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	<title>Banda Cascadura - A Ponte &#187; Arranjos</title>
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		<title>Os Reis Católicos</title>
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		<pubDate>Mon, 04 Apr 2011 19:22:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>fabiocascadura</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Há uns dias, escrevi um texto chamado “Os Reis Católicos”, falando da música que tem este título e que estará no repertório do Aleluia. Depois de escrito, numa madrugada de insônia, guardei-o. Cheguei a enviá-lo depois para ser postado aqui no A Ponte, mas, relendo, desgostei dele&#8230; Assim, confesso, abandonei a abordagem e retomei o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há uns dias, escrevi um texto chamado “Os Reis Católicos”, falando da música que tem este título e que estará no repertório do Aleluia. Depois de escrito, numa madrugada de insônia, guardei-o. Cheguei a enviá-lo depois para ser postado aqui no A Ponte, mas, relendo, desgostei dele&#8230; Assim, confesso, abandonei a abordagem e <strong>retomei o tema nesse texto que você lê agora</strong>. Vamos lá.</p>
<p><strong>OS REIS CATÓLICOS</strong><br />
<strong>É somente uma canção do amor romântico.</strong> Ambientada no momento de namoro entre duas figuras que tomei emprestada da história das Grandes Navegações: os Reis de Espanha, Isabel de Castela e Ferdinando de Aragão.</p>
<p>Foi esse casal que, em seu reinado, possibilitou a partida do navegador Cristovão Colombo em direção ao oeste, por via marítima, <strong>para tentar alcançar as Índias</strong>, numa corrida disputada com o rival Reino de Portugal. Essa corrida, Portugal venceria circunavegando a África (todo mundo aprendeu isso no ginásio). Mas a Espanha não ficaria por baixo e chegaria às Américas! (Que tem esse nome, e não Colômbia, por conta de um joguete do destino&#8230; “Procure saber&#8230;”)</p>
<p>Dispus-me a, através da liberdade poética, falar pela boca de um apaixonado Ferdinando <strong>(que não sei se o era. Casamentos dentro da monarquia serviam para formar laços políticos. Amor é coisa de livro&#8230;)</strong> das “novas” trazidas por mensageiros, que contavam que o “genovês ruivo” haveria chegado a um “jardim”, que era deles agora e do qual eles poderiam desfrutar “sem que lá tenhamos que por os pés”.</p>
<p>Mas quem vivia nesse pedaço de chão? Esse jardim? Era deserto? Não. Não era&#8230; E ainda precisaria de muitos braços para erguer o que fosse necessário&#8230; Bom&#8230; É uma canção de amor e, <strong>nas palavras do amante à amada, tudo são flores!</strong></p>
<p>Para gravar a base do seu arranjo, andré t concordou em elaborar uma formação básica e muito suave e, para completar, convidamos novamente nosso amigo Paulo Rios Filho, que já havia magistralmente elaborado o arranjo para uma pequena orquestra em <a href="http://bandacascadura.com/a-ponte/estudio/a-verdadeira/" target="_blank">“A Verdadeira”</a>. <strong>A ideia era que ele nos trouxesse a trompa, instrumento sinfônico identificado com o clima monárquico, antigo, medieval&#8230;</strong> Sua abordagem nos surpreendeu novamente. Ele entendeu a temática e fez aquele som, nos transportando para a justa paisagem onde haver-se-ia  acontecido essa imaginária “corte” de D. Ferdinando à sua Isabel&#8230;</p>
<p>Resta-nos mostrar um pouco disso aqui:</p>
<p><iframe title="YouTube video player" width="580" height="356" src="http://www.youtube.com/embed/1-PWoid0PII" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
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		<title>A Verdadeira (está em todo lugar)</title>
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		<pubDate>Sun, 20 Mar 2011 22:18:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>fabiocascadura</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Quando postei o texto “A Mulher de Roxo”, pedi que me cobrassem um post sobre “A Verdadeira”. Cobrança feita, eis que venho cumprir a promessa&#8230; Mas exatamente o quê uma coisa tem a ver com a outra?
Nessa história de tratar da Cidade do Salvador no disco Aleluia, confrontando seus contrastes, suas disparidades, emergiram duas canções: [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando postei o texto <a href="http://bandacascadura.com/a-ponte/historias/a-mulher-de-roxo/" target="_blank">“A Mulher de Roxo”</a>, pedi que me cobrassem um post sobre “A Verdadeira”. <strong>Cobrança feita, eis que venho cumprir a promessa&#8230;</strong> Mas exatamente o quê uma coisa tem a ver com a outra?</p>
<p>Nessa história de tratar da Cidade do Salvador no disco Aleluia, <strong>confrontando seus contrastes, suas disparidades</strong>, emergiram duas canções: “A Mulher de Roxo”, que, pelos motivos que expliquei no <a href="http://bandacascadura.com/a-ponte/historias/a-mulher-de-roxo/" target="_blank">post específico</a>, fala da repressão ao feminino, e “A Verdadeira”, que explicarei agora.</p>
<p>Há uma música muito famosa, que ganhou notoriedade na voz de <a href="http://joaogilberto.org/" target="_blank">João Gilberto</a>: <a href="http://www.youtube.com/watch?v=WdN9c1_4yps" target="_blank"><strong>“Falsa Baiana”</strong></a>. Essa canção, curiosamente, não foi escrita pelo “pai da bossa nova”, e sim por um compositor chamado <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Geraldo_Pereira" target="_blank">Geraldo Pereira</a>.</p>
