trocávamos tudo, e essa prática acabou gerando, para nossa honra, uma demanda de bandas querendo tocar com a gente, <strong>decidimos criar um momento, uma festa dedicada a essa atividade</strong> – da mesma forma que criamos o Cascadura’s Private Hell (para os essenciais shows em “inferninhos”) e o Laboratório Acústico do Dr. Cascadura (onde experimentamos possibilidades sem uso de tanta eletricidade/plug)&#8230;</p>
<p>O Sanguinho Novo é uma festa em que convidamos bandas/artistas mais novos, mas com uma trajetória bacana, e onde podemos chamar a atenção das pessoas para a necessidade da doação de sangue&#8230; <strong>Sim! Consideramos isso um verdadeiro ato cidadão! </strong>Mais adiante, abordaremos essa festa em especial, deixe-me voltar aos Vivendo do Ócio&#8230;</p>
<p>Para a primeira edição dessa festa, os convidamos. Ali os assistimos, os ouvimos e eu, ao menos, <strong>me tornei um grande fã da banda</strong>. A vibe foi tão boa que decidimos até fazer outro show juntos, o que ainda não aconteceu&#8230; Mas, dali, eles seguiram, ganharam o Gas Sound, gravaram um disco de estreia muito bom, foram morar em Sampa e enfim&#8230;</p>
<p>No momento que decidiram partir para São Paulo, resolveram fazer um show de despedida e me convidaram para cantar uma música nesse espetáculo. O palco seria o mesmo onde havíamos nos encontrado anteriormente: Boomerangue.</p>
<p>Para participar desse show, fui convidado a ensaiar no estúdio que a banda tinha, ou tem, no bairro do Santo Antônio Além do Carmo. Estudei a vida inteira no Barbalho, bairro vizinho àquele lugar. <strong>Tudo ali me era muito familiar</strong> e foi uma viagem e tanto chegar ao estúdio passando por entre as ruas estreitas da região.</p>
<p>Bem recebido <strong>(lógico! Os caras são muito camaradas!)</strong>, tivemos um ensaio fantástico! A minha participação foi passada umas três vezes: <a href="http://www.youtube.com/watch?v=3dLAv0NklTg" target="_blank">“Break on through”</a>, dos Doors. Tudo foi muito fácil! Eles me contaram seus planos para a ida à nova experiência e me vi um pouco neles, quando cerca de cinco anos antes rumei com o CASCADURA para lá também&#8230; Me despedi e fui: de volta pra casa. “Até o domingo!”</p>
<p>Caminhava no fim de tarde pelas mesmas ruas estreitas que haviam me levado ao estúdio. Passei perto dos postes enferrujados (velhos, mas muito característicos do bairro) e <strong>percebi a chegada de uma centelha de ideia</strong>: um riff! Andei uns cinco minutos solfejando a sequência de notas que formava o riff e logo veio também a ideia da melodia a ser cantada&#8230; Uepa!</p>
<p>Tirei o celular (meu companheiro e salvaguarda! Quantas melodias deixei de perder, graças a ti?!) do bolso e pus a cantarolar, a meia voz: riff, melodia da voz&#8230; era tudo. Ainda tenho arquivado esse momento. Cheguei em casa e aprimorei o que tinha criado. Tinha uma carga ao mesmo tempo familiar e nova. <strong>Tinha rock, mas queria pular fora disso, ou chamar algo diferente para a roda.</strong></p>
<p><strong>“E se&#8230; Não, nããão!”</strong> – foi a primeira resposta à minha percepção de qual novidade aquele riff parecia propor&#8230; Pagodão?</p>
<p>Eu já havia pensado na maluquice que poderia ser justapor uma coisa e outra. Ok&#8230; O Fantasmão pôs guitarra no pagode&#8230; Achei sui generis. Não gostei por crer exagerado, <strong>apesar de aplaudir a tentativa e a busca de algo novo</strong>. Mas ficou feio, na minha opinião. Gostei mais do que fez o <a href="http://palcomp3.com/bandasamhop/" target="_blank">Sam Hop</a> com seu “Ser negão é massa”.</p>
<p>Mas e se subvertermos o ritmo de lá? <strong>Se o trouxermos até cá e lhe dermos contornos daquilo que conhecemos?</strong> Vamos lá&#8230; Levei a ideia adiante em minha cabeça, depois em minhas demos caseiras, até que a apresentei ao Professor t. andré adorou o desafio.</p>
<p>Trouxe uma <strong>letra que desfazia do que desfaz</strong>: o famoso “olho gordo”:</p>
<p>“Segue o baba<br />
Esse sonho é meu<br />
São meus passos, meus freios<br />
Peru-de-fora, olho gordo”</p>
<p><strong>&#8230; e tá dando nisso:</strong></p>
<p><object width="480" height="385"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/vRdT9QSY15M?fs=1&amp;hl=pt_BR"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/vRdT9QSY15M?fs=1&amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"></embed></object></p>
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		<title>Violência a la carte!</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Aug 2010 02:18:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>fabiocascadura</dc:creator>
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Thiago Trad deu início ao seu trabalho como orientador de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>É impossível não estar ansioso depois de quase um mês sem mexer em nada no disco.</strong> Nesse tempo, andré t foi a São Paulo mixar o disco de uma banda que o Duda Machado produziu: Apolônio, e que tem um amigo nosso, Pablo Marques, tocando acordeom.</p>
<p>Thiago Trad deu início ao seu trabalho como orientador de um projeto de formação básica em percussão para jovens: o “Toque Cidadão”, no bairro de Itapuã, aqui mesmo em Salvador. Essa iniciativa, que foi concebida e agora está sendo implantada por ele, tem como objetivo levar noções básicas sobre os diversos tipos de percussão para jovens de uma das áreas mais carentes da capital baiana, com aulas práticas e teóricas, distribuição de material didático, além da <strong>contribuição na formação cultural</strong> dessa moçada através de palestras e exibições de documentários, que os situarão diante da produção cultural e da história de sua cidade. (Vamos esperar agora um texto do Trad com detalhes sobre o assunto.)</p>
<p>Jô Estrada foi tocar com seu projeto, <a href="http://www.lacme.com.br" target="_blank">Lacme</a> (que teve um disco lançado, produzido por ele e o próprio andré), também na capital paulista. Apesar de, para nossa sorte, ele ter voltado a morar em Salvador e os demais componentes do <a href="http://www.lacme.com.br" target="_blank">Lacme</a> terem ficado em Sampa, a banda continua a existir, só que com atividades espaçadas: <strong>pintou um show, ele foi</strong>.</p>
