Fábio Cascadura participa do novo DVD de Pitty

sábado, 11 dezembro 2010 - postado por assessoria de imprensa

Cantor faz dueto com a conterrânea na música “Sob o Sol”, em gravação ao vivo que acontece em 18 de dezembro no Circo Voador (RJ)

Lançado em 2009, o disco “Chiaroscuro”, de Pitty, depois de ter gerado o DVD “Chiaroscope”, com o making of das gravações, agora vai render um registro ao vivo. O show a ser realizado no próximo dia 18 de dezembro (sábado), no Circo Voador, no Rio de Janeiro, pretende ecoar o conteúdo deste álbum que é um marco na carreira da cantora. Neste momento especial, Fábio Cascadura, líder da banda baiana Cascadura, estará presente: ele vai cantar com Pitty a canção “Sob o Sol”, uma composição feita pela própria dupla.

Parte do DVD “Chiaroscope” e do compacto de “Me Adora”, que será vendido exclusivamente no dia do show no Circo, em vinil de cor especial (variações de preto e branco), “Sob o Sol” é a primeira criação em conjunto dos amigos – uma realização que concretiza o encontro de dois dos mais importantes nomes do rock da Bahia.

Além de Fábio Cascadura e da banda oficial (o guitarrista Martin, o baixista Joe e o baterista Duda), o novo DVD vai contar com a participação do tecladista Brunno Cunha (Caixa Preta) e de Hique Gomez (Tangos e Tragédias), que toca violino em “Água Contida”. Segundo Pitty, este será um trabalho “mais roots, diferente do anterior, com uma pegada mais direta, inclusive privilegiando lados B da minha carreira”, explica.

“Sob o Sol” – Na casa de Pitty, Fábio Cascadura cozinhou um caruru para um jantar de festa – e foi lá que, entre um assunto e outro, surgiu a conversa de escreverem juntos. “Pitty é minha amiga há bastante tempo, mas nunca havíamos cogitado a possibilidade de fazer uma canção juntos”, conta Fábio, também em referência ao fato de que, além de terem compartilhado a cena musical baiana na década de 1990 e de terem dado seguimento sólido ao rock local, os músicos que integram as duas bandas (a de Pitty e o Cascadura) têm histórias costuradas: Thiago Trad, baterista do Cascadura, tocou com Pitty no Inkoma; e Martin Mendonça, Joe e Duda Machado já passaram pelo Cascadura.

“Naquela noite, conversamos sobre Salvador, suas possibilidades, reais alegrias e mazelas… Aí, ali mesmo, ao redor da mesa, nos propusemos, quase que simultaneamente, a escrever algo falando disso”, lembra Fábio. Alguns meses depois, a ideia foi posta em prática e eles fizeram um rock misturado com bolero. “Criei o riff a partir do desejo de compor um bolero mesmo. Virou um rock com embalo ‘abolerado’. Ou seria um bolero pesado?”, ele tenta definir.

Na letra, a capital da Bahia, tão bem conhecida por ambos, se apresenta em suas riquezas e tristezas – sobretudo na relação de descaso que há para com ela e a desfaçatez de quem deveria ter o compromisso de torná-la uma cidade mais justa para os que aqui vivem. Fábio resume: “Salvador definha a olhos vistos, sem que nem mesmo nós, soteropolitanos, tomemos a frente para colocá-la numa condição menos indigna… Ao menos para que ela não fique tão só”.

“Sob o Sol” foi gravada nas sessões do álbum “Chiaroscuro”. Não entrou no disco, mas apareceu no DVD “Chiaroscope”, chegando ao público e aos shows da turnê de Pitty. Foi esse público que tornou a canção relevante de fato. “Agora, toda essa trajetória vem desaguar na minha participação na gravação do DVD, o que é uma honra para mim. Há da minha parte uma alegria enorme pela canção ter chegado a esse destaque. E, antes de mais nada, esta será uma celebração ao lado de grandes e bons amigos”, conclui Fábio.