<p>Geraldo era um motorista de caminhão de coleta de lixo que viveu por entre a boemia carioca nos anos 1930 e 40. Morador da região do Morro da Mangueira, amigo do ilustre Cartola, participou ativamente da construção do que ficou conhecido como samba sincopado, apontado como um dos alicerces da própria bossa nova dos anos 50. Geraldo teve um punhado de sambas seus conhecidos: <a href="http://www.youtube.com/watch?v=2eOpqjyjX6I" target="_blank">“Acertei no Milhar”</a>, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=lPdaT2DmrD4" target="_blank">“Bolinha de Papel”</a> e <a href="http://letras.terra.com.br/geraldo-pereira/415459/" target="_blank">“Ministério da Economia”</a> (em que exaltava as medidas trabalhistas/populistas do Governo Vargas). Porém, sua música mais conhecida é mesmo “Falsa Baiana”, onde descreve a <strong>discrepância de atitude entra a “falsa” e a “verdadeira” baianas diante de uma roda de samba</strong>.</p>
<p>Tão categórica é a sua explanação que tais características acabaram sendo absorvidas pelo folclore da “Terra de São Salvador”: “Baiana é aquela que entra no samba de qualquer maneira/ Que mexe, remexe, dá nó nas cadeiras/ Deixando a moçada com água na boca&#8230;”. Apesar desse sucesso todo, Geraldo morreu pobre e de forma trágica: morto numa briga de bar, supostamente pela faca do legendário Madame Satã. Mas sua obra contribuiu muito com o que se chama de samba hoje em dia e, em especial, <strong>“Falsa Baiana” entrou para o imaginário do que é a “típica soteropolitana”</strong>. O detalhe: ele era mineiro.</p>
<p>Ouvindo esse samba famoso, na voz de João Gilberto, pensei: <strong>essa baiana realmente existiu? Se sim, será que ainda está aqui, hoje?!</strong> Generalizar é uma merda&#8230;</p>
<p>Em “Falsa Baiana”, o foco central é aquela que <em>não mexe as cadeiras</em> e que <em>não deixa a moçada com água na boca</em> em contraponto à que <em>vira os olhinhos e diz: ‘Eu sou filha de São Salvador!’</em> enquanto samba&#8230; Se é assim, então, <strong>a “verdadeira baiana” nada mais é do que a hoje identificada como PIRIGUETE!</strong> Acompanhou o meu raciocínio, Geraldo?!</p>
<p>A piriguete não totaliza todas as baianas, mas está presente no cotidiano da cidade. A despeito do estereótipo sobre o qual o termo foi gerado, quando era representado pela moça de origem pobre, suburbana, usando trajes mínimos e de cabelos sempre molhados (fruto do uso de cremes específicos para esse fim e de baixo custo, como o famoso Kolene), <strong>ela está hoje em todos os lugares</strong>: nas ruas do centro, nos shopping centers, nas praias, nos salões de beleza, nos mercados (populares ou nem tanto), atrás dos balcões, nas recepções dos consultórios e não se enganem: estão nos consultórios, nos anúncios na TV, canteiros de obras, agências publicitárias, tribunais, fóruns, no Carnaval (em cima e embaixo dos trios elétricos), sobre os palcos&#8230; Elas estão em todos os lugares, são de todas as origens, com todos os tons de pele, já aderiram à chapinha e tudo mais&#8230;</p>
<p>Vulgares? Outrora chamadas de “ninjas” (gíria muito popular em Salvador entre o final dos anos 1990 e começo dos 2000), as piriguetes reafirmam a independência feminina, a voluntariedade no fazer o que se quer, sem pensar em consequências ou opiniões alheias&#8230; <strong>A piriguete é o “agente antirepressivo” da mulher.</strong> Em geral tratado com humor, piriguete acabou por se tornar um termo depreciativo. Ok&#8230; Mas não há como negar: as piriguetes estão em todo lugar.</p>
<p>Assim, para contrapor a repressão ao feminino, tão frugal na Cidade da Bahia, que eclode em “A Mulher de Roxo”, escrevi “A Verdadeira”. <strong>Se a “Falsa Baiana” não entra na roda, “A Verdadeira” vai!</strong> “A Verdadeira”, porque a “Falsa Baiana” o mineirinho Geraldo Azevedo já havia escrito.</p>
<p>A letra diz:</p>
<p><strong>A Verdadeira</strong><br />
<em>Revira os olhinhos, deixa colar<br />
Já foi Rosa de Ouro, hoje é estrela vulgar<br />
Jeito de corpo, ela vai até o chão<br />
Já foi coisa de louco – hoje, chamam, ela vai</em></p>
<p><em>Ali onde a roda é som e fúria (e solidão é reza)<br />
Aqui onde as ondas avançam o mar<br />
Ai de quem não andou no escuro<br />
Ai de quem seja seu par</em></p>
<p><em>É verdadeira até não poder mais<br />
Veio dessa maneira e não pode mudar<br />
Chega na hora e só sai no final<br />
Ela é dessas mulheres que só dizem “Mais!”</em></p>
<p><em>Ali onde a roda é som e fúria (e solidão é reza)<br />
Aqui onde as ondas avançam o mar<br />
Ai de quem não andou sozinho<br />
Ai de quem seja seu par</em></p>
<p><em>Coração!<br />
Coração!</em></p>
<p><strong>Veio como uma valsinha, em ¾ (lógico, Cascadura!).</strong> Pensei que nada de samba haveria nela: seria o óbvio fazer isso! E quisemos posicioná-la mais como modinha romântica que qualquer outra coisa. Um argumento que nos remetesse a Machado de Assis, José de Alencar, Brasil do século XIX (lembremos que os movimentos literários/artísticos vindos da Europa chegavam aqui para ser propagados com muito mais tempo de atraso que hoje&#8230; Mas, ainda hoje, sofremos dessa influência&#8230; <em>C’est la mondialisation!</em>). E pensamos no nome do nosso amigo, compositor, arranjador Paulo Rios Filho.</p>
<p><strong>Paulo Rios é formado em composição pela Escola de Música da UFBA. </strong>Destaca-se por uma profusa produção, marcada por intercâmbio com criadores de outros continentes como Europa e África. Membro do grupo <a href="http://www.ocaocaoca.com/" target="_blank">OCA (Oficina de Composição Agora)</a>, que realiza um interessante e instigante trabalho de repensar e renovar as abordagens dentro da composição para Música de Concerto e Orquestra (como eles, humildemente, preferem chamar o que muitos se referem como “Música Erudita”&#8230;). O Grupo OCA é um caso à parte nesse extenso panorama criativo da Bahia (e submerso pela “grande mídia”) que recomendo: procurem conhecer. Ainda neste semestre, estarão lançando uma série de concertos gratuitos no Teatro Vila Velha, aqui mesmo em Salvador. Informem-se!</p>
<p>Num papo, expus um esboço da canção a Paulinho. Expliquei-lhe tudo isso que abordei acima. Discorri sobre a falsa e a verdadeira, o contraponto entre as duas e a oposição que essa música significaria diante de “A Mulher de Roxo”: ele entendeu! Sugeriu um arranjo baseado em uma orquestrinha de câmara, com ênfase em instrumentos do grupo de (sopro) madeiras: oboé, fagote, clarineta&#8230; <strong>Fiquei exultante e curioso.</strong></p>
