(Re)Começo

domingo, 13 maio 2012 - postado por fabiocascadura

Faz alguns poucos dias que compartilhamos o Aleluia, álbum sobre o qual, tão cuidadosamente, trabalhamos ao longo de quase dois anos. Esse momento é muito especial porque é de fato a razão de toda a dedicação que tivemos. O disco, em si, é o objeto principal que tem motivado a existência desse blog. Aqui, viemos compartilhando um processo meticuloso, denso, extensivo, simples, mas sofisticado, intenso e prazeroso. Agora que essa fase de construção e todo o discurso relacionado ao álbum Aleluia, enquanto obra fonográfica, já passou, ainda não sabemos exatamente o que será desta plataforma que é o “A Ponte”, mas sabemos que ela tem sido muito importante na comunicação com as pessoas que acompanham o trabalho do CASCADURA.

Acho que já explicamos aqui mesmo como veio a ideia de compartilhar o processo de partilharmos detalhes da formação desta obra. Não creio que seja necessário repetir. No entanto, é fundamental para mim dizer que foi ótimo estar expondo cada momento, cada lance dessa verdadeira aventura que foi (e é) realizar o Aleluia. Falar para as pessoas e ouvi-las. Rever conceitos a partir da experiência de troca ou confirmar convicções artísticas: foi um verdadeiro teste para mim e uma grande lição que guardo para daqui pra frente. Estar em contato direto com todos que vieram cá, ler e opinar, representou a abertura de uma nova janela para o CASCADURA nesse ambiente de tantas contradições e diversidade constante que é a internet. Sou realizado com isso!

Esse trajeto, que parece se encerrar por esses dias, poderá ser rememorado graças às postagens deixadas aqui. E tivemos que experimentar muita coisa para tentar achar uma fórmula certinha de comunicação. Mas existe fórmula? Não. Não existe, gente. À medida que íamos avançando no tempo, as possibilidades se apresentavam e íamos dando vazão aqui no blog, como acontecia também durante a pesquisa relacionada ao disco ou no estúdio, durante as gravações. A surpresa foi senhora de nossos dias. Nenhuma previsibilidade vingava.

Para chegarmos até as pessoas, a partir daqui, nos dispusemos a criar alternativas discursivas: textos, vídeos, fotos, ilustrações… Cada um ia colaborando do jeito que dava. Em especial, contávamos com o apoio de nossa parceira Paula Berbert, que se encarregava de organizar essa plataforma e o fez com maestria. A ela sou muito grato, pela maneira tão tranquila de lidar com todas as postagens. Ela se tornou um elo fundamental nesse processo.

Não quero fazer deste texto um momento de despedida. Isso faremos mais adiante, quando dermos mais alguns passos em direção a outro momento em nossa carreira. Nem mesmo é a hora de um balanço de toda caminhada em direção ao Aleluia. Aqui está somente uma reflexão, já que o disco, enfim, chegou e está disponível para quem quiser, motivando-nos a lembrar das coisas que foram feitas para que ele ganhasse existência.

Disse isso porque agora há pouco estava fuçando em umas gavetas e achei um material que foi sendo juntado num cantinho dela. São folhas de papéis rascunhadas, bilhetes, desenhos, CDs e DVDs contendo ideias que foram parar no novo disco. Isso me colocou sob uma perspectiva tão mais precisa do que foi estar envolvido nesse trabalho. Comparar a rudeza do que está nesse material seminal com o resultado final do Aleluia denota que foi um processo riquíssimo. O bruto é bem bacana, não fosse não teria sido levado ao estúdio para um processo de lapidação, mas o diante do resultado final fica evidente a sofisticação da elaboração constituída por todos nós. Eu, Thiago, andré t, Jô, Du Txai, Paula Berbert, Jorginho Falcão, Ricardo Ferro, cada artista convidado e parceiro… Um envolvimento total, sem reservas. Estivemos abertos às interferências e o retorno não poderia ser mais legal.

Há uns CDs com rascunhos de canções, registradas muitas vezes no instante em que uma ideia surgia. Ou ainda há uma sequência de gravações precárias, feitas a partir de um celular, onde se vê o desenrolar da criação da canção. Para mim, como compositor, esse material tem função de registro e de material didático também, já que ao escutá-lo novamente vou reaprendendo como é compor.

Tem uma gravação que mostra como surgiu a melodia de “Sonho de Garoto”, ainda bem esboçada. Estava esperando Ticiana sair de uma aula de dança e veio a linha marcante de uma melodia. Guardei-a no celular e a trouxe para casa, onde exercitei algumas novas partes e harmonia.

Também há uma sequência de cinco ou seis arquivos de áudio com a experiência relacionada a “Resumindo (Steviana)” e, escutando-a, pude lembrar bem do momento em que comecei a pensar na possibilidade dessa canção: primeiro o esboço do riff que acabou formando o refrão, depois esse mesmo riff, mais seguro de sua organização, daí uma nova gravação com uma versão melhor dele, quase como está no disco. Só então há uma outra gravação, com um salto, e o esqueleto da música aparece. Isso tudo aconteceu no espaço de dois dias. Começou num domingo: estávamos nos preparando para um almoço na casa de pessoas da família e eu, já pronto, esperava Tici terminar a meticulosa e sempre bem feita maquiagem que ela costuma usar (isso leva tempo, gente!). Passava alguma coisa de esportes na TV e eu estava com o violão na mão. Daí, entrei no lance de tocar um riff com uma métrica “quebrada”, uma divisão pouco comum (vinda de mim). A estranheza e o prazer com aquilo me motivaram a gravar rapidinho também ao celular, já que ligar o computador e preparar uma sessão no estúdio caseiro levaria algum tempo (e ela já estava terminando de passar o rímel). Gravei no aparelho celular e fomos embora.

Passei o almoço inteiro sem me concentrar em uma única frase que me era dita. Só pensava em voltar pra casa e continuar a música. Mas, depois do almoço, ainda visitamos amigos, fomos não lembro aonde, vimos um filme. Chegamos em casa e ainda tinha que cuidar de Bruce, “le terrible bouledogue” etc… Tici foi dormir e eu, enfim, voltei à canção… As gravações são bem precárias, mas mostram o que se desenrolou a partir daí. No dia seguinte, ainda mudava coisas de ligar dentro do rascunho que ia “melhorando”. Até que, plenamente insatisfeito, guardei tudo e resolvi esquece a ideia por uns tempos, o que foi ótimo.

É a visualização desse processo em retrospectiva que me emocionou, nessa semana que passou e em que o disco foi compartilhado na rede de computadores. Perceber a distância percorrida por meio das pegadas deixadas tem sido fantástico também. Espero um dia poder compartilhar dessa experiência com quem vem acompanhando isso aqui. Mas acho que a hora é de curtir o resultado final e ver o que vem pela frente, porque a vida do Aleluia está só começando, gente. Vamos adiante.

Para ouvir e fazer download do Aleluia, basta clicar na imagem, é de vocês:

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Dá-lhe, Robeeertooooo!!!

quarta-feira, 08 junho 2011 - postado por fabiocascadura

Hummm… Faz um tempo que não escrevo um texto pra esse blog, né? Pois é, muitas coisas! Coisas e coisas… Do disco e da vida cotidiana de gente que vive a vida cotidiana…

No meio disso tudo, tínhamos que decidir como faríamos para ter a participação de nosso amigo Beto Bruno, cantor da banda igualmente amiga Cachorro Grande. Beto foi um dos primeiros nomes em que pensamos para participar do Aleluia. Amigo de primeira hora, de quem somos fãs, não poderia ficar de fora desse processo, já que esta é uma vontade antiga: dividirmos uma faixa, Cascadura e Cachorro Grande, juntos.