<p>Eu estive, por duas semanas, envolvido com a <em>Exposição Revolution – Beatles</em>, do meu amigo <a href="http://twitter.com/mallagolimarco" target="_blank">Marco Mallagoli</a>, que aconteceu num shopping center daqui da cidade. Foi uma experiência ótima, aprendendo um pouco mais sobre a história dos Fab Four com um cara que os conheceu de fato: Mallagoli foi um dos dois únicos brasileiros que conhecerem os quatro Beatles e George Martin, o mítico produtor da banda (a outra foi a carioca Lizzy Bravo – que participou da gravação da canção “Across the Universe”). <strong>Um brinde à nossa maior inspiração</strong> em todos os momentos.</p>
<p>Mas, com agosto chegando a seu final, <strong>o disco nos chamou de volta</strong>.<br />
Nem bem retornou, andré me procurou para retomarmos o Aleluia.</p>
<p>Decidimos dar sequência ao trabalho iniciado com o stomp, que gravamos no <a href="http://www.sitorne.com.br/" target="_blank">Teatro Sitorne</a>. Sobre a construção da parte musical (melodia, harmonia e ritmo), <a href="http://bandacascadura.com/a-ponte/estudio/musica-de-trabalho/" target="_blank">já escrevi aqui</a>&#8230; então <strong>queria agora falar sobre o tema que escolhi </strong>para esta canção.</p>
<p>A experiência com esse novo trabalho tem nos exigido um “algo mais” para além do que já realizamos. Temos sido provocados a <strong>sair da nossa zona de conforto</strong>, do espaço que já conquistamos com álbuns como “Vivendo em Grande Estilo” (2004) e “Bogary” (2006). Apesar da temática “pessoal”, do olhar sobre nós mesmos ainda nos interessar, temos dado maior vazão a uma produção em torno daquilo que nos cerca&#8230; De preferência, de forma tão direta quanto possível.</p>
<p>Confesso que poucas coisas me incomodam tanto hoje como o tratamento que vem sendo dado à violência pela mídia. Parece que os casos de crimes vão para a mídia embalados com <strong>requinte de reality show</strong>. Seja na cobertura nacional de um caso envolvendo “celebridades” ou no horário do almoço, com gente desvalida, marginalizada, expondo seus podres em nome da audiência local.</p>
<p>A violência alimenta um mercado imenso. Nos filmes, nos livros, nos brinquedos (nos jogos de videogame, então, nem se fala) e, sim, na música. Ela se apresenta, nos excitando, como elemento que, como o sexo, nos coloca novamente dentro da <strong>perspectiva de uma natureza selvagem</strong>, como se o homem ainda fosse parte da natureza “lá fora”!</p>
<p>Isso é assim, desde sempre.<br />
“Bebida é água, comida é pasto&#8230; <strong>Você tem fome de quê?</strong>”.</p>
<p>Numa conversa, meu amigo <a href="http://www.alvarotattoo.com.br/" target="_blank">Álvaro Tattoo</a> lembrou: “Os romanos jogavam cristãos aos leões!”. E era casa cheia! Fonte Nova em tarde de BaVi! Assistindo à série “Band of Brothers”, sobre a famosa Easy Company, companhia de batedores do exército dos Estados Unidos da América que desembarcaram na Normandia no Dia D, vi um trecho, com depoimento de  um ex-combatente, personagem real da trama encenada naquele episódio: “Na minha cidade, alguns jovens, dispensados do serviço na guerra, acabaram se suicidando! <strong>Eram outros tempos&#8230;</strong>”. Eram mesmo&#8230;</p>
<p>A violência bate à nossa porta, laureada em glória. Sempre&#8230;<br />
Até que ela vem embalada em laço de realidade, com a cara de desespero ou os olhos embotados em alguma substância capaz de fazer o cérebro perder noção de limites. Aí, é hora de exclamar: fudeu!</p>
<p>Como não bastasse estar na arte, migra em tons de crueza para o noticiário, fazendo sucesso a ponto de ganhar especificidade: os programas “pinga-sangue”! A modalidade já era conhecida, <strong>impressa com tinta e sangue</strong>: jornais sensacionalistas que estampam manchetes sobre assassinatos, extermínios, estupros e demais crimes cruéis. Lembro que, nos anos de 1980, numa tentativa de imitar o modelo de sucesso no Rio de Janeiro, houve um que se arriscasse aqui na Bahia: naufragou em um quadriênio&#8230;</p>
<p>E chegamos, com velhos e novos personagens, aos programas “pinga-sangue” do horário do almoço. É o fim! É a degradação ao máximo. Em nada contribui. Eu, nascido e criado na Bahia, <strong>estou de saco cheio disso</strong>. Não acredito que isso contribua em nada para uma melhoria na condição de vida das pessoas desse estado. E tudo parece ficar muito claro quando depois do aviso de “não mude de canal, meu amigo&#8230; Que nós vamos mostrar aquele facínora, aquele escroque que fez isso e fez aquilo&#8230; Mas antes, vamos mostrar essa maravilha que é o ‘creme de ervilha’ para massagem facial e você precisa comprar ele&#8230; e etc&#8230; etc&#8230; Apenas por ‘uma fortuna que seu salário-mínimo não pode comprar’, mas você vai comprar, não é?”. É a tal da neurolinguística!</p>
<p>Bem, eu não tô aqui para analisar essa situação, isso devem fazer os sociólogos, cientistas políticos e jornalistas. Eu sou poeta, um compositor de rock. <strong>Extraio da vida o que me dá caminho para a criação artística.</strong> Por isso, pela necessidade de exclamar sobre esse “fenômeno” do degrado, que envergonha quem tem o mínimo de bom senso, em rejeição a essa manifestação da mais hedionda forma de exploração, que resolvi usar aquele espaço vago a um texto, dentro daquela ideia de cantar um blues sobre os passos e palmas gravados no Teatro Sitorne.</p>
<p><strong>Já que o blues nasceu pelo lamento, eu lamento&#8230;</strong></p>
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		<title>Colombo (vídeo)</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Aug 2010 18:02:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>fabiocascadura</dc:creator>
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Vídeo com desenvolvimento parcial do arranjo para a canção &#8220;Colombo&#8221; (Fábio Cascadura).
Thiago Trad (percussão), Jô Estrada (guitarra) e andré (direção de estúdio).
