(Re)Começo
domingo, 13 maio 2012 - postado por fabiocascadura
Faz alguns poucos dias que compartilhamos o Aleluia, álbum sobre o qual, tão cuidadosamente, trabalhamos ao longo de quase dois anos. Esse momento é muito especial porque é de fato a razão de toda a dedicação que tivemos. O disco, em si, é o objeto principal que tem motivado a existência desse blog. Aqui, viemos compartilhando um processo meticuloso, denso, extensivo, simples, mas sofisticado, intenso e prazeroso. Agora que essa fase de construção e todo o discurso relacionado ao álbum Aleluia, enquanto obra fonográfica, já passou, ainda não sabemos exatamente o que será desta plataforma que é o “A Ponte”, mas sabemos que ela tem sido muito importante na comunicação com as pessoas que acompanham o trabalho do CASCADURA.
Acho que já explicamos aqui mesmo como veio a ideia de compartilhar o processo de partilharmos detalhes da formação desta obra. Não creio que seja necessário repetir. No entanto, é fundamental para mim dizer que foi ótimo estar expondo cada momento, cada lance dessa verdadeira aventura que foi (e é) realizar o Aleluia. Falar para as pessoas e ouvi-las. Rever conceitos a partir da experiência de troca ou confirmar convicções artísticas: foi um verdadeiro teste para mim e uma grande lição que guardo para daqui pra frente. Estar em contato direto com todos que vieram cá, ler e opinar, representou a abertura de uma nova janela para o CASCADURA nesse ambiente de tantas contradições e diversidade constante que é a internet. Sou realizado com isso!
Esse trajeto, que parece se encerrar por esses dias, poderá ser rememorado graças às postagens deixadas aqui. E tivemos que experimentar muita coisa para tentar achar uma fórmula certinha de comunicação. Mas existe fórmula? Não. Não existe, gente. À medida que íamos avançando no tempo, as possibilidades se apresentavam e íamos dando vazão aqui no blog, como acontecia também durante a pesquisa relacionada ao disco ou no estúdio, durante as gravações. A surpresa foi senhora de nossos dias. Nenhuma previsibilidade vingava.
Para chegarmos até as pessoas, a partir daqui, nos dispusemos a criar alternativas discursivas: textos, vídeos, fotos, ilustrações… Cada um ia colaborando do jeito que dava. Em especial, contávamos com o apoio de nossa parceira Paula Berbert, que se encarregava de organizar essa plataforma e o fez com maestria. A ela sou muito grato, pela maneira tão tranquila de lidar com todas as postagens. Ela se tornou um elo fundamental nesse processo.
Não quero fazer deste texto um momento de despedida. Isso faremos mais adiante, quando dermos mais alguns passos em direção a outro momento em nossa carreira. Nem mesmo é a hora de um balanço de toda caminhada em direção ao Aleluia. Aqui está somente uma reflexão, já que o disco, enfim, chegou e está disponível para quem quiser, motivando-nos a lembrar das coisas que foram feitas para que ele ganhasse existência.
Disse isso porque agora há pouco estava fuçando em umas gavetas e achei um material que foi sendo juntado num cantinho dela. São folhas de papéis rascunhadas, bilhetes, desenhos, CDs e DVDs contendo ideias que foram parar no novo disco. Isso me colocou sob uma perspectiva tão mais precisa do que foi estar envolvido nesse trabalho. Comparar a rudeza do que está nesse material seminal com o resultado final do Aleluia denota que foi um processo riquíssimo. O bruto é bem bacana, não fosse não teria sido levado ao estúdio para um processo de lapidação, mas o diante do resultado final fica evidente a sofisticação da elaboração constituída por todos nós. Eu, Thiago, andré t, Jô, Du Txai, Paula Berbert, Jorginho Falcão, Ricardo Ferro, cada artista convidado e parceiro… Um envolvimento total, sem reservas. Estivemos abertos às interferências e o retorno não poderia ser mais legal.
Há uns CDs com rascunhos de canções, registradas muitas vezes no instante em que uma ideia surgia. Ou ainda há uma sequência de gravações precárias, feitas a partir de um celular, onde se vê o desenrolar da criação da canção. Para mim, como compositor, esse material tem função de registro e de material didático também, já que ao escutá-lo novamente vou reaprendendo como é compor.
Tem uma gravação que mostra como surgiu a melodia de “Sonho de Garoto”, ainda bem esboçada. Estava esperando Ticiana sair de uma aula de dança e veio a linha marcante de uma melodia. Guardei-a no celular e a trouxe para casa, onde exercitei algumas novas partes e harmonia.
Também há uma sequência de cinco ou seis arquivos de áudio com a experiência relacionada a “Resumindo (Steviana)” e, escutando-a, pude lembrar bem do momento em que comecei a pensar na possibilidade dessa canção: primeiro o esboço do riff que acabou formando o refrão, depois esse mesmo riff, mais seguro de sua organização, daí uma nova gravação com uma versão melhor dele, quase como está no disco. Só então há uma outra gravação, com um salto, e o esqueleto da música aparece. Isso tudo aconteceu no espaço de dois dias. Começou num domingo: estávamos nos preparando para um almoço na casa de pessoas da família e eu, já pronto, esperava Tici terminar a meticulosa e sempre bem feita maquiagem que ela costuma usar (isso leva tempo, gente!). Passava alguma coisa de esportes na TV e eu estava com o violão na mão. Daí, entrei no lance de tocar um riff com uma métrica “quebrada”, uma divisão pouco comum (vinda de mim). A estranheza e o prazer com aquilo me motivaram a gravar rapidinho também ao celular, já que ligar o computador e preparar uma sessão no estúdio caseiro levaria algum tempo (e ela já estava terminando de passar o rímel). Gravei no aparelho celular e fomos embora.
Passei o almoço inteiro sem me concentrar em uma única frase que me era dita. Só pensava em voltar pra casa e continuar a música. Mas, depois do almoço, ainda visitamos amigos, fomos não lembro aonde, vimos um filme. Chegamos em casa e ainda tinha que cuidar de Bruce, “le terrible bouledogue” etc… Tici foi dormir e eu, enfim, voltei à canção… As gravações são bem precárias, mas mostram o que se desenrolou a partir daí. No dia seguinte, ainda mudava coisas de ligar dentro do rascunho que ia “melhorando”. Até que, plenamente insatisfeito, guardei tudo e resolvi esquece a ideia por uns tempos, o que foi ótimo.
É a visualização desse processo em retrospectiva que me emocionou, nessa semana que passou e em que o disco foi compartilhado na rede de computadores. Perceber a distância percorrida por meio das pegadas deixadas tem sido fantástico também. Espero um dia poder compartilhar dessa experiência com quem vem acompanhando isso aqui. Mas acho que a hora é de curtir o resultado final e ver o que vem pela frente, porque a vida do Aleluia está só começando, gente. Vamos adiante.
Para ouvir e fazer download do Aleluia, basta clicar na imagem, é de vocês:




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