Deixe-me contar o episódio em que nos conhecemos: nos idos de 2003, quando estávamos chegando à cidade de São Paulo, fomos tomados pelo lançamento do disco “As próximas horas serão muito boas”, o segundo da discografia dos gaúchos. Já os havíamos visto na MTV, com o clipe “Lunático”, tirado do seu álbum de estreia. O conceito era tão bom (a música, o visual, a performance) que chegamos a pensar, inicialmente, que se tratava de um tipo de campanha publicitária! “Existe uma banda assim no Brasil?!”. Existe: Cachorro Grande.

Soubemos que eles tocariam na Outs, casa de show que, naquele instante, era nossa referência em Sampa. Já havíamos tocado lá e iniciado uma amizade/parceria com os donos do lugar. Fomos vê-los…

O lugar estava cheio, na medida de estar agradável. Era um dia como quarta ou quinta-feira, meio de semana, e muita gente foi conferir os caras no palco. Já na chegada, soubemos que eles estavam lançando um disco novo. Nosso amigo Luiz Pimentel (então chefe de redação da saudosa revista Zero) foi quem nos contou.

Assistimos ao show entre o entusiasmo contagiante que eles emanam quando estão em ação e o mais completo espanto de estar diante de uma banda tão verdadeira no que pensamos ser seu “auge”. Engano nosso: eles estavam apenas começando o seu “auge”. Terminada a apresentação, fomos falar com eles e foi quase impossível cumprimentá-los, tamanho o assédio. Mas, enfim, conseguimos e falamos do nosso trabalho e da nossa admiração.

No dia seguinte, o mesmo Luiz que havia falado do lançamento do disco nos ligou dizendo que queria nos juntar a eles numa conversa em um barzinho: topamos na hora. Nos encontramos na Augusta e, de lá, rumamos conversando até o bairro do Bexiga, sentamos em um bar próximo ao Café Aurora, onde deveríamos prestigiar o show de outra banda amiga: Velhas Virgens. Em nossa mesa, também sentaram os parceiros da Tomada, banda paulistana de rock.

Foram muitos assuntos e muitas risadas. Ali, nasceu uma amizade que corre até hoje, sempre pautada na admiração e na colaboração mútua. “Os Cachorro” desde então cresceram no cenário e se tornaram uma banda muito conhecida. No entanto, se mantiveram os caras naturalmente alegres e engraçados que sempre foram.

Na ocasião desse papo, entregamos a eles um CD contendo o nosso “Vivendo em Grande Estilo”, ainda inédito. Lembro que o Beto perguntou: “Vocês estão dando um disco de vocês que ainda não saiu pra gente ouvir?! Que confiança! Valeu!”.

Vimos quando o disco deles chegou pela revista Outracoisa, do Lobão, e tomou de assalto o mercado. Por meses em São Paulo só se falava nesse lançamento. Não por acaso, o nosso disco seguinte, “Bogary”, também sairia por esse projeto: a Cachorro Grande foi uma grande advogada nossa nesse processo.

De lá pra cá foram muitos episódios, em muitos encontros: fui roadie deles numa viagem pelo Sul, eles viajaram em nossa van para uma apresentação nossa, junto com os Astronautas, de Recife, no festival Demosul, em Londrina/PR, tocamos juntos em Salvador, fiz um caruru no apartamento em que morávamos em Sampa e eles saíram falando do “bicho caruru que era bom demais”, fizemos uma dobradinha de shows para uma edição do programa Bem Brasil, da TV Cultura, gravado em junho de 2007 no palco do Sesc Pompeia… Vivíamos andando juntos, para cima e para baixo, como uma gangue só.

Certa vez, Beto me perguntou: “ô, Negão… Quando é que vamos fazer essa parceria, Bruno/Magalhães?!”… Só faltava isso. Será?… Daí a ideia de chamá-lo para esse disco.

Apresentei uma canção a andré t e falei que o queria cantando junto. Mais que isso: queria que ele escrevesse a letra daquela música para cantar.

O problema é que ele é do Rio Grande do Sul, onde cumpre extensa agenda de apresentações com a banda, mora em São Paulo e está em pleno processo de construção de mais um disco. Beto não usa celular e e-mail é um troço que ele realmente não faz ideia de como funcione. A comunicação é muito específica. Assim, o tempo escasso era nosso censor. Tentamos trazê-lo para gravar em Salvador, como fizemos com outros convidados, em três oportunidades distintas, sem sucesso. Desse modo, como Maomé não veio à montanha, a montanha teve de ir a Maomé.

Chegamos a São Paulo, eu e Thiago Trad, depois de três horas de atraso do avião. Descemos em Guarulhos ao invés de Congonhas, como havíamos planejado. Ficamos na casa do amigo Rodrigo “Minha Pedra” Santos e marcamos para encontrar a “fera” no estúdio onde eles estavam preparando seu disco.

Uma alegria imensa entrar num ambiente e encontrar esses caras: Beto, Coruja (Rodolfo Kieger, baixista da Cachorro Grande), Gross… É sempre um evento feliz e cheio de camaradagem. Acho que o termo “camarada” é o que nos acolhe melhor.

Falei a ele do conceito do disco, da relação do álbum com Salvador, que ele teria de escrever a letra (e ele disse que teríamos de escrevê-la juntos) e que melodia e harmonia foram construídas pensando nele… Beto se encheu de alegria e, com a confiança que lhe é intrínseca, chamou-nos a um boteco, em frente ao estúdio da Trama, e disse que depois de “umas” cervejas iríamos ao estúdio de Duda Machado (o Madeira II), com quem havíamos combinado de gravar essa voz, e lá mandaríamos ver.

Fomos para o estúdio/casa de Duda e encontramos outros tantos amigos lá: Ricardo Spencer, Rafael Spencer (chef, agora morando lá e com um ótimo restaurante de comida baiana chamado Sotero), Rodrigo “Minha Pedra”, Martin… Clima de festa!

Havia somente um porém nisso: estou acostumado a gravar em meio à tranquilidade do estúdio t, sem muitas interferências, concentrado e em silêncio. Mas esse é o Aleluia, cheio de imprevistos e novas experiências. Ok… Vamos ver no que vai dar…

Sentamos e escutamos a base que havia levado: bateria, baixo, guitarra de 12 cordas e violão. Pronto! Era o que precisávamos. Em quinze minutos, uma letra brotou: “Sonho de Garoto”. Um discurso bem simples, uma brincadeirinha/homenagem a nosso amigo Lobão ali, e ficou bacana.

Beto fez questão de acertar a afinação, respiração, divisão, dicção, interpretação no cantar. Foi um exercício que exigiu muito dele: havíamos acabado de fazer a letra, que, por mais simples que seja, ainda estava muito fresca e não tínhamos nos familiarizado com ela, não houve esse timing. Talvez por isso, o grande charme que ela adquiriu. Ele repetiu algumas vezes até dar-se por satisfeito e me perguntar: “E aí?”.

Em meio a toda atenção, tensão e movimentação em torno da gravação (e da festa lá fora), esquecemos de registrar imagens desse momento… Entre uma bisbilhotada e outra dos que estavam de fora do estúdio, Beto gravou a voz. Ao final do último take, ainda com Beto Bruno de fone, cantando no microfone, Ricardo Spencer comenta: “Dá-lhe, Robeeertoooooo!!!”. Beto responde: “Roberto, corta essa!”…

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No meio disso tudo, um Desafio… das Bandas!

sexta-feira, 06 maio 2011 - postado por fabiocascadura

Um convite feito pelo pessoal do marketing do Grupo A Tarde me colocou novamente em contato com o projeto Desafio das Bandas – novamente porque, em sua 1ª edição, o CASCADURA participou com duas apresentações especiais no evento.

Dessa vez, eu passei para o posto de Mestre de Cerimônias da jornada que pretende escolher uma dentre tantas bandas iniciantes no cenário musical soteropolitano. A proposta do Desafio das Bandas é revelar talentos.

Isso de fato aconteceu na 1ª edição: a banda vencedora foi a Maglore, que hoje faz uma trajetória muito bacana, já com seu álbum de estreia, “Veroz”, construindo um caminho bonito.