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<p>Vídeo com desenvolvimento parcial do arranjo para a canção &#8220;Colombo&#8221; (Fábio Cascadura).<br />
Thiago Trad (percussão), Jô Estrada (guitarra) e andré (direção de estúdio).</p>
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		<title>Colombo</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Aug 2010 18:00:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>fabiocascadura</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Foi o engenho de um homem, que soube vender sua ideia para quem detinha os meios de produção, ou melhor, de navegação! Os reis católicos, de olho na corrida para a chegada à Costa do Malabar, que tinha na dianteira o reino de Portugal, investindo pesado na tecnologia de amarração&#8230; <strong>Como? É isso aí!</strong> A diferença na capacidade de se navegar grandes distâncias no século XV da era cristã era a forma de se dispor (amarrar) as velas. Aí, Portugal criou a nau! Não anal.</p>
<p><a href="http://bandacascadura.com/a-ponte/wp-content/uploads/2010/08/DSCN4895.jpg" rel="lightbox[193]"><img class="alignleft size-medium wp-image-194" title="Colombo" src="http://bandacascadura.com/a-ponte/wp-content/uploads/2010/08/DSCN4895-300x270.jpg" alt="Colombo" width="270" height="243" /></a>Todo mundo sabe da história de Colombo (genovês e não espanhol) chegar até o rei lusitano para vender o peixe e sair com as mãos abanando e depois expor seu projeto a Fernando de Aragão e Isabel de Castela, os reis católicos do novo reino da Espanha, que, com o apoio dos banqueiros florentinos, patrocinaram a viagem rumo ao oeste pelo “mar tenebroso”: <strong>abriu-se o Atlântico</strong>.</p>
<p>Ele não chegou às Índias, ao menos às que achava, até a morte, ter chegado. Chegou a outras, trazendo a dominação, a peste, novas formas de preconceito, exploração e escravidão: <strong>o feito histórico sofisticou a crueldade</strong>.</p>
<p>Por um lado, o bem; pelo mesmo, o mal! As Américas (o nome do continente nos leva a uma história de “plágio” à parte; o genovês teve que se contentar em batizar o país da Shakira) foram achadas e pronto! <strong>Colombo passou o resto da vida muito mais preocupado em provar para o mundo e para si mesmo que não estava enganado</strong> e tinha realmente chagado às Índias, das especiarias, e não a outro lugar (prestação de serviço é um negócio é foda!); sequer pensou se o povo que estava naquele pedaço de chão gostou da chegada dos europeus, se curtiu a ideia de ser forçado a mudar de costumes, perder as possessões, ver suas tradições serem “elevadas” à categoria de bestialidades&#8230; Enfim! Ele não deve ter pensado no “bom selvagem”&#8230; Muito menos no verdadeiro homem americano, hoje chamado pré-colombiano.</p>
<p><strong>O legado disso ta aí&#8230;</strong> Os descendentes dos donos dessa terra não são reconhecidos como tal e quando há uma proposta da sociedade em posicioná-los numa reserva, tem quem grite: “Mas é muita terra pra plantar o que comer! Isso é latifúndio”. E geralmente quem dá esse grito é o latifundiário, que, geralmente contamina os setores conservadores ou desinformados da sociedade.</p>
<p>Bom&#8230; Colombo&#8230; (Putz&#8230;)<br />
Mesmo imaginando que não passou em qualquer segundo o pensamento de ter, via seu engenho e sua soberba, “fudido” com a vida dos que hoje chamamos índios, <strong>imaginei um ato de contrição</strong> de Cristóvão Colombo, à véspera de descer à praia que batizaria São Salvador (antes da nossa cidade), nas Bahamas.</p>
<p>Nesse ato em que vê o Novo Mundo como espelho do próprio destino, <strong>ele diz</strong>:</p>
<p><em>Antes que eu pise o chão<br />
O que farei amanhã<br />
Penso no quanto longe cheguei<br />
Pra outros tantos isso nem existe&#8230; </em></p>
<p><em>Todo resto que herdei<br />
Soberbo, doutor me fez<br />
Sem papel novo, só ambição<br />
De chegar onde somente eu quis ir </em></p>
<p><em>Mas, agora, essa sensação fajuta me faz chorar de emoção</em></p>
<p><em>Loucos, para cá, virão<br />
Aventureiro, ladrão<br />
Sermões e servos, escravidão<br />
Os daqui saberão o que é ser triste </em></p>
<p><em>E agora essa sensação fajuta me faz chorar de emoção </em></p>
<p><em>Mas se há um risco que eu deva correr, rei<br />
Pode crer que eu correrei<br />
Se há, ali, na praia o que ainda não sei bem<br />
É pra lá que eu irei<br />
Com um rio, com um riso, como quem crê<br />
De lá eu gritarei<br />
“Nós somos isso, somos risco, somos mal e bem”&#8230;<br />
“Só não somos Deus”</em></p>
<p><em>Logo, onde há o que comer<br />
Restará nada a dizer&#8230;<br />
Será só corpo e solidão<br />
Pros que hoje se acham livres </em></p>
<p>“Colombo” (Fábio Cascadura)</p>
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		<title>Stomp (Música de Trabalho)</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Aug 2010 18:28:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>fabiocascadura</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
Um vídeo sobre a experiência com stomp, no Café Teatro Sitorne.
Participaram: eu e Thiago Trad (baterista), nós dois membros do CASCADURA, andré t (produtor do disco), Jô Estrada (coprodutor), Mark Mesquita (baterista d&#8217;Os Irmãos da Bailarina e assistente do estúdio t) e Paulinho Oliveira (ex-CASCADURA e, hoje, diretor do teatro).
Leia mais sobre esta gravação aqui.