<p>Ele elaborou o arranjo baseado em uma demo caseira que fiz com a voz e sampler de trechos instrumentais (dos Beatles, inclusive, especificamente a canção <a href="http://www.youtube.com/watch?v=vCiG7xoEb2Y" target="_blank">“Being for the Benefit of Mr. Kite!”</a>, do disco Sgt. Peppers), e de uma outra que fizemos apenas com voz e violão no estúdio t, gravada por sugestão de andré t.</p>
<p>Algumas semanas passadas e ele nos traz sua abordagem para o tema&#8230; Ali, Paulo Rios Filho brindou-nos com sua grande inteligência musical, sua sensibilidade apurada e sua cultura. <strong>O arranjo primoroso abordava um clima romântico, como queríamos, mas com um algo mais.</strong> Por vezes o fagote, instrumento tão lindo, profundamente grave e solene, brincava com os “pi ri rim pom pom” dos arrochas e pagodes da vida!</p>
<p>Num lance de muita beleza, oboé, flauta transversa, violino e clarineta passeiam lado a lado, fugindo uns dos outros por vezes, agrupando-se num instante de comunhão&#8230; <strong>Eita, que ficou bonito!</strong> Deixamos um pouco disso para que você veja e escute por si mesmo o que foi essa sessão&#8230;</p>
<p><iframe title="YouTube video player" width="640" height="390" src="http://www.youtube.com/embed/8EEECzt8DUs" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p>Diana Bakardjieva (Oboé)<br />
Cláudia Sales (Fagote)<br />
Flávio Hamaoka (Flauta)<br />
Pedro Robatto (Clarinete)<br />
Mário Britto (Violino)</p>
<p>Ao final, ficamos todos muito satisfeitos.<br />
Acreditamos que, mesmo antes da gravação das vozes, ainda há o que ser feito. <strong>E vamos fazê-lo! </strong>Ainda não sabemos o quê&#8230;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>1, 2, 3&#8230; Rumpilezz no Aleluia!</title>
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		<pubDate>Mon, 14 Mar 2011 03:09:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>fabiocascadura</dc:creator>
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		<description><![CDATA[No texto “Um instante, Maestro”, postado aqui em A Ponte há algum tempo, falei do convite que fizemos ao maestro Letieres Leite para escrever o arranjo de uma das canções do Aleluia. Na ocasião, aconteceu uma visita dele ao estúdio t para escutar o que tínhamos do disco, absorver a atmosfera que estamos criando e, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No texto <a href="http://bandacascadura.com/a-ponte/estudio/um-instante-maestro/" target="_blank">“Um instante, Maestro”</a>, postado aqui em A Ponte há algum tempo, falei do <strong>convite que fizemos ao maestro Letieres Leite para escrever o arranjo de uma das canções do Aleluia</strong>. Na ocasião, aconteceu uma visita dele ao estúdio t para escutar o que tínhamos do disco, absorver a atmosfera que estamos criando e, principalmente, conhecer a composição que escrevi pensando justamente em ter a sua <a href="http://www.rumpilezz.com/" target="_blank">Orkestra Rumpilezz</a> como convidada.</p>
<p>Foi muito bom perceber que ele entendeu e curtiu nossa intenção. Antes dele, somente os membros envolvidos diretamente na construção desse projeto e um grande amigo haviam escutado uma demo caseira que gravei com a “intenção” da música em questão. Aliás, esse grande amigo, o guitarrista e compositor Graco Vieira (membro fundador da banda Scambo, ex-guitarrista do Inkoma e parceiro de Thiago Trad no projeto carnavalesco Bailinho de Quinta), foi um grande incentivador dessa ação. Quando escutou a demo aqui em minha casa, de primeira, falou: <strong>“Isso me remete a duas fontes: White Stripes e Rumpilezz!”</strong>.</p>
<p>Fiquei feliz e intrigado com o que ele disse. Primeiro, porque ele falou de duas coisas que eu realmente curto ouvir e, depois, pelo fato de que, <strong>talvez, inconscientemente, eu tenha direcionado a composição para isso mesmo</strong>&#8230; E o disco todo!</p>
<p>Combinar influências díspares tem sido um exercício dentro da realidade do Aleluia. O novo, o antigo, o tradicional e o inovador. O local e o gringo&#8230; O disco tem seguido assim, sem forçar a barra e <strong>“sem querer reinventar a roda”</strong>, como costuma dizer Thiagão.</p>
<p>Pois então: Letieres sugeriu que o arranjo fosse executado por oito músicos de sua orquestra, sendo que um deles já tinha vindo participar em outras faixas (e já teve <a href="http://bandacascadura.com/a-ponte/estudio/um-mestre-entre-nos/" target="_blank">um post dedicado inteiramente a ele aqui no blog</a>): o indispensável mestre dos atabaques do candomblé Gabi Guedes! O maestro Letieres trouxe partituras para um set maravilhoso de sopros. <strong>No mínimo inusitado.</strong> E convidou alguns dos seus melhores músicos para executar esse arranjo durante a sessão que marcamos.</p>
<p>Devido à agenda concorridíssima dele, tivemos que esperar algumas semanas. Mas a espera valeu demais a pena. <strong>Letieres foi muito sensível em nossa proposta estética.</strong> Usou a base daquela demo que falei, mantendo alguns pontos que caracterizam a composição e subvertendo outros para sua forma de perceber harmonia e ritmo.</p>
<p>Para escrever essa música, que chamo de “To your head” (tradução: “Para sua cabeça”), <strong>usei como lastro de condução rítmica um trecho de um toque cerimonial do candomblé</strong>. Veja bem: andré t, em uma de suas muitas pesquisas, havia registrado em um terreiro desse culto afrobrasileiro um número de toques litúrgicos cujas apresentação “aos de fora” e gravação são permitidas (sendo uma religião pautada em preceitos misteriosos, nem sempre o que há no seio do culto pode ser livremente mostrado).</p>