Mas, além da proposta de apresentar cada eliminatória que acontece no Groove Bar, além da grande final, onde sairá a vencedora da disputa, fui chamado para apresentar um show especial com composições minhas: seria um show solo de Fábio Cascadura. Inédito!

Chamei para o apoio dois camaradas da minha mais alta estima, dois grandes amigos: Thiago Trad, que todo mundo sabe quem é, e Ivan Oliveira, um dos melhores baixistas de rock que conheço, que já fez parte do CASCADURA e da Úteros em Fúria.

Ensaiamos um repertório onde constavam composições que escrevi e acabaram sendo gravadas por outros artistas amigos (“Não É Só uma Noite”, por Endy; “Coração de Maria”, pelo Aguarraz, e “Sob o Sol”, parceria minha com Pitty, gravada por ela mesma), outras inéditas mesmo, como “Colhendo Tempestades”, que escrevi em parceria com o brother Thedy Corrêa, do Nenhum de Nós, numa leva que ainda teve a balada “Pequena”, que agora consta no novo disco da banda gaúcha, “Contos de Água e Fogo” (2011). Nunca tinha mostrado essa canção antes…

Não poderia apresentar minha coleção de canções sem citar as que fazem parte do vasto repertório do CASCADURA. Assim foram “Sexta-Feira” (a música mais antiga que escrevi e ainda toco), “12 de Outubro”, “Não Posso Julgar Ninguém”, “Mesmo Eu Estando do Outro Lado” e outras. Guardei um espaço para uma música que não é minha, mas faz muito a minha cabeça: “Anything that’s Rock’n Roll”, de Tom Petty. E encerramos com “Queda Livre”.

Foi uma experiência única e deu pra matar um pouquinho da saudade de subir num palco e cantar com a moçada. Aliás, o público foi sensacional: muito carinhoso, respeitoso e participativo. Agradeço a essa gente que vai de coração aberto tornar a festa ainda mais bonita.

Depois que desci, deixei o palco para a moçada da Maglore, aquela banda que começou no mesmo Desafio das Bandas há dois anos e que hoje segue crescendo por seus méritos e talento: todo mundo cantando junto! Bonito!

O Desafio ainda segue, com suas bandas concorrentes e seus convidados em shows especiais.

A próxima eliminatória será neste domingo, 8 de maio, Dia das Mães, lá no  mesmo Groove Bar (Barra), e promete ser tão bacana quanto às anteriores. A casa abre às 15 horas e o ingresso custa R$ 5, mais 1 quilo de alimento não-perecível.

Participe!

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#DVDPittynoCirco

segunda-feira, 20 dezembro 2010 - postado por fabiocascadura

Foi uma experiência única! Fazer parte da gravação do novo DVD da amiga Pitty, com toda galera que a acompanha, todos amigos de longa data, foi realmente um prazer enorme.

Os ensaios já traziam a carga emocional daquilo que vivenciaríamos no palco. Sob a direção de Rafael Ramos, que faz a produção musical de toda a obra da Pitty, foi desenvolvida a estrutura da música com a minha participação. Ficou muito legal. As dicas de Rafael foram bastante precisas e todas deram certo.

Não bastando estar com os amigos da banda tradicional (Pitty, Martin, Duda e Joe), ainda conheci o tecladista Bruno Cunha, que passa a excursionar como membro da trupe, e também o grande Hique Gomez, violinista/cantor/performer conhecido por todos por seu projeto Tangos & Tragédias, que já correu o Brasil levando humor e música, e ali também para fazer uma participação no DVD, na canção “Água Contida”.

Iria somente apresentar “Sob o Sol”, parceria minha com a Pitty, gravada nas sessões do álbum Chiaroscuro e que acaba de ser lançada no Lado B de um lindo compacto de vinil preto e branco, que também conta com o sucesso “Me Adora” no Lado A. Mas, lá mesmo, nos ensaios, foi sugerido que tocássemos, em regime de experiência, a música “Senhor das Moscas”, do Bogary. O resultado foi tão bacana que acabaram levando-a para o show também. Não acredito que faça parte do DVD, mas a reação de todos foi tão positiva que já valeu!

A viagem entre São Paulo (onde ensaiamos) e o Rio de Janeiro, onde rolaria o show, no histórico Circo Voador, foi feita de ônibus com boa parte da equipe a bordo. Apesar de toda camaradagem e bom papo que acabou fluindo e da alegria de todos em participar desse projeto, o trajeto não foi nada fácil: é que a saída de São Paulo é realmente movimentada (ainda mais num fim de tarde de sexta-feira) e um engarrafamento nos atrasou em mais de quatro horas. Resultado: só chegamos ao Rio na madrugada do dia do show, quando deveríamos estar lá ainda no começo da noite do dia anterior! Ok…

Ainda cedo, acordei e fui dar um giro pela vizinhança do hotel, que ficava no tradicional bairro da Glória. Já conhecia aquele trecho do Rio e aproveitei somente para caminhar, andar por entre a gente carioca, rever alguns lugares que acho bacanas: Largo do Machado, Catete, Jardim do Museu da República… Na volta, encontrei Duda disposto a um banho de mar antes de ir para o Circo Voador e começar os preparativos para a grande noite. Topei!

Fomos à praia do Leme, eu, Duda e Léo Leone. Demos um mergulho naquelas águas geladas, tão características das praias cariocas. Não demoramos muito: ainda havia muito o que fazer. Fiquei no hotel enquanto, aos grupos, quase todos foram dar sua contribuição à montagem do espetáculo e de toda a estrutura para sua captura em audiovisual. Uma equipe de cinegrafistas (dentre eles o amigo Rafael Kent, aqui de Salvador, além do grande Ricardo Spencer, diretor da empreitada) circulava a caminho do local do show/filmagem enquanto outros da equipe técnica preparavam o som, o cenário (desenvolvido pelo Renan, que já conhecia pela internet por ser fã da Pitty), camarim e tudo mais que envolve a produção de um show.

Acabei chegando ao Circo Voador por volta das 17h30 e tudo já estava praticamente pronto. Aguardei somente que o som fosse acertado e subi para ensaiar minha parte, agora, no palco, com tudo que aconteceria na hora do show. E como não poderia ser diferente, tudo deu muito certo… Aliás, parece que tudo que foi planejado correu como deveria. Isso deu mais confiança a todos e a satisfação estava muito evidente nos sorrisos e cumprimentos entre os envolvidos.

Encontrei com o amigo Fred (Supergalo, ex-Raimundos) que não via há um tempo, acho que desde que ele veio com a Supergalo tocar em Salvador, no Carnaval de 2008, a nosso convite, num trio. Além dele, outras figuras do Rio de Janeiro fizeram questão de levar seu abraço a Pitty e equipe pela realização desse DVD, dentre eles Marcelo D2: muito tranquilo e simpático. Muito legal perceber o carinho que todos têm com o trabalho de Pitty. Não somente com ela, que, por seu carisma, sempre cativa a todos, mas especialmente pelas coisas que ela fala e expõe em suas canções e em sua atitude, levando em uma nova argumentação uma série de temas à discussão por muita gente (jovem) que, sem essa iniciativa, estaria à margem de qualquer oportunidade de debate.

Pouco antes de subir ao palco, no camarim, fui convidado a fazer parte da “roda”: Pitty, Duda, Martin, Joe, Bruno, Hique, Rafael Ramos, eu… nenhuma palavra dita. Um “Hey!” pronunciado por ela e a magia estava feita! Subiram ao palco para uma sequência de canções que, segundo eles, eram “lados B”. Na verdade, as mais de 2 mil pessoas que lá estavam conheciam todas as músicas e participaram de cada uma delas com toda força, toda vontade, toda vibração. Bonito de ver.