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			<content:encoded><![CDATA[<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="480" height="385" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/0IAF-fbvVWw&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="480" height="385" src="http://www.youtube.com/v/0IAF-fbvVWw&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>Um vídeo sobre a experiência com stomp, no <a href="http://www.sitorne.com.br/" target="_blank">Café Teatro Sitorne</a>.<br />
Participaram: eu e Thiago Trad (baterista), nós dois membros do CASCADURA, andré t (produtor do disco), Jô Estrada (coprodutor), Mark Mesquita (baterista d&#8217;<a href="http://www.myspace.com/osirmaosdabailarina" target="_blank">Os Irmãos da Bailarina</a> e assistente do estúdio t) e <a href="http://www.myspace.com/paulinholiveira" target="_blank">Paulinho Oliveira </a>(ex-CASCADURA e, hoje, diretor do teatro).</p>
<p>Leia mais sobre esta gravação <a href="http://bandacascadura.com/a-ponte/estudio/musica-de-trabalho/">aqui</a>.</p>
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		<title>Música de Trabalho</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Jul 2010 16:51:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>fabiocascadura</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Uma nova experiência nasceu da nossa reunião, numa segunda-feira à noite, no Teatro Sitorne. Faz um tempo, durante os testes de bateria, antes da gravação propriamente dita, eu havia mostrado a andré t um trecho melódico que me ocorreu em uma tarde, diante de uma vitrine num shopping center de Salvador, enquanto esperava minha amada. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Uma nova experiência nasceu da nossa reunião, numa segunda-feira à noite, no <a href="http://www.sitorne.com.br/" target="_blank">Teatro Sitorne</a>. Faz um tempo, durante os testes de bateria, antes da gravação propriamente dita, <strong>eu havia mostrado a andré t um trecho melódico que me ocorreu em uma tarde</strong>, diante de uma vitrine num shopping center de Salvador, enquanto esperava minha amada. Era um trecho de 16 compassos de blues ou, se preferir, encharcado de <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Blue_note" target="_blank">“blue notes”</a>. A ideia me agradava, ainda que eu não tenha a menor pretensão em gravar um blues, nem falso, muito menos autêntico – deixo essa tarefa para os que dele realmente são. Mas mostrei a melodia a andré e ele também curtiu.</p>
<p>Contei a ele do excelente documentário/show a que assisti certa vez, quando trabalhava vendendo discos numa loja aqui de Salvador. Tratava-se do DVD <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Down_from_the_Mountain" target="_blank">“Down From The Mountain”</a>, com artistas interpretando ao vivo a trilha sonora do aclamado filme <a href="http://www.adorocinema.com/filmes/o-brother/" target="_blank">“O Brother, Where Art Thou?” (com título em português “E Aí, Meu Irmão, Cadê Você?”)</a>, dos Irmãos Cohen. Nele, o grupo <strong><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/The_Fairfield_Four" target="_blank">The Fairfield Four</a> (curiosamente um quinteto, a despeito do “quatro” no nome) reproduz uma canção chamada <a href="http://www.youtube.com/watch?v=x-IiEXo5j20" target="_blank">“Po’ Lazarus”</a></strong>. Esse grupo nasceu dentro do ambiente da música Gospel do Tennessee (EUA) e está até hoje na ativa, desde 1921 (!).</p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=x-IiEXo5j20" target="_blank">“Po’ Lazarus”</a> é uma canção tradicional, de tema bíblico, e por eles executada no esquema stomp (com o bater dos pés sobre o tablado do palco) e palmas, imitando a sensação gerada pelo evento daquilo que os norte-americanos denominam “work song” – música de trabalho. Em geral, estamos acostumados a ouvir o gospel americano (o gospel de verdade, não esse treco que embala o polpudo mercado de música evangélica atualmente e de péssimo gosto estético/harmônico/melódico. A mensagem pode ser a mais bonita, mas a música fica em décimo plano) com acompanhamento de coral (sempre de efusivas possibilidades) e set instrumental guitarra-baixo-bateria-órgão hammond B3 (a base do que seria utilizado na instrumentação do blues elétrico, do jazz e do rock). <strong>Na “work song”, a cadência dos versos ritmava o trabalho nas lavouras, na construção de estradas e ferrovias, EUA afora, no correr do século XIX. </strong>Também nesse contexto, estão as mais profundas raízes da música norte-americana e, por consequência, muito do que chamamos universalmente de Música Pop.</p>
<p><strong>Baseados nessa história de apenas o bater dos pés sobre um assoalho de madeira acompanhar o cantor</strong>, partimos para a tentativa de gerar uma base convincente para essa ideia. Falamos com a direção da <a href="http://www.sitorne.com.br/" target="_blank">Escola de Artes Sitorne</a>, que gentilmente nos cedeu um horário para que gravássemos na sala do seu teatro. Chegamos na segunda-feira à noite: eu, Jô Estrada e Thiago Trad, antes, e encontramos com o amigo <a href="http://www.myspace.com/paulinholiveira" target="_blank">Paulinho Oliveira</a>, ex-CASCADURA, que hoje trabalha lá mesmo. Depois, vieram nosso andré t e seu assistente Mark Mesquita.</p>
<p>andré dispôs seus microfones, montou seu set up, subimos ao tablado e testamos o som. Uns poucos ajustes e ele disse: <strong>“Podemos começar!”</strong>. Esse grupo de seis pessoas passou a circular pelo palco do teatro buscando o espaço onde o som ficaria melhor: confesso que esse foi o detalhe mais demorado de todo o processo. Mas, enfim, achamos um lugar no fundo do tablado onde a madeira parece ter sido ajustada para tal finalidade. Vamos gravar!</p>
<p><strong>Pausa:</strong> bem, não tenho impressora em casa, assim, gravei um esboço da letra para essa música em um pen drive, onde estavam outras que pretendo aproveitar nesse processo do álbum. Não encontrei um lugar que pudesse imprimir pelo caminho e pensei: “Estou indo a uma escola! Lá tem impressora!”. Chegando lá, pus a mão no bolso para pedir a alguém para imprimir o bendito esboço e o pen drive não estava! No trajeto entre casa e escola, ele deve ter caído&#8230; Lamentei, mas seguimos sem letra mesmo. Afinal, o que iria valer, se iria realmente valer, eram os stomps e as palmas&#8230; Acaba a pausa&#8230;</p>
<p>Cantarolei a melodia num andamento que imaginava ser o mais natural. <strong>Marcamos com os pés o ritmo</strong>. Tentamos uma sequência de uma batida de pé a cada compasso. Depois, duas batidas, alternadas no segundo e no quarto tempo. Com palmas, sem palmas&#8230; Em vinte minutos, já tínhamos quatro ou cinco takes que nos deixaram satisfeitos.</p>
<p>andré t pôs os fones e ficou escutando&#8230; <strong>“Do caralho! Sonzão! Por mim, fica esse, como está!”</strong>. Ouvimos todos e compartilhamos da opinião de andré. Primeiro Thiago, depois Jô, assim por diante, ouvimos todos: eu, Paulinho, Mark&#8230; E nos cumprimentamos em saudação ao sucesso de algo que parecia ser mais complexo executar do que realmente foi.</p>
<p>Torno a chamar a atenção para o fato de que queremos apenas usar a alegoria desenvolvida do mundo do espetáculo americano, desde o começo do século XX, para contextualizá-lo à nossa necessidade de emoldurar uma obra atual. Não queremos ser grupo de blues, nem “macaquiar” coisa de gringo! Muito pelo contrário; a ideia é dar um novo direcionamento àquilo que já sabemos, conhecemos: <strong>reciclar!</strong></p>
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		<title>Uma viagem no meio</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Jul 2010 01:55:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>fabiocascadura</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Aleluia]]></category>
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		<description><![CDATA[Bem no meio do processo de entrar no estúdio, dei-me o luxo de viajar, em férias, com minha noiva&#8230; Mas bem no meio das gravações?