<p>Essa gravação parece ter sido feita há mais de 15 anos e ele a guardou para alguma utilização futura. andré fez e faz essas pesquisas para <strong>enriquecer seu arsenal de timbres, texturas, ritmos e composições melódicas</strong>. O faz como exercício artístico e cerca-se sempre dos cuidados requeridos por cada experiência. Conheço uma outra pesquisa sua que diz respeito a gravação de sons de equipamentos industriais (molas, bigornas, chapas de diversas ligas metálicas, caixas de pregos e assim por diante), mas a essa não tive acesso.</p>
<p>Criterioso, em sua pesquisa, andré solicitou ao alabê (músico responsável pela execução dos toques nas cerimônias do candomblé) que liderava o “naipe” de percussão no instante em que ele gravava que, antes de cada toque apresentado, pronunciasse o nome deste e, se possível, para qual finalidade ou orixá ele costuma ser apresentado. Daí, era mostrada a célula rítmica do gã (agogô), depois a célula concernente aos dois tambores menores (rumpí e lé) e, finalmente, toda a “orquestra” tocando junta (com a adição do tambor maior, geralmente sob a execução do mestre: o rum). Dessa experiência, extraiu <strong>um registro extraordinário de parte do coloridíssimo universo rítmico dos cultos afrodescendentes</strong>: fidedigno e claro!</p>
<p>Ouvindo essa coleção, me deparei com células que, depois, de alguma forma que <strong>cabe à historiografia musical contar</strong>, se desdobrariam para o jazz, o blues, o samba, o rhythm’n’blues, o funk, a soul music, o bolero, o tango, o rock e obviamente toda gama rítmica que povoa a música feita na Bahia. E foi em cima de um trecho de um toque que a voz na gravação denominava como “ibí” (segundo ela mesma, toque cerimonial em honra de Oxalá) que desenvolvi o esboço de “To your head”.</p>
<p><strong>Mas por que em inglês? Não sei exatamente!</strong> Eu cantarolei uma melodia a partir de partes de samplers que fiz de algumas gravações de pop, jazz e música de teatro de revista (se é que posso denominar assim). Construí uma trilha de sons, bem a “grosso modo”, sobre a qual poderia cantar. E me veio à boca alguns fonemas em inglês (isso costuma me ocorrer quando estou cantando, depois me viro para conjugar o som daquelas palavras, que textualmente entre si não fazem qualquer sentido, para o português e ainda, contar uma história plausível. Um exemplo dessa prática é a música “Não posso julgar ninguém”, dentre outras da obra do CASCADURA). Fui ouvindo e deixando aqueles sílabas ali. Quando percebi os versos, para meu espanto, combinavam-se entre si e resolvi que essa seria minha primeira composição no idioma da velha ilha da Bretanha, e assim vai ficando&#8230;</p>
<p>Tudo isso é para situar o que veio com a chegada do sensacional (ao menos para nós) arranjo do maestro Letieres. Numa segunda-feira pela tarde, nos encontramos no estúdio t. <strong>Estávamos todos lá</strong>: andré t, Thiago Trad, Jô Estrada&#8230; A equipe de sempre por trás do Aleluia. Logo chegaram Letieres e alguns dos músicos que havia convidado. Fazia um calor absurdo.</p>
<p><a href="http://bandacascadura.com/a-ponte/wp-content/uploads/2011/03/SangRump-033.jpg" rel="lightbox[561]"><img class="size-medium wp-image-573 alignleft" title="Letieres Leite no Aleluia" src="http://bandacascadura.com/a-ponte/wp-content/uploads/2011/03/SangRump-033-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a> Para começar, o maestro convidou que sentassem os músicos dedicados à região do graves, os que leem a pauta sob a chave de fá: Adaílson Rodrigues no trombone baixo, Gilmar Santos na tuba, e sax barítono a cargo do sensacional Junior Maceió. <strong>Eles construíram o que serve de linha condutora na parte harmônica da música: um riff de sopros graves.</strong></p>
<p>Sob a regência de Letieres e experientes como são, deram conta de tudo em poucos minutos. <strong>A interferência de andré t, sempre oportuna e certeira, também deu fluidez a todo o processo.</strong> Ele é experimentado na arte da microfonação, sabe o que quer atingir quando expõe esse ou aquele elemento. Pode parecer supérfluo, mas ele sabe, como poucos, mostrar o porquê da distância desse microfone para aquele instrumento. Sabe como poucos o quer, do equipamento e do músico.</p>
<p>A simbiose gerada entre Letieres (o maestro) e andré t (o produtor musical) é um caso à parte e merecia um texto único para tratar do tema&#8230; O diálogo encontrou viés para se desenvolver e <strong>a música foi surgindo, mansa e vigorosamente</strong>.</p>
<p>Terminada essa parte, Letieres sugeriu que outra sessão dos sopros fosse gravada imediatamente: <strong>“Não vamos perder essa energia que ainda está pairando na sala!”</strong>, disse. Assumiram seus postos os músicos encarregados do set de sopros das regiões mais acima dos anteriores (na clave de sol): sax tenor, que foi executado por Kiko Souza (amigo que conheci por meio do exímio baixista e também amigo Ivan Oliveira, ex-CASCADURA), trombone e trompete. Além dele, gravaram esse take: Marcílio Santana (trompete), João Teoria (trompete) e, novamente, Gilmar Santos (trombone), Júnior Maceió (dessa vez no sax alto) e Adaílson Rodrigues (trombone).</p>
<p>As partes dialogaram também. O set grave ditava o riff, o grupo seguinte, então, respondia em <strong>texturizações inteligentemente intricadas pelo autor da partitura</strong>. Ficou uma joia!</p>
<p>Foram mais repetições. Havia nessa parte alguns pormenores a serem posicionados, devidamente colocados: dinâmica, ataque e duração de notas. <strong>Tudo isso, Letieres dá conta aos músicos com um gesto das mãos, enquanto eles executam.</strong> Por vezes para e pede que repitam. Pede: “andré, retorne ao ponto ‘tal’ para que essa linha seja refeita&#8230;”. andré prontamente o atendia. E sugeria também: “Mais forte, Maestro? Pode ser?”.</p>