Teve um outro momento significativo, ainda no começo, que ficou marcado: enquanto tocavam “Desconstruindo Amélia”, a banda via um monte de garotas, nos ombros de amigos(as), ficarem somente de sutiã! Algumas tentaram até ir além, mas não rolou…

A participação de Hique Gomez foi fantástica. Além de grande musicista, ele também é um cara ligado às performances teatrais e trouxe ao show um toque muito especial: sendo um tango, ele e Pitty acabaram arriscando uns passos durante a música “Água Contida”.

Depois da primeira metade da apresentação, chegou o momento da minha participação. Foi muito emocionante entrar no palco do Circo Voador (onde só havia pisado uma vez, num show com Cascadura e Cachorro Grande) e partilhar essa canção. A resposta da galera não poderia ter sido mais bacana: muito carinhosos, todos! Para a surpresa da assistência, ainda emendamos “Senhor das Moscas” que, aí para a minha surpresa, muitos conheciam.

Já na coxia, após o término, fomos convidados a repetir a performance a pedido de Ricardo Spencer, e Rafael foi muito enfático: “Olha, gente… Ficou ótimo! A performance e a interpretação estão prontas. Mas o pessoal da captura de vídeo (Spencer) pediu para repetir porque faltou filmar alguma coisa. Pode ser?” Não é algo que seja muito confortável… Pitty muito sensivelmente me perguntou se tudo bem pra mim e eu disse que “sim”… Lá vamos nós outra vez.

Eles voltaram como num bis, mandaram uma para reaquecer e então viria mais uma versão de “Sob o Sol”: Pitty canta a primeira estrofe, eu entro no refrão e… alguma coisa acontece no meu coração e nós dois erramos os nossos trechos da letra e essa nova tentativa ficou na tentativa mesmo… Pena! Fiquei pensando se aquilo comprometeria o resultado final.

Logo todos estavam confraternizando numa festa improvisada no camarim. Todos celebrando o êxito na realização desse projeto. Ao final, chamei Spencer e ele disse: “Cara a sua participação arrepiou! Ficou muito bom! As vozes de vocês dois… Blá, blá, blá…”. Aí, eu falei: “Legal, man… pena que não capturou direito, né? Foram poucas tomadas?”. Ele respondeu meio espantado: “Oxe… capturamos direito, sim! Filmamos tudo! Peguei todos os closes que imaginei…”. E eu: “Ô?! E por que você pediu para refazermos a minha parte?!”. Aí, ele arremessou: “Foi tão bonito que eu queria ver de novo!…”

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Fábio Cascadura participa do novo DVD de Pitty

sábado, 11 dezembro 2010 - postado por assessoria de imprensa

Cantor faz dueto com a conterrânea na música “Sob o Sol”, em gravação ao vivo que acontece em 18 de dezembro no Circo Voador (RJ)

Lançado em 2009, o disco “Chiaroscuro”, de Pitty, depois de ter gerado o DVD “Chiaroscope”, com o making of das gravações, agora vai render um registro ao vivo. O show a ser realizado no próximo dia 18 de dezembro (sábado), no Circo Voador, no Rio de Janeiro, pretende ecoar o conteúdo deste álbum que é um marco na carreira da cantora. Neste momento especial, Fábio Cascadura, líder da banda baiana Cascadura, estará presente: ele vai cantar com Pitty a canção “Sob o Sol”, uma composição feita pela própria dupla.

Parte do DVD “Chiaroscope” e do compacto de “Me Adora”, que será vendido exclusivamente no dia do show no Circo, em vinil de cor especial (variações de preto e branco), “Sob o Sol” é a primeira criação em conjunto dos amigos – uma realização que concretiza o encontro de dois dos mais importantes nomes do rock da Bahia.

Além de Fábio Cascadura e da banda oficial (o guitarrista Martin, o baixista Joe e o baterista Duda), o novo DVD vai contar com a participação do tecladista Brunno Cunha (Caixa Preta) e de Hique Gomez (Tangos e Tragédias), que toca violino em “Água Contida”. Segundo Pitty, este será um trabalho “mais roots, diferente do anterior, com uma pegada mais direta, inclusive privilegiando lados B da minha carreira”, explica.

“Sob o Sol” – Na casa de Pitty, Fábio Cascadura cozinhou um caruru para um jantar de festa – e foi lá que, entre um assunto e outro, surgiu a conversa de escreverem juntos. “Pitty é minha amiga há bastante tempo, mas nunca havíamos cogitado a possibilidade de fazer uma canção juntos”, conta Fábio, também em referência ao fato de que, além de terem compartilhado a cena musical baiana na década de 1990 e de terem dado seguimento sólido ao rock local, os músicos que integram as duas bandas (a de Pitty e o Cascadura) têm histórias costuradas: Thiago Trad, baterista do Cascadura, tocou com Pitty no Inkoma; e Martin Mendonça, Joe e Duda Machado já passaram pelo Cascadura.

“Naquela noite, conversamos sobre Salvador, suas possibilidades, reais alegrias e mazelas… Aí, ali mesmo, ao redor da mesa, nos propusemos, quase que simultaneamente, a escrever algo falando disso”, lembra Fábio. Alguns meses depois, a ideia foi posta em prática e eles fizeram um rock misturado com bolero. “Criei o riff a partir do desejo de compor um bolero mesmo. Virou um rock com embalo ‘abolerado’. Ou seria um bolero pesado?”, ele tenta definir.

Na letra, a capital da Bahia, tão bem conhecida por ambos, se apresenta em suas riquezas e tristezas – sobretudo na relação de descaso que há para com ela e a desfaçatez de quem deveria ter o compromisso de torná-la uma cidade mais justa para os que aqui vivem. Fábio resume: “Salvador definha a olhos vistos, sem que nem mesmo nós, soteropolitanos, tomemos a frente para colocá-la numa condição menos indigna… Ao menos para que ela não fique tão só”.

“Sob o Sol” foi gravada nas sessões do álbum “Chiaroscuro”. Não entrou no disco, mas apareceu no DVD “Chiaroscope”, chegando ao público e aos shows da turnê de Pitty. Foi esse público que tornou a canção relevante de fato. “Agora, toda essa trajetória vem desaguar na minha participação na gravação do DVD, o que é uma honra para mim. Há da minha parte uma alegria enorme pela canção ter chegado a esse destaque. E, antes de mais nada, esta será uma celebração ao lado de grandes e bons amigos”, conclui Fábio.

SERVIÇO
SHOW: PITTY – GRAVAÇÃO DO DVD
Quando:
18 de dezembro (sábado), 21 horas
Onde: Circo Voador (Rua dos Arcos, S/N, Lapa – Rio de Janeiro/RJ)
Quanto: R$ 50 (inteira); R$ 25 (meia)
Vendas: www.ingresso.com

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“Valeu, tio!”

sexta-feira, 19 novembro 2010 - postado por fabiocascadura

Falei em um post anterior sobre alguns álbuns recém-lançados que nos forneceram combustível para pensar num conceito para nosso próximo disco de estúdio, o Aleluia, esse mesmo, matéria-prima e razão de ser desse blog.

Falei do “Chá Chá Chá” (Retrofoguetes), “Frascos, Comprimidos, Compressas” (Ronei Jorge e Os Ladrões de Bicicleta), “Letieres Leite & Orkestra Rumpilezz” (homônimo) e “Maçalê” (Tiganá Santana). Óbvio que não só disso vive o Aleluia, mas esses marcaram por serem obras contemporâneas, de artistas que estão num patamar de ascensão dentro do panorama musical brasileiro e que, acima de tudo, representam a inquietude diante da própria música.

Mas deixei de citar um outro disco, lançado há pouco tempo e que, tanto quanto ou mais que estes, interfere na produção que estamos fazendo em estúdio e nos ensina algumas coisas para além da música que pretendemos criar: “Zii e Zie”, de Caetano Veloso.

Escutei esse disco pela primeira vez na casa do próprio num período em que nos aproximamos, exatamente porque ele nos citou no blog que criou para expor o processo de criação desse álbum, exatamente como estamos fazendo com o Aleluia, aqui, em A Ponte.