É que a viagem estava planejada antes de pensarmos em marcar as datas de estúdio e na vida é assim: prioridade é o que vem primeiro. Mantive os planos com a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Bem no meio do processo de entrar no estúdio, <strong>dei-me o luxo de viajar</strong>, em férias, com minha noiva&#8230; Mas bem no meio das gravações?</p>
<p>É que a viagem estava planejada antes de pensarmos em marcar as datas de estúdio e na vida é assim: prioridade é o que vem primeiro. Mantive os planos com a amada (ai de mim tentar demovê-la disso!) e fomos: <strong>break nas gravações</strong>.</p>
<p><strong>Buenos Aires</strong> orgulha-se de sua tradição europeia, considera-se europeia, mas tem uma afirmação imensa em ser latino-americana. Às vezes, nos confundem em sua confusão. <a href="http://bandacascadura.com/a-ponte/wp-content/uploads/2010/07/DSCN4975.jpg" rel="lightbox[144]"><img class="alignleft size-medium wp-image-156" title="Fábio &quot;Magallanes&quot;" src="http://bandacascadura.com/a-ponte/wp-content/uploads/2010/07/DSCN4975-225x300.jpg" alt="Fábio &quot;Magallanes&quot;" width="194" height="259" /></a> Tanto mais, chegando lá em tempos de Mundial de Futebol (aquilo que outrora chamávamos de Copa do Mundo, termo, agora, de uso proibido, sob pena de pagamento de royaltes ao dono: a FIFA). Ora eles afirmam torcer por todos “los hermanos sudamericanos”, ora afirmam preferir torcer para o “english team” ao Brasil. Acho que todos sabem da histórica rivalidade entre a Inglaterra e a Argentina, com caso de invasão inglesa a nossos vizinhos e tudo o mais&#8230; Fato é que Buenos Aires é<strong> autêntica, mesmo sendo uma réplica. </strong>Suas caras são, em geral, ibéricas e/ou caucasianas. Um índio de Tucumán (norte do país) aqui e outro ali. A colônia oriental é crescente e já opera interferência em alguns costumes da cidade: tinturaria e culinária (no agradável Bar 6, experimentamos um troço chamado “wok de carne”, um tipo de yakisoba adaptado ao modo argentino de ser). Negros? Em dez dias, lembro de ter visto quatro e somente um, suspeito eu, tenha nascido lá. Os demais eram imigrantes ou turistas.</p>
<p><a href="http://bandacascadura.com/a-ponte/wp-content/uploads/2010/07/DSCN5043.jpg" rel="lightbox[144]"><img class="alignright size-medium wp-image-145" title="Cemitério da Recoleta" src="http://bandacascadura.com/a-ponte/wp-content/uploads/2010/07/DSCN5043-225x300.jpg" alt="Cemitério da Recoleta" width="225" height="300" /></a></p>
<p>A tradição europeia é tão forte que um dos pontos turísticos mais celebrados de lá é um cemitério. Tem algo mais europeu que o culto à morte? O cemitério da Recoleta é realmente muito rico em suas esculturas lúgubres, seus mármores, testemunhas de um tempo que a cidade contava com uma classe alta mais opulenta e influente. Confesso que, apesar de ter curtido ir lá, tirado foto em pose de coreografia de “Thriller” de MJ, fiquei um pouco chocado com o lance das visitas ao túmulo de Eva Perón: havia uma fila de gente para tirar foto ao lado da catacumba da criatura! Em um momento, um par de gêmeas, na casa dos nove anos de idade, posou sorrindo enquanto a mãe que, acho, era colombiana, dizia: “Um momento&#8230;”, e tirou a foto com as duas com rostos angelicais. <strong>Mais um pouco e chegariam a mulher-barbada, o atirador de facas e a mula-sem-cabeça&#8230;</strong></p>
<p>Porém, ao lado desse cemitério fica um centro comercial moderno chamado Buenos Aires Design. O design, a forma, as artes visuais são outros exemplos de orgulho dos portenhos. E eles têm todo motivo para sentirem orgulho disso. <strong>A cidade é extremamente visual</strong>: nos monumentos antigos, no “rosáceo” do palácio presidencial, mundialmente conhecido como “A Casa Rosada”, no grafite às ruas, nas vitrines sempre muito caprichadas de qualquer estabelecimento comercial, no filatelista (aquele cara que cria placas floreadas em cores vibrantes)&#8230; No que diz respeito a ver, BsAs dá um show.</p>
<p>Lembro que sentamos num restaurante bem modesto em Villa Crespo, do <strong>tipo que amo ir em qualquer cidade que vá</strong>. Aquele lugar frequentado pelos locais. Era um lugar como o Risca Faca, da Rua Visconde de Ouro Preto, no Centro de São Paulo, ou a Ceasinha do Rio Vermelho, em Salvador: culinária popular. Lá, a vitrine era ornada com uma marca estampando o nome do lugar (Salgado Alimentos), o balcão surrado com uma balança antiga e bem conservada, uma “adega” com diversos vinhos expostos, cuidadosamente organizados. As mesas seguiam uma linha organizada em pares e os garçons e garçonetes, todos jovens, vestiam avental longo por cima do jeans/camiseta/all star. A comida desse lugar é um caso à parte: massa fresca de primeira qualidade.</p>
<p>Alias, comida não é problema numa cidade cosmopolita como a capital argentina. Come-se bem e come-se de tudo: massas, carnes, frutos do mar, empanadas&#8230; Para não falar nas sorveterias, rotisserias e padarias: doces, sorvetes, suspiros gigantes, alfajores (os imbatíveis Cachafaz e La Bizantina, ainda que o melhor tenha sido um gigante da Panaderia Las Famílias, na Calle Armenia), bolos, caldas&#8230; <strong>Açúcar!</strong></p>
<p>Em Buenos Aires, pode-se encontrar desde a famosa parrilla (recomendo o Lo de Jesus, em Palermo) à comida armênia (fomos ao Sarkis, também em Villa Crespo). <strong>Villa Crespo e Palermo: bairros bem situados, cheios de charme, lojas, gente interessante e bares.</strong> Pode-se andar em plena madrugada tranquilamente que é seguro. Ainda que, em Palermo, haja um tanto mais de barulho à noite (o cruzamento Serrano/Cabrera é carro e gente passando e falando a noite inteira), tanto mais é se perto da pequena e movimentada Plaza Cortazar, com bares/restaurantes/cafés 24 horas!</p>
<p>Foi bem próximo a essa praça que, num começo de noite, voltando para o hotel, paramos à porta de uma loja de roupas e percebemos que lá tocava o <strong>disco “Zii e Zie“, de Caetano</strong>. Como brasileiros, baianos, achamos massa, mas achamos normal: Caetano é mundialmente famoso.</p>