<p><a href="http://bandacascadura.com/a-ponte/wp-content/uploads/2011/03/SangRump-012.jpg" rel="lightbox[561]"><img class="size-medium wp-image-574 alignright" title="andré t e músicos em ação" src="http://bandacascadura.com/a-ponte/wp-content/uploads/2011/03/SangRump-012-225x300.jpg" alt="" width="225" height="300" /></a> Houve um momento em que, no meio do naipe de sax tenor/trombone/trompete, os músicos queriam ouvir determinado detalhe de um glissando (expressão originada da língua italiana utilizada na terminologia da música, que denomina uma passagem suave de uma altura a outra na escala) feito pelo trombone durante a sua execução. andré se dirigiu a Letieres: “Maestro, teremos algum ‘fortíssimo’ por parte do trombone nesse pedaço? É que a extensão do trompete é muito ampla&#8230;”. Com a negativa sobre a presença do “fortíssimo”, ele girou o botão de um dos seus compressores, com aquela volúpia que tínhamos com os antigos seletores de canal das TVs antigas, para numa volta chegarmos a determinado programa em outra emissora, e o som do trompete surgiu “gordo”! <strong>Todos içaram mais confortáveis.</strong></p>
<p>A dinâmica estabelecida nessa gravação foi outro show à parte. A beleza de uma orquestra de sopro, aliás, está justamente aí: os músicos tocam juntos, como um corpo só, insinuando-se a cada movimento, crescendo e amainando a execução de acordo com a intenção proposta pelo autor/arranjador. <strong>E por falar em autor: me fiz de espectador. Nada falei&#8230;</strong></p>
<p>A sessão foi concluída em seis horas e, para finalizá-la, mais alguns detalhes de trompetes e flauta. <strong>Todos estavam felizes com o resultado atingido.</strong> Mais um tempo de conversa em torno de uma pizza providenciada por nosso Jorginho Falcão, que cuida com zelo da parte funcional de todo processo da gravação do Aleluia: nosso assistente de produção! Combinamos que não demoraríamos para seguir com a gravação da sessão rítmica: seria dali a dois dias, numa quarta-feira.</p>
<p>Nesse dia, Salvador amanheceu sob forte temporal: uma chuva calamitosa despencava sobre a cidade. Havíamos marcado para chegar às dez da manhã. Como Jorginho teria que dar apoio aos dois percussionistas chamados por Letieres para realizar a gravação, eu não teria carona. <strong>Assim, deveria me virar para chegar ao estúdio no horário.</strong> Depois de esperar a chuva diminuir (porque passar, ela não passaria tão cedo), fui até o ponto e peguei o ônibus. São cinco minutos nessa condução até o estúdio, tempo suficiente para a chuva, que já estava bem fininha, tornar a ser um dilúvio. Desci próximo à rua onde fica o estúdio t, mas tão eficiente era o temporal que, depois de dois passos na direção que deveria seguir, retrocedi, atravessei a rua e me abriguei sob a marquise de uma lojinha. Me abriguei, mas já estava totalmente encharcado&#8230;</p>
<p>Foram 25 minutos contando os pingos que caíam no chão&#8230; “A chuva veio forte&#8230; Não para agora, não&#8230;”, comentou um senhor que saía da loja com um cigarro em uma mão e uma cerveja em outra (numa quarta-feira, 10h30 da manhã!&#8230;). Quando já pensava em enfrentar o temporal, ele decide por acalmar-se. Vejo chegar pela calçada Mark Mesquita, que trabalha como assistente do estúdio de andré e é baterista de uma das bandas mais legais de Salvador: <a href="http://www.myspace.com/osirmaosdabailarina" target="_blank">Os Irmãos da Bailarina</a>. <strong>“Vou pegar a sua carona!”, gritei para ele, que vinha a pé</strong>; “Então, vamo logo, que a chuva vai ca&#8230;”, ele respondia quando o aguaceiro tornou a carga&#8230; Já era tarde para retroceder. Seguimos correndo – eu, tentando correr, dentro da minha alpercata de couro, molhada e escorregadia, literalmente todo molhado.</p>
<p>Chego à porta do estúdio e encontro um andré t igualmente ensopado, irritado com operários da obra do edifício ao lado que, justo naquela manhã, haviam decidido instalar alguns andares de andaimes bem na frente de sua garagem, inviabilizando a entrada de qualquer veículo&#8230; Sob seu olhar feroz, dois funcionários da obra desmontavam em regime “operação tartaruga” a armação metálica. Nisso, já estavam lá Letieres Leite e Jô Estrada: “Jô, o professor <strong>(como carinhosamente chamamos andré t)</strong> tá ensopado, nesse ar condicionado polar dele, vai acabar ficando gripado e eu também. Vamos lá em casa pegar umas toalhas, umas camisetas e nos recompor&#8230;” – falei. De um só movimento, Jô Estrada se levantou e foi até o carro, o segui e fomos buscar com o que nos secar.</p>
<p>Seguimos pela Avenida Cardeal da Silva, Federação, inundada, com cerca de 50 centímetros de água. Carros parando, uns com motores comprometidos, outros por haverem inadvertidamente caído em buracos. E nada da chuva quietar&#8230; Depois do trajeto feito, dos apetrechos para secagem resgatados e de eu ter trocado a roupa toda, voltamos pelo mesmo caminho, e já sem chuva&#8230; A rua estava sem água, mas repleta de novos buracos e velhos bem mais alargados e aprofundados. “Que asfalto ‘mingau’ é esse, mermão?!”&#8230; Aos poucos as nuvens que nos assombravam foram se dispersando. “<strong>Quer ver? Vai estar todo mundo ‘foguetado’ nessa gravação, exceto mestre Gabi Guedes&#8230;</strong> Conhece Gabi Guedes, Jô?!”, perguntei. “Só de nome. De vocês falarem&#8230; Nunca encontrei com ele, não&#8230;”, Jô respondeu. “Pode crer&#8230; O cara tem um astral, uma calma que chega no lugar e contamina&#8230; Hoje você vai ver”.</p>
<p>Descemos do carro secos, porém ainda no esquema correria. Chegando ao estúdio, achamos um andré t a toda, no trabalho, microfonando isso, comprimindo aquilo&#8230; Lá na sala de gravação, Gabi posicionando seus tambores. Ofereci toalha e camiseta enxuta a andré, e ele nem viu ou ouviu, concentrado que já estava. Passados uns minutos, o próprio Guedes veio nos cumprimentar, com seu sorriso e sua gentileza. Logo chegou Jorginho na companhia de outro percussionista: Kainã. Deve ter uns 18 anos, no máximo. Mas é dono da mesma tranquilidade do outro alabê e, de certa forma, apesar da pouca idade, de parte de sua <strong>elegância no tocar e portar-se</strong>. Vai ver o treinamento inclui esse tipo de etiqueta. Brincadeira: é de berço mesmo.</p>