Mas nossa relação com Caetano vem de antes: uma vez, nos idos de 1999, encontrei um amigo no Largo de Santana (Rio Vermelho). Era um começo de noite de uma sexta-feira e eu estava ali para encontrar com Martin e Jorginho (o famoso King Cobra). Éramos parceiros num evento que vinha acontecendo havia alguns meses: o Rock Nights! Toda semana, (Dr.) CASCADURA e King Cobra (banda da qual, então, Martin era guitarrista) revezavam-se no palco do Havana Sushi Bar, exatamente naquela praça. Eram noites bem concorridas e que nos custaram muito trabalho para tornarem-se assim, prestigiadas. As edições do Rock Nights aconteciam nas quintas e o combinado com a direção da casa era recebemos o cachê da noite anterior no começo da noite de sexta. Eu sempre ia acompanhado do então Cascadura Paulinho Oliveira, e encontrávamos com os dois “Cobras”.

Nessa noite, porém, me encontrei com esse camarada, o lendário Alexandre “Polho” Torres, que nos disse: “Você viu? Caetano falou de vocês na MTV! Foi no Jornal da MTV, agora há pouco…”.

“Cuma?”
Tanto eu quanto Paulinho achamos que havia um engano aí: Caetano é famoso e nós somos uma banda de rock soteropolitana suando para sobreviver localmente! Ele confirmou e, sabendo que nos encontraria ali (na época, nenhum de nós tinha telefone celular), veio nos encontrar para comentar o fato (e de quebra sentar para uma rodada de cerveja e papo). Ele repetiu umas três vezes que Caetano tinha dito no programa da MTV que estava escutando “uma banda de Salvador que fazia um rock assim… bem Stones: Dr. Cascadura!”.

Seguimos descrentes, até que chegou um outro amigo: Wallace (hoje guitarrista da banda de rock ultrapauleira Bestiário). E qual foi a primeira frase dele? “Poxa! Caetano falou que está escutando vocês!”… “Porra, véi… Foi mesmo?”. Polho não perdeu a deixa: “Viu aí, mané?! Eu tô maluco?!”.

Aquilo repercutiu por um tempo e nos trouxe satisfação: era sinal de que estávamos trabalhando bastante e fazendo nossa obra chegar ao maior número de pessoas possível, dentro da nossa limitação (sobretudo, orçamentária). Mas logo demos sequência e seguimos.

Ficamos sabendo que Caetano, que costuma passar temporadas de verão em Salvador e, nestes períodos, habitualmente, frequenta o Rio Vermelho, foi a uma loja de discos do bairro, a extinta Na Mosca, e pediu ao Tony Lopes, proprietário do estabelecimento, algumas “novidades” da Bahia. Acabou caindo-lhe as mãos nossos dois primeiros discos: “Dr. Cascadura #1” (1997) e “Entre!” (1999). E pronto…

Esse lance de “Caetano falou de vocês”, virava e mexia, vinha à baila. Só que, com o tempo, fomos dando cada vez menos ênfase a isso. Não tenho certeza, mas acho que ele acabou fazendo esse comentário de estar escutando CASCADURA em mais alguns outros veículos, sendo que eu mesmo jamais havia lido, ouvido ou o visto falar de nós.

Passa um tempo, a banda muda, a música muda, “pererê-parará-pão-duro”, como dizia minha mãe… Eis o Verão de 2008/09. Quando chegam as festas de fim de ano, é tradição em Salvador o baile “O Maravilhoso Natal dos Retrofoguetes”. É praticamente uma festa de confraternização entre os que frequentam e trabalham no circuito de música alternativa da cidade. E sempre que dá, eles me chamam para uma canja. Eu adoro participar.

Os Retrofoguetes são organizados em suas diversas ações, não dão ponto sem nó. Para esses shows com convidados, fazem questão de armar um ensaio antes da apresentação. Para a festa do Natal de 2008, além de mim, do maestro Letieres e o pessoal da Anacê, eles convidaram nosso amigo Glauber Guimarães.

Glauber é primo de Rex (baterista dos Retro), foi ele quem me substituiu quando saí d’Os Feios, banda de rock 50’s da qual fazia parte, juntamente com Joe (hoje baixista de Pitty), Morotó (guitarra) e o próprio Rex Crotus, na bateria. Depois, como todos sabem, eles se tornariam os The Dead Billies e Glauber mudaria seu nome para Moskabilly. Ok…

Passadas essas aventuras, Glauber acabou desenvolvendo-se como compositor e cantor (dando ênfase ao seu projeto Teclas Pretas) e, naquele instante, estava muito ligado ao universo virtual dos blogs. Ele chegou ao ensaio, onde eu já estava (foi no estúdio de Bola, ex-guitarrista da Dinky Dau e Sangria, na região do Largo 2 de Julho, Centro de Salvador), e me cumprimentou dizendo: “Caetano falou de vocês…”. “De novo essa conversa?!”, pensei. “Mas foi essa semana! Você viu?!”, ele completou, e ainda afirmou que “está escrito na internet…”.

Glauber vinha acompanhando uma estratégia inovadora de Caetano para divulgar seu disco. “Pois é, bicho! O cara tá gravando um disco novo e decidiu expor todo o processo de construção em um blog na internet, onde, quem quiser, fica sabendo o que tá rolando no estúdio, nos shows de preparação e desenvolvimento desse trabalho… Chama-se: ‘Obra em Progresso’ e lá ele disse que curte o som do Cascadura e que vem acompanhando vocês!”, contou.

“Pera aê, Glauber!.. Ele tá gravando um disco e mostrando o que tá fazendo antes de lançar?”, me assustei com a informação. Caetano é um “medalhão”. Se essa estratégia fosse implementada por alguém do universo alternativo, eu até compreenderia, acharia natural, pois a necessidade de lançar mão de algumas ferramentas mais radicais para divulgação dos projetos dessa fatia do mercado é sempre eminente. Mas um cara que trabalha num patamar como o dele?…
“Vá lá ver, rapaz!”, sugeriu.
Eu fui…

Li o texto em que ele nos cita, li o texto em que ele falava da música do disco, da abordagem, do conceito do álbum, dos shows que faria/fizera no Canecão, no Rio, onde testaria possibilidades e arranjos e li mais: os comentários dos que visitavam o blog “Obra em Progresso”.

Centenas de comentários por post. Havia uma legião de fãs, curiosos e detratores ali, prontos para debater, bater papo, comentar somente, mandar um alô, um beijinho, fazer uma graça ou xingar o Caetano. E ele estava lá, nu! Exposto, debatendo o quer que fosse, contra-argumentando, concordando… O legal ali era que quem lesse poderia comentar. Não era, como de costume em casos de artistas de grande alcance, uma via de mão única. Podia-se “responder”, com grandes possibilidades de réplica por parte do autor.

Tendo ele nos elogiado e chamado a atenção para o CASCADURA em seu texto, decidi deixar um comentário, agradecendo o carinho e tal… Não lembro se houve réplica, mas fiquei de boa com isso tudo e segui… Foi quando nosso produtor de então, Dimitri, foi ao Rio Vermelho e acabou encontrando com o próprio Caetano: “Oi, Caetano! Eu sou produtor do CASCADURA, sabe?! Os caras ficaram contentes com seu texto e tal… Blá, blá, blá… Blá, blá, blá… Blá, blá, blá…”. Parece que Caetano falou que queria nos conhecer e Dimitri disse que iria me ligar para que pudéssemos falar.

“Alô, Fábio… É o Caetano!..”, era a voz do “Cinema Transcendental” mesmo. “Olha, vamos nos encontrar uma hora dessas… Acho o som de vocês demais… Blá, blá, blá… Blá, blá, blá… Blá, blá, blá…”. Foram uns cinco minutos de papo e deixei uns telefones com ele, caso ele quisesse ligar e marcar algo.