<p>No dia seguinte, indo para um passeio mais ao centro da cidade, <strong>passamos na frente da mesma loja e tocava Tom Zé</strong>: “Poxa! O cara gosta de música brasileira! Vou deixar um disco do CASCADURA que trouxe comigo com eles”.</p>
<p>À noite, voltamos pelo mesmo trajeto, justamente para deixar o disco na loja e, de repente, bater um papo com o pessoal de lá. Para nossa surpresa, ao chegarmos tocava um disco com música de capoeira! Pensei: <strong>“Esse é daqueles que sonha com a Bahia toda noite!”.</strong> Fazia frio. Chamei o camarada que devia ser o dono e entreguei o disco, me apresentei. O camarada ficou felizão: “Você é da Bahia?! Que legal&#8230; Que lindo, cara!”. Achar a Bahia “que lindo, cara!” é lugar comum para quem é de lá.</p>
<p>Lembro do domingo, quando íamos à tradicional Feira de San Telmo e, parados numa esquina, ponderávamos se estávamos seguindo na direção correta. Uma senhora de baixa estatura, no alto dos seus setenta e tantos anos, trajando um lindo e antigo abrigo vermelho, nos perguntou se queríamos ajuda. Aceitamos e ela nos orientou. Seguimos na mesma direção, ela perguntando se éramos do Brasil, de que cidade vínhamos&#8230; Quando dissemos Salvador, ela exclamou: “Hmmmm&#8230; Hay, llá, muchas iglesias, no?! Muy tradicional!”. Simpática! Disse que seu sonho era vir à Bahia e a Ouro Preto. Agradam-lhes as cidades com história, tradições verdadeiras&#8230; Essa senhorinha de amáveis olhos azuis foi uma das amostras do que se pode ter de simpatia dos argentinos. Sim! <strong>Não são de todo antipáticos. </strong>São carrancudos, em geral. Sempre sérios e apressados.</p>
<p>Posso citar também o tiozinho do kiosko Milagritos (no cruzamento das calles Thames/J. Ramires Velasco). Kiosko é um tipo de “barraquinha-vende-tudo” e, lá, vende-se de tudo mesmo: refrigerante, cigarros, canetas, alfajores, figurinhas da copa&#8230; Num dos últimos dias, tínhamos que pegar o “omnibus” e não tínhamos dinheiro em moedas. E para pegar “omnibus, ou bus, como gostam de falar os portenhos, tem que se ter “monedas”. Por isso, as moedas são escassas nas ruas de Buenos Aires: quem as tem, guarda para usar no transporte urbano (<strong>esse sistema é, aliás, algo que realmente nos faz sentir inveja. </strong>Quem dera essa administração que aí está, na cidade do Salvador, pudesse enxergar alternativas a serem copiadas de lá. Mas a visão é estreita, a mente, pequena e a ganância, grande&#8230;).</p>
<p>Como não tínhamos os 1,10 pesos argentinos trocados para cada passagem, tínhamos que trocar e ninguém troca. Entramos no kiosko Milagro e, para nosso espanto, o “tiozinho” meio índio, meio “chino” trocou nossas moedas e deu-nos a indicação de onde pegaríamos o ônibus certo para o nosso destino, falando pausadamente, para que entendêssemos, preocupação menor para quem vive em Buenos Aires.</p>
<p>Outros exemplos de simpatia da cidade vieram de duas pessoas ligadas ao universo da música. O primeiro foi o produtor independente Martín Ramicone, atuante na cidade com seu selo/produtora Da Chance Music, com quem vinha me correspondendo. <strong>Figura única, conhecedor do Brasil (já morou em Maceió/AL), da música de cá e dos organismos do mercado musical de lá.</strong> Conversamos sobre história da América Latina, futebol e rock! Ganhei um bom amigo e parceiro para projetos futuros.</p>
<p>O outro foi um cara chamado Juan Trasmonte. Ele produz um programa de rádio chamado Club Brasil, com grande sucesso na FM local, em que apresenta música brasileira de todos os tempos, e ainda produz apresentações de artistas brasileiros por lá. Encontrei com ele rapidamente, em uma rápida conversa, em que me apresentou seu total domínio do nosso idioma e mostrou realmente conhecer a música daqui. <strong>Chamou-me atenção ele saber da grandeza do som que faz o amigo Tiganá Santana: achei o máximo! </strong>Falou de muita coisa sobre a música do Brasil, de como ela atinge positivamente as pessoas na Argentina, de como vinha a divulgando, o alcance de seu programa, o êxito. Falei a ele da trajetória do CASCADURA, dos planos para o futuro e da vontade de fazer o nosso novo trabalho, Aleluia, chegar lá.</p>
<p>Na despedida, ele me perguntou como o encontrei. Disse-lhe que foi por indicação de uma amiga, Mariana, que havia trabalhado com ele e que hoje tem um hotel supercharmoso, onde nos hospedávamos: o Querido! Querido é o nome apropriado para esse lugar, que fica em Villa Crespo (Calle Juan Ramirez Velasco, n° 934), ao lado do fantástico bairro de Palermo. Se for a Buenos Aires, fique lá: vale muito a pena. <strong>Eu vou voltar e vou ficar lá.</strong></p>
<p>P.S.: Agora, de volta a casa, retomo as gravações do Aleluia junto a Thiago, Jô e andré. Acumulei, nessa viagem, referências e comparações para trazer algo de novo ao álbum. Tomara que funcione&#8230;</p>
<div id="attachment_149" class="wp-caption aligncenter" style="width: 470px"><a href="http://bandacascadura.com/a-ponte/wp-content/uploads/2010/07/DSCN48561.jpg" rel="lightbox[144]"><img class="size-full wp-image-149 " title="Quando eu chegar a Nicarágua!..." src="http://bandacascadura.com/a-ponte/wp-content/uploads/2010/07/DSCN48561.jpg" alt="Quando eu chegar a Nicarágua!..." width="460" height="368" /></a><p class="wp-caption-text">Quando eu chegar a Nicarágua!...</p></div>
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		<title>Bateria em &#8220;O Rei do Olhar&#8221;</title>
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		<pubDate>Fri, 09 Jul 2010 17:40:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>thiagotrad</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Aleluia]]></category>
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		<category><![CDATA[estúdio t]]></category>
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		<description><![CDATA[Para vocês, um trecho das gravações de bateria de &#8220;O Rei do Olhar&#8221;, a primeira música desta jornada do Aleluia.

Leia mais sobre o processo de criação de &#8220;O Rei do Olhar&#8221; aqui.