<p>Eles se puseram na sala de gravação e começaram a tocar orientados pelo Maestro Letieres e andré t. Nesse instante, para que corresse tudo bem, aproveitei a estiagem para ir com Jorginho cuidar de alguns detalhes burocráticos referentes à gravação. Quando retornamos, cerca de meia hora depois, as partes estavam praticamente prontas. <strong>Num piscar de olhos, a turma revelou-se dentro da canção</strong> e estava toda a contribuição ali, diante de nós.</p>
<p>Pedi a Letieres que fosse dada ênfase a um pequenino detalhe estilístico, já que não se tratava da gravação de algo sacro, mas baseado nisso. Não era e nem é um toque de candomblé, mas um ritmo extraído de um dos toques que sustenta a canção. Ele me atendeu e os dois “ases dos tambores” ainda gravaram o detalhe tocando darbuka (tambores tunisianos) com agdavi (baquetas para atabaque). <strong>Foi o link de todo o jazz de Letieres com o pop possível do CASCADURA.</strong></p>
<p>Saímos do estúdio e batemos um papo rápido enquanto Marcelo Zimmermann, incubido da captura das imagens do que vem acontecendo nas gravações do Aleluia, colhia impressões em vídeo dos que estavam ali, sobre o que presenciaram. Fazia nessa hora o mesmo calor da segunda-feira passada, quando gravamos os sopros. Todos do lado de fora conversávamos sobre o temporal: chuva, relâmpago, “hoje é quarta-feira, não se esqueça&#8230;”, lama, “muita água nas ruas e as ruas com buracos&#8230;”, caos&#8230; Caos! Até que Gabi Guedes sai da sala e, num silêncio oportunamente feito por todos, pronuncia: <strong>“Mas o céu se abriu, ó&#8230;”</strong></p>
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		<title>Um instante, Maestro!</title>
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		<pubDate>Thu, 21 Oct 2010 15:40:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>fabiocascadura</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Nos encontramos no estúdio t: eu, andré t, Thiago Trad, Jô Estrada e o maestro Letieres Leite. Ainda que muito tenha se falado dele nos últimos meses, vamos contar um pouco sobre de quem se trata: Letieres Leite é um saxofonista experimentado, já estudou na Europa e lá também trabalhou como arranjador, professor e músico.
Recentemente, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nos encontramos no estúdio t: <strong>eu, andré t, Thiago Trad, Jô Estrada e o maestro Letieres Leite</strong>. Ainda que muito tenha se falado dele nos últimos meses, vamos contar um pouco sobre de quem se trata: Letieres Leite é um saxofonista experimentado, já estudou na Europa e lá também trabalhou como arranjador, professor e músico.</p>
<div id="attachment_291" class="wp-caption aligncenter" style="width: 583px"><a href="http://bandacascadura.com/a-ponte/wp-content/uploads/2010/10/DSCN5660.jpg" rel="lightbox[289]"><img class="size-full wp-image-291  " title="Letieres Leite, Thiago Trad e Fábio Cascadura" src="http://bandacascadura.com/a-ponte/wp-content/uploads/2010/10/DSCN5660.jpg" alt="Letieres Leite, Thiago Trad e Fábio Cascadura" width="573" height="430" /></a><p class="wp-caption-text">Letieres Leite, Thiago Trad e Fábio Cascadura</p></div>
<p>Recentemente, alcançou notoriedade como o idealizador do projeto <a href="http://www.rumpilezz.com" target="_blank">Orkestra Rumpilezz</a>, trabalho onde reconduz o jazz às estruturas rítmicas do candomblé, de onde originalmente o primeiro veio. Com esse trabalho, tem conquistado reconhecimento de crítica e público, além de prêmios relevantes, como o <a href="http://www.premiodemusica.com.br" target="_blank">Prêmio de Música Brasileira</a> (um dos quatro já conquistados nesse ano de 2010, pelo lançamento do álbum de estreia: “Letieres Leite &amp; Orkestra Rumpilezz”. Ainda esse mês, concorre ao <a href="http://bravonline.abril.com.br/premio-bravo" target="_blank">Prêmio Bravo</a>). Além disso, ele é membro da banda da cantora <a href="http://www.ivetesangalo.com.br" target="_blank">Ivete Sangalo</a>.</p>
<p>Ano passado, ele participou da gravação da faixa <a href="http://www.youtube.com/watch?v=RB2ZyZnHY1c" target="_blank">“Maldito Mambo”</a>, do disco “Chá Chá Chá”, dos nossos amigos <a href="http://www.retrofoguetes.com.br" target="_blank">Retrofoguetes</a>. Essa associação gerou uma verdadeira obra de arte. “Maldito Mambo”, de cara, conquistou o IV Festival Educadora FM de Música, na categoria Melhor Arranjo, e com todos os méritos.</p>
<p><object width="570" height="452"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/JChyPTEpOX4?fs=1&amp;hl=pt_BR"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/JChyPTEpOX4?fs=1&amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="570" height="452"></embed></object></p>
<p>Poucas semanas depois da premiação, encontrei-o na porta da Boomerangue (casa de shows do Rio Vermelho, recentemente fechada), era um show dos Retrofoguetes. Dei-lhe os parabéns pela conquista do prêmio e mais ainda pelo resultado atingido naquele mambo. Ele efusivamente agradeceu e disse: “Vocês estão na minha ‘lista negra’!”. Ou seja, éramos os próximos&#8230;</p>
<p>O trabalho da Rumpilezz me pegou em cheio, como o fez com a maioria das pessoas que conheço, interessadas em boa música. As texturas dos sopros, metais e palhetas, inseridos na flutuação rítmica dos toques cerimoniais do candomblé, afirmavam o óbvio de uma forma completamente nova, para nós brasileiros e para o resto do mundo. Assim como “Frascos, Comprimidos e Compressas”, de <a href="http://roneijorgeeosladroesdebicicleta.com" target="_blank">Ronei Jorge e Os Ladrões de Bicicleta</a>; “Maçalê”, de <a href="http://www.tigana.com.br" target="_blank">Tiganá Santana</a>; além do já citado “Chá Chá Chá”, dos Retrofoguetes, “Letieres Leite &amp; Orkestra Rumpilezz” é um disco que muito inspira a concepção e o desenrolar desse “Aleluia”, que ora estamos construindo. É um verdadeiro desenrolar de um novelo.</p>