Passaram-se algumas semanas e no meio de uma partida de buraco da qual eu participava somente para fazer número (minha sogra, meu cunhado e esposa sabem jogar. Eu, não), toca o telefone: “Oi, Fábio! É o Caetano… Vai fazer o quê hoje?!

O cara me convidou para ir a uma festa na casa dele aqui em Salvador e lá, enfim, nos conhecemos pessoalmente. Gente fina! Tava lá a galera do Grupo de Teatro Olodum, o produtor Arto Lindsey, o músico e arranjador Tuzé de Abreu e dentre outros tantos famosos David Byrne (ex-Talking Heads).

Caetano fez questão de nos apresentar a ele e não perdeu a chance de uma brincadeira (em inglês fluente): “David, esses são roqueiros daqui de Salvador… Eles odeiam pagode, axé e carnaval!..”, falou com um meio sorriso zombeteiro e tomando um drinque. Eu, de supetão, quis contradizê-lo, falando um “It’s not true…”, e me saí com um estúpido “Not too much!”. O círculo irrompeu em gargalhas (“Olha, David! Eu sou preconceituoso, mas NEM TANTO!”, seria a tradução da gafe que cometi).

O Mr. Byrne nem nos deu trela, mais simpático foi o Arto Lindsey. Mas estávamos ali para conhecer Caetano e era o que valia. Fomos eu, Thiago Trad, acompanhados das namoradas, e Dimitri. Conversamos um tempo sobre música. Ele falou muito bem da produção do Bogary, com propriedade de quem realmente ouviu. Citei a vontade de fazer um próximo disco mais diferente e arriscado, buscando diálogos com informações locais e cheguei a dizer que “tenho vontade de justapor Stones e samba-reggae”. Ele fez cara de “É…” (?).

Passadas algumas horas, fomos nos despedir. Ele pediu que voltássemos num dia qualquer, somente para trocar informações sobre música e arte. Esse retorno acabou acontecendo três semanas depois, e com a presença de Glauber, que ele pediu que eu levasse, e andré t, outro que pediu que convidasse, desde que munido de algumas coisas que vinha trabalhando em estúdio, além de Trad e Heitor, um amigo e parceiro de Glauber.

Passamos uma tarde conversando sobre histórias do passado (muitas das quais já conhecia de livros sobre a música brasileira), tiramos dúvidas sobre o rock em Salvador no período em que ele morou aqui (entre os 50 e 60 do século passado), o escutamos dizer algumas vezes “Caras, eu sou ‘tiozinho’! As vezes as pessoas se esquecem, mas sou ‘tiozinho’!”, e ele falou sobre o que deveria vir a ser seu próximo disco, o que estava expondo no blog “Obra em Progresso”.

Daí, ele convidou-nos a ouvir música na sala (antes estávamos num pátio na frente da casa). andré t levou um CD com uma compilação de produções dele: Messias (músicas do que depois viria a ser o sensacional álbum triplo “Escrever-me, Envelhecer-me, Esquecer-me”), que parece ter gostado muito, e uma demo de um projeto dub no qual eu e ele vínhamos trabalhando com uma dupla de baixo-bateria fenomenal. Quando tocou a primeira das faixas dessa experiência (que estava, como ainda está, inacabada), Caetano deu um sorriso e disse: “Esse é o som!”. Explicamos que era um projeto aberto e que não sabíamos exatamente o que fazer com aquilo. E ele mandou: “Quero participar também!”. Logo depois, numa entrevista coletiva aqui em Salvador, ele tornaria a comentar esse projeto e sua vontade de fazer parte dele.

Atenção, você que me lê agora: até aqui, escrevi a introdução do texto… O assunto vem agora!

Terminado o CD levado por andré, Caetano pegou um outro CD-R e disse: “Esse é o ‘Zii e Zie’, meu novo disco. Vou pôr para vocês ouvirem”. Entrou uma música extremamente diferente… Era guitarra e era samba. Mas não era guitarra e samba de Benjor ou Gil… Era outra parada! E era da boa! A sequência ia rolando e a gente meio espantado, para o visível deleite dele. Quando tocou uma que hoje sei chamar-se “Menina da Ria”, comentei que lembrava um frevo torto com suspiros McCartianos (sic!): “Um frevo-beatle!”.

Caetano explicou seu desejo de falar com o olho de sua geração, “de tios e tias”, sobre o Rio de Janeiro. Acendeu-se uma lâmpada sobre a minha cabeça! Na real, já estava acesa. Só ganhou alguns watts de potência.

Antes de escutar o “Zii e Zie”, ali e depois com mais calma, em casa, já queria um disco do CASCADURA todo DE Salvador, em contraponto ao Bogary, que foi feito em São Paulo, mas PARA Salvador. Porém o modo articulado apresentado nesse disco de Caetano, com sua banda formada sobre instrumentos identificados como “de rock”, com seu som mais vivo e claro que o “Cê”, supostamente o “disco roqueiro” de sua obra, levou-me a certeza de que teria que enfrentar esse desejo, desapegando-me de muito do que estava comigo em termos de crença e perspectiva, no que diz respeito à minha própria produção. Será que me fiz entender?…

Ao final da “audição”, ele nos perguntou o que havíamos achado. Visivelmente mexidos, elogiamos. andré emendou uma analise técnica mais apurada e lançou seu “Não gostei do som do ‘Cê’…”. Exato! Caetano arregalou os olhos e parece ter achado massa a sinceridade de andré, tanto mais quando ele explicou que o som do “Zii e Zie” era muito superior e a produção, que valorizava as “salas” de cada instrumento, dava a esse disco um som próprio e muito bem acabado. Ele explicou o porquê do nome, “Zii e Zie”, sendo reforçado pelos complementos de Glauber, bem mais interado naquele momento das intenções que ele havia exposto no “Obra em Progresso”.

Terminamos essa com abraços e promessas de breve reencontro. Com o passar dos meses, o “Zii e Zie” foi lançado, trazendo espanto, admiração de muitos e também certa rejeição da parte de quem não o assimilou. Segui ouvindo-o. Entendendo que, nele, Caetano busca tratar da sua territorialidade vigente: o Rio de Janeiro em seus diversos aspectos. Esse olhar, muito simples e objetivo, reforçou a trilha que buscava e que, somado aos outros discos, a alguns livros e filmes, ajuda a compor o mosaico de influências que adornam o Aleluia.

Ainda mais: a forma como o disco foi apresentado, com seus shows de teste no Canecão e o infalível blog “Obra em Progresso”. Não fosse aquela experiência, talvez não tivéssemos o impulso de fazer o mesmo com o nosso novo álbum de estúdio, abrindo o processo para que todos possam saber um pouco mais do caminho que estamos percorrendo. Não fosse assim, talvez eu não estivesse escrevendo essas linhas e você não as estaria lendo. Por isso, tenho que agradecer a Caetano Veloso: “Valeu, tio!”

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Vespas Mandarinas + Fábio Cascadura no Festival DoSol

terça-feira, 16 novembro 2010 - postado por fabiocascadura

Depois de um voo que fez, desde São Paulo, duas paradas, em Brasília/DF e Fortaleza/CE, completando mais de seis horas de viagem, chegamos à “Cidade do Sol”: Natal, Rio Grande do Norte. Por isso o nome do festival: DoSol!

Voo demorado é aquilo… Numa cadeira espremida, durante o processo de implantação da nova política da companhia que, para baratear a passagem, passou a vender as refeições durante a viagem: tudo certo! Sou a favor disso, mas R$ 4 numa garrafa d’água é um pouco demais. A água desce com gosto de sal… Até fazermos o check-in no balcão, seria uma única parada, em Recife, achávamos. No “Boa tarde!” do comandante, ficamos conhecendo essa rota de pinga-pinga… Vá lá. Tudo certo se as comissárias não estivessem com a cara amarrada… sempre!

Eu tenho 1,92 metro de altura. Boa parte disso é perna… Cadeirinha espremida é tortura pra mim. Por seis horas, então… Let’s rock!
O que deu um toque pitoresco à tudo foi a presença do famoso Comissário Ronald, que assumiu o comando do serviço de bordo a partir de Fortaleza, e que nos brindou com uma inesquecível e original explicação das normas de segurança do voo.