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Para vocês, um trecho das gravações de bateria de &#8220;O Rei do Olhar&#8221;, a primeira música desta jornada do Aleluia.</p>
<p><object width="640" height="385"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/i_v7n_gQ06k&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/i_v7n_gQ06k&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="640" height="385"></embed></object></p>
<p>Leia mais sobre o processo de criação de &#8220;O Rei do Olhar&#8221; <a href="http://bandacascadura.com/a-ponte/estudio/o-rei-do-olhar/">aqui</a>.</p>
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		<title>CASCADURA, Brasil e Argentina</title>
		<link>http://bandacascadura.com/a-ponte/a-ponte/cascadura-brasil-e-argentina/</link>
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		<pubDate>Mon, 05 Jul 2010 22:10:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>thiagotrad</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Influências]]></category>
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		<description><![CDATA[Já se vão quase três semanas desde que iniciamos o A Ponte e eu estou adorando a forma dinâmica com que o blog tem rolado: a participação de todos tem sido fundamental na construção dessa nova estrada. Provavelmente, vocês já notaram que eu não sou tão adepto da internet quanto o Fábio; eu até curto [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Já se vão quase três semanas desde que iniciamos o A Ponte e eu estou adorando a forma dinâmica com que o blog tem rolado: <strong>a participação de todos tem sido fundamental na construção dessa nova estrada</strong>. Provavelmente, vocês já notaram que eu não sou tão adepto da internet quanto o Fábio; eu até curto navegar pelos sites de música, culinária, notícias e afins, mas ainda não tenho nem um Orkut, por exemplo. Nada contra, só não aprendi a lidar com essa linguagem.</p>
<p>Mas quando surgiu a ideia de criarmos o blog, eu logo me animei, acho que estava faltando essa ferramenta para estreitarmos um pouco mais a comunicação entre o CASCADURA e vocês. E <strong>o momento era esse</strong>, afinal estamos gravando um álbum inédito, numa fase de muitas novidades. A necessidade de um disco novo era angustiante – já não gravávamos há 4 anos – e a largada foi dada!</p>
<p>O Aleluia está em pleno período de produção, músicas inéditas, novas parcerias, e uma busca enlouquecedora em descobrir sonoridades ainda não usadas por nós, além dessa troca de informação, que nos interessa muito. Desde o primeiro texto que Fábio escreveu para o blog, vi que o nível seria altíssimo. E a cada nova curiosidade revelada, gosto mais. Gostei demais do último post – até eu, que convivo direto com Fabão, pirei. <strong>Ele sempre tem alguma referência nova para apresentar</strong>, o negão saca tudo de Rhythm’n Blues; dentre tantas outras, acho que essa é a sua maior especialidade. E, pelo que vem rolando até aqui, certamente o Aleluia será um disco regado com muito Rhythm’n Blues.</p>
<p>Aliás, aproveito esse gancho sobre as influências do CASCADURA para voltar no tempo e contextualizar melhor essa história. Logo que eu entrei na banda, por volta de 2001, percebi que as referências de Fábio eram muitas e iam muito além das tradicionais bandas de rock dos anos 1960 e 70 (Beatles, Stones, The Who, Deep Purple etc.), ou das bandas de southern rock norte-americano (The Allman Brothers, Lynyrd Skynyrd e cia.). <strong>Realmente, os dois primeiros discos do CASCADURA têm muito dessa época, mas não definiam ou encerravam o gosto musical de Fábio.</strong> O lance é que, entre um papo e outro, ele sempre citava alguns nomes para mim, de rockabilly e country music a Caetano e Gil. Não que Fabão seja um cara eclético (esse termo é perigoso, rs), mas seu gosto musical é amplo: se tiver uma boa melodia, ele para para ouvir.</p>
<p>Em muitas de nossas conversas, ele mencionava bandas argentinas. Confesso que, naquela época, conhecia pouco do rock dos nossos hermanos, apesar de saber que por lá o rock’n roll faz parte do estilo de vida deles. E essa ligação Brasil-Argentina ganhou força através do convívio com Nestor Madrid, um argentino radicado há muitos anos em Salvador e primeiro produtor dos discos do CASCADURA. Ele sempre falava que a gente teria uma grande aceitação por lá. O fato é que, nesse exato momento, <strong>Fábio está conferindo isso de perto, curtindo alguns dias em Buenos Aires</strong>.</p>
<p>Tenho certeza de que essa viagem vai mexer com a cabeça dele, talvez algumas músicas novas possam estar sendo compostas por lá. Além do mais, andré t também acaba de chegar de uma viagem por terras portenhas. Eu acredito que o Aleluia não ficará imune a isso. Apesar da eliminação de ambos países na Copa do Mundo, <strong>eu acho que Brasil e Argentina vão se encontrar no estúdio t</strong>.</p>
<p>Pra acabar com música, uma listinha de bandas argentinas que eu recomendo conferir: <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Almendra_%28banda%29" target="_blank">Almendra</a> (uma das preferidas de Fábio), <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Patricio_Rey_y_sus_Redonditos_de_Ricota" target="_blank">Patricio Rey y sus Redonditos de Ricota</a> e <a href="http://www.losratonesweb.com.ar/" target="_blank">Ratones Paranoicos</a>.</p>
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		<title>O Rei do Olhar</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Jun 2010 01:25:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>fabiocascadura</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Marcamos às 9 horas. Eu cheguei 9h15, mesma hora que Jô Estrada: andré t nos esperava para começarmos o dia de gravação. Sexta-feira, 18 de junho.
Tínhamos algumas baterias que foram registradas no “esquema teste” e que, de tão boas, acabaram sendo adotadas como oficiais para trabalharmos: deu-se o start no Aleluia!
Sugeri a gravação de um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Marcamos às 9 horas. Eu cheguei 9h15, mesma hora que Jô Estrada: andré t nos esperava para começarmos o dia de gravação. Sexta-feira, 18 de junho.</p>
<p>Tínhamos algumas baterias que foram registradas no “esquema teste” e que, de tão boas, acabaram sendo adotadas como oficiais para trabalharmos: <strong>deu-se o start no Aleluia</strong>!</p>
<p>Sugeri a gravação de um tema bem pesado: então, vamos começar pelo peso&#8230; Tive a ideia dessa música a partir de um instrumento em especial: uma <strong>baritone guitar</strong>.</p>
<p>O que é uma baritone guitar? <a href="http://bandacascadura.com/a-ponte/wp-content/uploads/2010/06/Imagem0221.jpg" rel="lightbox[103]"><img class="size-medium wp-image-107 alignright" title="Baritone guitar" src="http://bandacascadura.com/a-ponte/wp-content/uploads/2010/06/Imagem0221-225x300.jpg" alt="" width="180" height="240" /></a><br />