<p>Sabendo do desejo do maestro Letieres em trabalhar dentro da nossa realidade e realmente enamorado do conceito da Rumpilezz, estudando os arquétipos da cultura afro-brasileira, manifestados como orixás/voduns/iquices, debrucei-me sobre uma composição baseada em um dos toques litúrgicos do culto afro. Ela, na verdade, faz parte de um bloco de canções, que foram desenvolvidas a partir do mesmo sistema de audição de determinado toque, observação de seu uso no processo cerimonial (dança, arquétipo, movimento, elemento natural ao qual é associado etc.) e aplicação dentro do conceito ao qual o “Aleluia” está atrelado. Tudo está muito ligado. Ao menos para mim, tudo faz muito sentido. Saberei o quanto funcionará e se todo o esforço valeu a pena quando vocês as escutarem&#8230;</p>
<p>Foi para mostrar essa composição ao maestro que nos reunimos. Ele chegou acompanhado de seu filho, Lucas, com 14 anos e já introduzido no mundo da música. Escutamos meia dúzia das bases que já temos, para que ele tivesse uma percepção da nossa pretensão com o disco que estamos a fazer. Ele parece ter aprovado o que lhe mostramos.</p>
<p>Daí, o apresentamos à canção a ele destinada para arranjar. Letieres sacou tudo de chofre quais as emoções a serem provocadas. Traduziu-nos inclusive alguns pontos que não havíamos percebidos. Entendidos, estabelecemos prazos e ficamos de nos reencontrar para mais uma rodada de ideias e histórias.</p>
<p>Inteligente e culto, Letieres interpretou todas as intenções estrategicamente dispostas na canção, que será a primeira experiência do CASCADURA em outra língua que não o português, justamente porque a palavra será mero acessório para o entendimento do que nela estará contido, mas esse é outro assunto&#8230; Será uma grande aventura artística trafegar nesse terreno ao lado desse cara.</p>
<div id="attachment_292" class="wp-caption aligncenter" style="width: 563px"><a href="http://bandacascadura.com/a-ponte/wp-content/uploads/2010/10/DSCN5664.jpg" rel="lightbox[289]"><img class="size-full wp-image-292  " title="Thiago Trad, Letieres Leite, Fábio Cascadura, Jô Estrada e andré t" src="http://bandacascadura.com/a-ponte/wp-content/uploads/2010/10/DSCN5664.jpg" alt="Thiago Trad, Letieres Leite, Fábio Cascadura, Jô Estrada e andré t" width="553" height="415" /></a><p class="wp-caption-text">Thiago Trad, Letieres Leite, Fábio Cascadura, Jô Estrada e andré t</p></div>
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		<title>Colombo (vídeo)</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Aug 2010 18:02:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>fabiocascadura</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
Vídeo com desenvolvimento parcial do arranjo para a canção &#8220;Colombo&#8221; (Fábio Cascadura).
Thiago Trad (percussão), Jô Estrada (guitarra) e andré (direção de estúdio).
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			<content:encoded><![CDATA[<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="480" height="385" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/X4amyERwC7A&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="480" height="385" src="http://www.youtube.com/v/X4amyERwC7A&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>Vídeo com desenvolvimento parcial do arranjo para a canção &#8220;Colombo&#8221; (Fábio Cascadura).<br />
Thiago Trad (percussão), Jô Estrada (guitarra) e andré (direção de estúdio).</p>
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		<title>O Rei do Olhar</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Jun 2010 01:25:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>fabiocascadura</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Marcamos às 9 horas. Eu cheguei 9h15, mesma hora que Jô Estrada: andré t nos esperava para começarmos o dia de gravação. Sexta-feira, 18 de junho.
Tínhamos algumas baterias que foram registradas no “esquema teste” e que, de tão boas, acabaram sendo adotadas como oficiais para trabalharmos: deu-se o start no Aleluia!
Sugeri a gravação de um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Marcamos às 9 horas. Eu cheguei 9h15, mesma hora que Jô Estrada: andré t nos esperava para começarmos o dia de gravação. Sexta-feira, 18 de junho.</p>
<p>Tínhamos algumas baterias que foram registradas no “esquema teste” e que, de tão boas, acabaram sendo adotadas como oficiais para trabalharmos: <strong>deu-se o start no Aleluia</strong>!</p>
<p>Sugeri a gravação de um tema bem pesado: então, vamos começar pelo peso&#8230; Tive a ideia dessa música a partir de um instrumento em especial: uma <strong>baritone guitar</strong>.</p>
<p>O que é uma baritone guitar? <a href="http://bandacascadura.com/a-ponte/wp-content/uploads/2010/06/Imagem0221.jpg" rel="lightbox[103]"><img class="size-medium wp-image-107 alignright" title="Baritone guitar" src="http://bandacascadura.com/a-ponte/wp-content/uploads/2010/06/Imagem0221-225x300.jpg" alt="" width="180" height="240" /></a><br />
Trata-se de uma guitarra barítono, ou seja, uma guitarra mais grave que as normais. Tem seis cordas, seu aspecto é bem similar ao das guitarras convencionais. Mas ao invés de afinada em E (mi), ela é afinada em B (si), três tons e meio abaixo. Tem gente que confunde com a famigerada guitarra de sete cordas ou ainda com guitarras convencionais afinadas em tons mais baixos. Mas uma guitarra assim pode ter sua afinação abaixada até C (dó), no máximo. Aqui estamos falando de mais um semitom&#8230; e com segurança (sem as variações/ desafinações que ocorrem com cordas folgadas). A tensão nela é perfeita.</p>
<p>Esses detalhes talvez não façam tanto sentido para quem não é músico. Mas, como disse, foi a partir desse instrumento que me veio a ideia da canção&#8230;</p>
<p>andré havia feito uma viagem de passeio à Europa. E quando andré vai a algum lugar, ele precisa, muito, conhecer as lojas de instrumentos musicais da localidade. Tanto faz se estiver em Paris ou Boquira! Ele irá pesquisar se há algum apetrecho de uso musical que ainda não tenha e que precise conhecer&#8230; e levar consigo. Sua esposa que o diga.</p>