A produção do evento, na 7ª edição esse ano, é bem experimentada. Chegamos ao aeroporto e eles lá estavam para nos receber.

Quando estive com o CASCADURA, em 2008, para tocar nesse festival, fiquei em um hotel próximo ao centro da cidade e perguntei como chegaria à Praia de Ponta Negra, muito famosa. Pela distância da qual estava, acabei não conhecendo o lugar. Nem bem entrei na van e perguntei: “Onde fica Ponta Negra?”. Me responderam que o nosso hotel ficava em frente a essa praia! “Ponto para nóis”!

Vista do hotel da Praia de Ponta Negra [Foto por Nicolau Gomes]

Vista do hotel da Praia de Ponta Negra (Foto por Nicolau Gomes)

Nos instalamos e fomos jantar. Logo mais, iríamos à 1ª noite do festival, que teria a apresentação dos AMP, de Recife, e do pessoal do Love Bazukas, junção entre Chuck Hipolitho, dos Vespas Mandarinas, e os caras do Black Drawing Chalks (GO), que tocaram no DoSol Bar. Ambos os shows foram muito bons. Sai de lá com o ouvido apitando e algumas cervejas na cabeça. Fui dormir, porque o sábado prometia. E acordei cedo (8 horas, de pé!) para aproveitar o dia.

Fomos à praia, eu, Chuck, Thadeu, Mauro e Mike, esses últimos acompanhados das namoradas, e lá encontramos os amigos Fabrício Nobre, do MQN (GO) e da Abrafin, e sua esposa, que se juntaram ao nosso sombreiro. Por lá, passaram muitos dos que se apresentariam à noite, dentre eles o Márcio do Mechanics (GO) e o Dennis, Black Drawing Chalks. Com tanto goiano em Natal, eis que surge um carrinho vendendo camarão com a estampa “Camarão Goiano”. Foi solicitado. Mas Goiás produz camarão?!

Que temperatura, a da água de Ponta Negra! Sensacional! Você tem vontade de ficar lá e pronto… E o sol expressava o calor nas mais altas casas, justificando o nome da cidade. Um calor diferente do de Salvador.

Com o banho de mar, perdemos a hora do almoço que o evento banca para os participantes. E em festival indie é assim: TUDO TEM HORÁRIO. Perdeu? Tchau!… Fomos então a um restaurante que fica ao lado do hotel. Caro, mas muito bom! Comemos… camarão. Delicioso. O detalhe é que havíamos comido isso na noite anterior e durante a estada na praia. Quando voltei ao quarto para uma soneca revigorante, sofri um “mini-piriri-cagancha”… Mas nada demais para um intestino forjado a azeite de dendê, por anos a fio…

Antes de subirmos ao quarto, quando passávamos pela porta do hotel, ouvimos um miado com sotaque de “S.O.S.”. Um segurança do hotel, em frente a um carro branco, falou: “É um gato que entrou no motor desse carro… Tá aí desde cedo, miando, e não consegue sair…”. Chuck, entre o indignado e o assombrado, perguntou por que ele não tinha feito nada para tirar o bichinho. Deitou-se no chão, pôs a cabeça embaixo do carro e foi aventurar-se a resgatar o felino. Eu pensei: “Vamos lá!”, e o imitei. Sem sucesso, tentamos arrancá-lo dos ferros. Só depois que subi, frustrado por não ter conseguido, Chuck e Thadeu o tiraram de lá, numa verdadeira operação resgate: “We can be heroes!”.

Chegamos à Rua Chile, no bairro da Ribeira (olha as semelhanças com Salvador de novo), onde rola o Festival. Um palco maior fica montado no “Armazém”, casa que deve abrigar umas duas mil pessoas. O menor fica no próprio DoSol Bar, na mesma rua. Foi onde o CASCADURA tocou em 2008. O show “Vespas Mandarinas + Fábio Cascadura” estava marcado para às 22h30, no palco do “Armazém”, mas, para minha alegria, acabou sendo transferido para o palco menor, no DoSol Bar. Gostei demais de ter tocado lá.

Chegamos com nossos instrumentos e ficamos aguardando a multidão se acomodar para levá-los ao camarim. Enquanto isso, conheci o Nevilton, cantor/compositor/líder da banda homônima. Cheio de energia, dando bons e seguros primeiros passos no universo independente brasileiro, vem conquistando o apreço da mídia, dos colegas e do público que o viu. Humilde e falante, Nevilton pareceu–me uma figura legal, autêntica e muito própria. Nos veremos novamente, muito em breve…

Reencontrei o amigo Esdras Nogueira, sax barítono dos Móveis Coloniais de Acaju (DF), banda que faz o trabalho mais consistente que tenho visto nos últimos anos, rodando o Brasil com seu show festivo e lançando bons produtos no mercado. Começamos a alinhavar uma possível colaboração mútua (mais detalhes, em algumas semanas, aqui mesmo). Autoramas, Cabruêra (com um show que hipnotizou a audiência), Superguidis, muita gente lá…

Cerca de 40 minutos para subirmos no palco, já com os instrumentos no camarim e em meio à correria reinante, fomos convidados para uma entrevista ao vivo via web. Acho que foi a única vez em que não falei numa ocasião assim e fiquei muito feliz com isso… Nos reunimos num círculo juntamente com Fabrício Nobre, que passava por lá na hora e demos aquela energia para o show: palco!

Os Vespas Mandarinas começaram espetacularmente com a sua “Sem Nome”, e o público reagiu bem. Seguiram com “Live Wire”, petardo do 1° disco do AC/DC. E assim continuaram até que Chuck falou: “Fabão!”. Subi ao palco energizado pelo que eles já haviam tocado.

Chuck disse: “Espero que vocês gostem de punk rock…”, e deu a indicação para que eu puxasse a canção a seguir. Fui com tanta sede ao pote que disse “Ok, vamos lá!” e, ao invés de tocar “Rosemary”, escolhida para ser a primeira música da minha participação, engatei “Ele, o Super-Herói”! Oh, não! Oh, sim! Errei feio… Mas o clima era de muita partilha, muita entrega, fui perdoado pelos olhares de Mike, Mauro, Chuck e Thadeu, que sorriram e pararam para recomeçarmos…

“Rosemary”, “Retroceder” (da qual esqueci a harmonia e com a qual mais me diverti ali no palco, a única coisa que fiz foi dançar e fazer pose de “guitar hero”), “Mesmo Eu Estando do Outro Lado” (com uma galera cantando junto), “O Inimigo” (sem dúvida a mais impactante música do repertório), “Ele, o Super-Herói” (finalmente, no lugar certo…) e “Rádio Blá”, num clima rock steady/ska/Stones/festa geral, deu o enlace final dessa apresentação. Todos dançando, todos dançaram… Descemos numa confraternização sincera. Recebemos o abraço de todos e o aplauso da moçada.

Pode não ter sido o melhor show do festival e nem era pra ser. Mas certamente foi o show onde todos se encontraram: banda, convidado, público e organização em torno do sincero amor à música.
Valeu, Vespas Mandarinas! Valeu, DoSol! Até a próxima.

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Os Vespas Mandarinas

quinta-feira, 11 novembro 2010 - postado por fabiocascadura

São quatro caras. Três de São Paulo e um do Rio Grande do Sul. Mas, dentre os paulistas, há um potiguar, que se criou no interior do estado de SP. São todos de grande talento musical, no criar e executar, vindos de outras bandas que já deixaram seus nomes na história do rock e da música do Brasil nesse século.

Mauro Motoki, nissei, sansei, não sei… Descendente de japoneses, é compositor, multi-instumentista e faz parte do Ludov. Toca baixo e canta nos Vespas Mandarinas.