Trata-se de uma guitarra barítono, ou seja, uma guitarra mais grave que as normais. Tem seis cordas, seu aspecto é bem similar ao das guitarras convencionais. Mas ao invés de afinada em E (mi), ela é afinada em B (si), três tons e meio abaixo. Tem gente que confunde com a famigerada guitarra de sete cordas ou ainda com guitarras convencionais afinadas em tons mais baixos. Mas uma guitarra assim pode ter sua afinação abaixada até C (dó), no máximo. Aqui estamos falando de mais um semitom&#8230; e com segurança (sem as variações/ desafinações que ocorrem com cordas folgadas). A tensão nela é perfeita.</p>
<p>Esses detalhes talvez não façam tanto sentido para quem não é músico. Mas, como disse, foi a partir desse instrumento que me veio a ideia da canção&#8230;</p>
<p>andré havia feito uma viagem de passeio à Europa. E quando andré vai a algum lugar, ele precisa, muito, conhecer as lojas de instrumentos musicais da localidade. Tanto faz se estiver em Paris ou Boquira! Ele irá pesquisar se há algum apetrecho de uso musical que ainda não tenha e que precise conhecer&#8230; e levar consigo. Sua esposa que o diga.</p>
<p>Antes de ele fazer essa citada viagem, conversamos justamente sobre baritone guitar. Na volta, ele apareceu com uma, modelo Danelectro, que comprou na França&#8230; sei lá&#8230; Me emprestou por uns dias para que eu conhecesse o instrumento, já que eu nunca havia tocado um. <strong>Pimba! Veio o riff!</strong></p>
<p><a href="http://bandacascadura.com/a-ponte/wp-content/uploads/2010/06/Imagem011.jpg" rel="lightbox[103]"><img class="size-medium wp-image-110 alignleft" title="Amplificador Fender Bassman" src="http://bandacascadura.com/a-ponte/wp-content/uploads/2010/06/Imagem011-300x225.jpg" alt="" width="216" height="162" /></a> Depois, percebi que é meio “filho” da linha de baixo daquele sucesso do U2: <a href="http://www.youtube.com/watch?v=-6Y-t85vs4g" target="_blank">“New Years Day”</a>. Danelectro baritone guitar + pedal Rat Proco + amplificador Fender Bassman valvulado! Vixe! Riff em C (dó), música em G (sol). Certeiro!</p>
<p>Mostrei a andré e foi essa música que tocamos para Thiago Trad “acertar o som de uma bateria”. Ele apareceu com uma célula rítmica totalmente diferente da que eu havia imaginado, ainda que, devido a nosso entrosamento, desenvolvesse o que chamamos de <em>bridge </em>(ponte) e o refrão de forma muito similar ao que pensava. Mas a condução e a dinâmica da parte A (aquela onde desenvolvemos a historinha das letras) veio com muitas novidades e, ao mesmo tempo, <strong>impregnada de referências que curtimos</strong>.</p>
<p>Na sexta, fomos completar esse arranjo.<br />
O baixo foi executado por Jô, coisa que ele fez em canções como “Senhor das Moscas”. <strong>Sugeri uma marcação com jeito de bolero&#8230;</strong> É! Be-o-Bó-lê-é-Le-rê-o-Ro! Bolero!</p>
<p>Se ligue: rock e bolero andam juntos, all the time! De <a href="http://www.youtube.com/watch?v=p41xLRmEPoY" target="_blank">“P.S. I Love You”</a>, do 1° disco dos Beatles, a <a href="http://www.youtube.com/watch?v=pcmX6J6S6Xs" target="_blank">“Mesmo Eu Estando do Outro Lado”</a>, tudo é bolero! O bolero é a grande força rítmica que ocupa o ocidente. Herança africana, muito bem desenvolvida no Caribe a partir de um toque dos cultos yorubanos trazidos pelos escravos dessa etnia (alguns chamam esse toque “tanimobé”, aqui na Bahia também chamado “arrebate”), sua presença no rock deu-se via Rhythm&#8217;n Blues dos anos 50, em exemplos como <a href="http://www.youtube.com/watch?v=AOT7OwcbK-k" target="_blank">“You Better Move On”</a>, do grande Arthur Alexander (regravada pelos Rolling Stones no começo da carreira; aliás, os Beatles também interpretaram coisas desse cara genial, como “Anna (Go to Him)”, também bolero) e <a href="http://www.youtube.com/watch?v=WWBbEJXnOFk" target="_blank">“Stand By Me”</a>, sucesso de Ben E. King.</p>
<p>Não esquecer que isso que chamam de “arrocha” nada mais é que uma leitura própria e peculiar sobre esse mesmo ritmo: bolero! Um exemplo massa que acho é o da música <a href="http://www.youtube.com/watch?v=v7QTe-TMCNc" target="_blank">“Shama Lama Ding Dong”</a>, incluída na trilha sonora do filme “Animal House” (em português, “Clube dos Cafajestes”), constante presença nas programações vespertina das TVs, interpretada pelo grupo Otis Day and The Knights.</p>
<p>Reproduzimos o baritone guitar, também executado por Jô Estrada, com a mesma filosofia que usei na <strong>demo que registrei no meu celular</strong> (é isso mesmo: assim que tenho uma ideia, registro-a de imediato no celular e depois vejo se vale a pena ser trabalhada ou não).</p>
<p>Ainda como reforço e somente para termos como alternativa no momento da mixagem, foram gravadas algumas dobras de guitarra, usando distorção bem convencional, mas num timbre todo especial descolado por andré t: <strong>ficou pesadíssimo!</strong> Em tempo, conta muito o fato de quem executa e quem grava: Jô Estrada e andré t.</p>
<p>Terminamos o dia de sexta bem satisfeitos, às 16 horas, porquê Jô e andré precisavam ensaiar com <a href="http://www.messias.art.br/" target="_blank">Messias</a>, com quem tocam e com o qual farão o show de lançamento do excelente disco da estreia solo do líder da brincando de deus. O show acontecerá dia 30 de junho, na Igreja da Barroquinha (templo que, aliás, tem muito a ver com o projeto desse disco do CASCADURA&#8230; depois eu conto). E lá se foram: continuaríamos no sábado.</p>
<p><a href="http://bandacascadura.com/a-ponte/wp-content/uploads/2010/06/Confraternização2009-001.jpg" rel="lightbox[103]"><img class="alignright size-medium wp-image-124" title="andré t em ação" src="http://bandacascadura.com/a-ponte/wp-content/uploads/2010/06/Confraternização2009-001-300x225.jpg" alt="" width="240" height="180" /></a>Sábado, 19 de junho, 9 horas: chegamos ao estúdio t.<br />
Fomos recebidos por um entusiasmado andré t, que desde as 8 horas (!) mexia em um <strong>módulo de sintetizador</strong> – uma intervenção que a princípio me causou estranheza, confesso, mas que logo foi assimilada, apoiada e aplaudida! Uns arremates de guitarra e só restava gravar a voz.</p>
<p>Parêntese: ainda que saiba sobre o que a música irá falar, o tema, ainda não tenho uma letra completa. Somente o esboço do que virá a ser o texto dessa que já é a primeira música pronta do Aleluia. Sei que a canção tratará de uma analogia entre um ilusionista/ charlatão/ mágico e a mídia. Fala sobre o fato de “o truque do mágico só funciona se a plateia quiser acreditar nele”. <strong>Seu título: “O Rei do Olhar”.</strong></p>
<p>P.S.: Depois da gravação de sábado, fomos os três nos recolher e descansar para um compromisso muito importante que teríamos naquela noite e que aponta para o motivo pelo qual Thiago Trad esteve ausente dessas duas sessões: sua união com a sua amada! Agora, Thiago é um homem casado! Tudo de melhor para ele.</p>
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