<p>Antes de ele fazer essa citada viagem, conversamos justamente sobre baritone guitar. Na volta, ele apareceu com uma, modelo Danelectro, que comprou na França&#8230; sei lá&#8230; Me emprestou por uns dias para que eu conhecesse o instrumento, já que eu nunca havia tocado um. <strong>Pimba! Veio o riff!</strong></p>
<p><a href="http://bandacascadura.com/a-ponte/wp-content/uploads/2010/06/Imagem011.jpg" rel="lightbox[103]"><img class="size-medium wp-image-110 alignleft" title="Amplificador Fender Bassman" src="http://bandacascadura.com/a-ponte/wp-content/uploads/2010/06/Imagem011-300x225.jpg" alt="" width="216" height="162" /></a> Depois, percebi que é meio “filho” da linha de baixo daquele sucesso do U2: <a href="http://www.youtube.com/watch?v=-6Y-t85vs4g" target="_blank">“New Years Day”</a>. Danelectro baritone guitar + pedal Rat Proco + amplificador Fender Bassman valvulado! Vixe! Riff em C (dó), música em G (sol). Certeiro!</p>
<p>Mostrei a andré e foi essa música que tocamos para Thiago Trad “acertar o som de uma bateria”. Ele apareceu com uma célula rítmica totalmente diferente da que eu havia imaginado, ainda que, devido a nosso entrosamento, desenvolvesse o que chamamos de <em>bridge </em>(ponte) e o refrão de forma muito similar ao que pensava. Mas a condução e a dinâmica da parte A (aquela onde desenvolvemos a historinha das letras) veio com muitas novidades e, ao mesmo tempo, <strong>impregnada de referências que curtimos</strong>.</p>
<p>Na sexta, fomos completar esse arranjo.<br />
O baixo foi executado por Jô, coisa que ele fez em canções como “Senhor das Moscas”. <strong>Sugeri uma marcação com jeito de bolero&#8230;</strong> É! Be-o-Bó-lê-é-Le-rê-o-Ro! Bolero!</p>
<p>Se ligue: rock e bolero andam juntos, all the time! De <a href="http://www.youtube.com/watch?v=p41xLRmEPoY" target="_blank">“P.S. I Love You”</a>, do 1° disco dos Beatles, a <a href="http://www.youtube.com/watch?v=pcmX6J6S6Xs" target="_blank">“Mesmo Eu Estando do Outro Lado”</a>, tudo é bolero! O bolero é a grande força rítmica que ocupa o ocidente. Herança africana, muito bem desenvolvida no Caribe a partir de um toque dos cultos yorubanos trazidos pelos escravos dessa etnia (alguns chamam esse toque “tanimobé”, aqui na Bahia também chamado “arrebate”), sua presença no rock deu-se via Rhythm&#8217;n Blues dos anos 50, em exemplos como <a href="http://www.youtube.com/watch?v=AOT7OwcbK-k" target="_blank">“You Better Move On”</a>, do grande Arthur Alexander (regravada pelos Rolling Stones no começo da carreira; aliás, os Beatles também interpretaram coisas desse cara genial, como “Anna (Go to Him)”, também bolero) e <a href="http://www.youtube.com/watch?v=WWBbEJXnOFk" target="_blank">“Stand By Me”</a>, sucesso de Ben E. King.</p>
<p>Não esquecer que isso que chamam de “arrocha” nada mais é que uma leitura própria e peculiar sobre esse mesmo ritmo: bolero! Um exemplo massa que acho é o da música <a href="http://www.youtube.com/watch?v=v7QTe-TMCNc" target="_blank">“Shama Lama Ding Dong”</a>, incluída na trilha sonora do filme “Animal House” (em português, “Clube dos Cafajestes”), constante presença nas programações vespertina das TVs, interpretada pelo grupo Otis Day and The Knights.</p>
<p>Reproduzimos o baritone guitar, também executado por Jô Estrada, com a mesma filosofia que usei na <strong>demo que registrei no meu celular</strong> (é isso mesmo: assim que tenho uma ideia, registro-a de imediato no celular e depois vejo se vale a pena ser trabalhada ou não).</p>
<p>Ainda como reforço e somente para termos como alternativa no momento da mixagem, foram gravadas algumas dobras de guitarra, usando distorção bem convencional, mas num timbre todo especial descolado por andré t: <strong>ficou pesadíssimo!</strong> Em tempo, conta muito o fato de quem executa e quem grava: Jô Estrada e andré t.</p>
<p>Terminamos o dia de sexta bem satisfeitos, às 16 horas, porquê Jô e andré precisavam ensaiar com <a href="http://www.messias.art.br/" target="_blank">Messias</a>, com quem tocam e com o qual farão o show de lançamento do excelente disco da estreia solo do líder da brincando de deus. O show acontecerá dia 30 de junho, na Igreja da Barroquinha (templo que, aliás, tem muito a ver com o projeto desse disco do CASCADURA&#8230; depois eu conto). E lá se foram: continuaríamos no sábado.</p>
<p><a href="http://bandacascadura.com/a-ponte/wp-content/uploads/2010/06/Confraternização2009-001.jpg" rel="lightbox[103]"><img class="alignright size-medium wp-image-124" title="andré t em ação" src="http://bandacascadura.com/a-ponte/wp-content/uploads/2010/06/Confraternização2009-001-300x225.jpg" alt="" width="240" height="180" /></a>Sábado, 19 de junho, 9 horas: chegamos ao estúdio t.<br />
Fomos recebidos por um entusiasmado andré t, que desde as 8 horas (!) mexia em um <strong>módulo de sintetizador</strong> – uma intervenção que a princípio me causou estranheza, confesso, mas que logo foi assimilada, apoiada e aplaudida! Uns arremates de guitarra e só restava gravar a voz.</p>
<p>Parêntese: ainda que saiba sobre o que a música irá falar, o tema, ainda não tenho uma letra completa. Somente o esboço do que virá a ser o texto dessa que já é a primeira música pronta do Aleluia. Sei que a canção tratará de uma analogia entre um ilusionista/ charlatão/ mágico e a mídia. Fala sobre o fato de “o truque do mágico só funciona se a plateia quiser acreditar nele”. <strong>Seu título: “O Rei do Olhar”.</strong></p>
<p>P.S.: Depois da gravação de sábado, fomos os três nos recolher e descansar para um compromisso muito importante que teríamos naquela noite e que aponta para o motivo pelo qual Thiago Trad esteve ausente dessas duas sessões: sua união com a sua amada! Agora, Thiago é um homem casado! Tudo de melhor para ele.</p>
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