Thadeu Meneghini, fundador e líder do grupo Banzé!, que se separou há pouco tempo. Toca sua Les Paul com destreza, canta e dança… Mestre em todas essas artes. A faixa “O Inimigo”, da qual participamos eu, Jajá (da Vivendo do Ócio), Pitty, Nasi (do IRA!), dentre outras figuras do rock nacional, é uma composição sua.

Chuck Hipolitho, saído da Forgotten Boys, já foi diretor de programas da MTV. Pilota uma Fender Telecaster, é o pai da Nina e um rockstar legítimo.

Michel Vontobel (Mike), vindo da banda gaúcha VideoHits, mora em Porto Alegre e sempre se desloca para Sampa quando tem que ensaiar com o grupo. Tira um som muito peculiar da bateria e anda sempre sorrindo.

A música do Vespas Mandarinas soa como rock, mas está para muito além disso. A conexão com o contexto pop é muito evidente. As canções têm presença própria, cada uma, seu universo particular. A combinação de informações trazidas pelos músicos/parceiros dá ao seu repertório uma diversidade que demora a aparecer. O clima é de partilha e diversão. Ela foi formada para ser uma banda/projeto paralelo, mas parece estar assumindo o controle dos dias de cada um deles como músicos.

Entrei num estúdio com os VM e fui contaminado. Minha intenção era não atrapalhá-los no show e eles pareciam me pedir exatamente isso: “Atrapalhe-nos!”. Me senti à vontade no primeiro instante. Já conhecia o Chuck e o Thadeu, grande amigos, generosos e amáveis, mas, sei lá… na música, a mecânica costuma ser outra… Podíamos, a despeito da amizade, não combinar tocando juntos: mas nos demos bem, nesse caso.

Havíamos combinado de tocar: “Ele, o Super-Herói!”, “Mesmo Eu Estando do Outro Lado” e, por sugestão deles, uma inédita: ofereci “Rosemary”. Das deles, eu participaria de “Retroceder” e, lógico, “O Inimigo”, além de uma surpresa.

Enquanto passávamos o som no Estúdio 500, um puta complexo com várias salas para gravações e ensaios que fica no bairro do Morumbi (São Paulo), Chuck puxou a introdução de “Rádio Blá”, do Lobão. Ora! Essa música fez parte do repertório do CASCADURA durante parte da turnê Bogary: fui atrás. Todos nós fomos! E, assim, ela acabou entrando como elemento surpresa no show.

Ensaiamos por SEIS horas seguidas! Acho que desde que tenho 19 anos que não passo por uma sessão de ensaio tão extensa. Mas valeu! Terminamos satisfeitos. Foda foi sair e encontrar a confusão na Avenida Morumbi, com o engarrafamento de carros e fãs que iam ao show do Black Eyed Peas no estádio do São Paulo FC, que leva o mesmo nome e fica no final da avenida.

Deveríamos ter ido ao show do grupo paranaense Nevilton, que se apresentou naquela noite de quinta-feira no Studio SP, casa que fica na Rua Augusta, mas estávamos todos cansados e fincados na viagem de seis horas que faríamos no dia seguinte, rumo à capital potiguar.

O show, no sábado, foi espetacular. Uma das mais intensas experiências que já tive num palco. Poucas músicas e muita entrega. O público respondeu muito bem à nossa junção e nos divertimos todos juntos.

Ao final, ficou aquela sensação de “vamos fazer novamente?”.
Tomara que logo…

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Outra viagem no meio de tudo – São Paulo

quarta-feira, 10 novembro 2010 - postado por fabiocascadura

Mais uma vez, me afastei de Salvador durante esse processo de construção do Aleluia. Mas por um motivo muito, muito nobre, que me levou a uma experiência ainda mais surpreendente.

O propósito inicial seria participar da apresentação da banda Vespas Mandarinas (SP), composta por grandes amigos meus. O convite foi feito pelo organizador do Festival DoSol, de Natal/RN, Anderson Foca.

Eu já havia ido com o CASCADURA até lá, em 2008, numa das participações mais legais que já fizemos num evento dessa natureza. O caso foi que, ao visitar os Vespas Mandarinas em Sampa, num ensaio, para convidá-los a irem ao DoSol, Foca os ouviu tocar uma das músicas do Bogary e pensou que, como havia uma amizade entre nós e uma conexão artística muito óbvia entre as duas bandas, seria uma boa ter-me com os VM, no show deles lá no RN. Feitos os convites, convites aceitos!

Um ou dois e-mails e havíamos combinado quais músicas tocaríamos juntos e como seria a dinâmica da apresentação. Decidi, então, que iria a São Paulo, onde reside o núcleo da banda, uns dias antes, para ensaiarmos tudo. Aproveitei para visitar outros amigos da capital paulista, onde já morei com o CASCADURA e onde concebemos o Bogary.

Não posso deixar de falar que alguma coisa acontece no meu coração, que só quando chego na Augusta e encontro Duda Machado! Eu estava acompanhado do famoso Rodrigo “Minha Pedra”, outro “baulista”, hoje produtor da equipe de Pitty e que, generosamente, me hospedou em seu apartamento nesses dias. Duda havia ligado para ele, chamando-nos para um almoço na casa de sua irmã, a estilista Bia Machado, que reside na mesma rua. Era meio-dia!

“Meu querido Cascadura! Como vai?!”, deu-me uma abraço apertado. Trazia nos ombros Tomaz, seu afilhado de 3 anos e filho de Martin. Também estava acompanhado de Clara, sua namorada.

Caminhamos alguns metros e paramos na porta de uma lanchonete porque Tomaz queria uma água de côco. Como a balconista não tinha troco, Duda virou-se para mim e perguntou: “Cascadura, meu caro, já te ofereceram uma cervejinha hoje?”. “Rapaz!… É meio-dia!”, respondi. “Eu tô ligado… Já meio tarde e você com sede…”, já ia virar-se para pedir as cervejas e eu arranjei o dinheiro trocado para o côco de Tomaz e seguimos para o almoço.

Foi ótimo!
Reencontrar amigos que conhecemos à intimidade e que não vemos a toda hora é uma experiência muito excitante.

A todos, sou extremamente grato: Martin, Duda, Minha Pedra, Pitty, Luiz César, Telma, Rodrigo Lima, Sérgio, Spencer, Anna, Alê, Malásia, Chuck, Thadeu, Mauro, Mike… Isso, só em São Paulo! Ainda viria Natal, no Rio Grande do Norte, com seu festival DoSol e outros amigos do peito, de outros recantos, de todo o Brasil.

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Fábio Cascadura no Festival DoSol

domingo, 03 outubro 2010 - postado por assessoria de imprensa

O Festival DoSol, um dos mais importantes do país, que acontece há dez anos em Natal/RN, anunciou sua grade para este ano. Dentre as atrações, está o show de lançamento da banda paulistana Vespas Mandarinas, formada por ex e atuais membros de bandas como Ludov, Forgotten Boys e Banzé!, que vai contar com a participação de Fábio Cascadura.

O convite surgiu a partir do curador do Festival, Anderson Foca, que assistiu a um ensaio dos Vespas, onde eles tocaram a canção “O Centro do Universo”, do álbum Bogary, do CASCADURA. Ali, o produtor potiguar imaginou, em um show, a “união dos mais talentosos compositores de rock do Brasil”: Mauro Motoki (Ludov), Thadeu Meneghini (ex-Banzé!), Chuck Hipolitho (ex-Forgotten Boys) e o cantor do CASCADURA, Fábio.

Para essa apresentação especial, serão ensaiadas canções do disco de estreia do Vespas Mandarinas, prestes a ser lançado (e que também tem a participação de Fábio Cascadura na parceria de composição com Chuck Hipolitho na canção “Cuide dela”, e cantando na música “O Inimigo”, da qual também participam outros ícones do rock brasileiro como Pitty, Fabrício Nobre e Khoala, do Hateen), e músicas do CASCADURA.

O show acontece na segunda noite do Festival, dia 6 de novembro.

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