SERVIÇO
SHOW: PITTY – GRAVAÇÃO DO DVD
Quando:
18 de dezembro (sábado), 21 horas
Onde: Circo Voador (Rua dos Arcos, S/N, Lapa – Rio de Janeiro/RJ)
Quanto: R$ 50 (inteira); R$ 25 (meia)
Vendas: www.ingresso.com

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O Rei do Olhar

terça-feira, 22 junho 2010 - postado por fabiocascadura

Marcamos às 9 horas. Eu cheguei 9h15, mesma hora que Jô Estrada: andré t nos esperava para começarmos o dia de gravação. Sexta-feira, 18 de junho.

Tínhamos algumas baterias que foram registradas no “esquema teste” e que, de tão boas, acabaram sendo adotadas como oficiais para trabalharmos: deu-se o start no Aleluia!

Sugeri a gravação de um tema bem pesado: então, vamos começar pelo peso… Tive a ideia dessa música a partir de um instrumento em especial: uma baritone guitar.

O que é uma baritone guitar?
Trata-se de uma guitarra barítono, ou seja, uma guitarra mais grave que as normais. Tem seis cordas, seu aspecto é bem similar ao das guitarras convencionais. Mas ao invés de afinada em E (mi), ela é afinada em B (si), três tons e meio abaixo. Tem gente que confunde com a famigerada guitarra de sete cordas ou ainda com guitarras convencionais afinadas em tons mais baixos. Mas uma guitarra assim pode ter sua afinação abaixada até C (dó), no máximo. Aqui estamos falando de mais um semitom… e com segurança (sem as variações/ desafinações que ocorrem com cordas folgadas). A tensão nela é perfeita.

Esses detalhes talvez não façam tanto sentido para quem não é músico. Mas, como disse, foi a partir desse instrumento que me veio a ideia da canção…

andré havia feito uma viagem de passeio à Europa. E quando andré vai a algum lugar, ele precisa, muito, conhecer as lojas de instrumentos musicais da localidade. Tanto faz se estiver em Paris ou Boquira! Ele irá pesquisar se há algum apetrecho de uso musical que ainda não tenha e que precise conhecer… e levar consigo. Sua esposa que o diga.

Antes de ele fazer essa citada viagem, conversamos justamente sobre baritone guitar. Na volta, ele apareceu com uma, modelo Danelectro, que comprou na França… sei lá… Me emprestou por uns dias para que eu conhecesse o instrumento, já que eu nunca havia tocado um. Pimba! Veio o riff!

Depois, percebi que é meio “filho” da linha de baixo daquele sucesso do U2: “New Years Day”. Danelectro baritone guitar + pedal Rat Proco + amplificador Fender Bassman valvulado! Vixe! Riff em C (dó), música em G (sol). Certeiro!

Mostrei a andré e foi essa música que tocamos para Thiago Trad “acertar o som de uma bateria”. Ele apareceu com uma célula rítmica totalmente diferente da que eu havia imaginado, ainda que, devido a nosso entrosamento, desenvolvesse o que chamamos de bridge (ponte) e o refrão de forma muito similar ao que pensava. Mas a condução e a dinâmica da parte A (aquela onde desenvolvemos a historinha das letras) veio com muitas novidades e, ao mesmo tempo, impregnada de referências que curtimos.

Na sexta, fomos completar esse arranjo.
O baixo foi executado por Jô, coisa que ele fez em canções como “Senhor das Moscas”. Sugeri uma marcação com jeito de bolero… É! Be-o-Bó-lê-é-Le-rê-o-Ro! Bolero!

Se ligue: rock e bolero andam juntos, all the time! De “P.S. I Love You”, do 1° disco dos Beatles, a “Mesmo Eu Estando do Outro Lado”, tudo é bolero! O bolero é a grande força rítmica que ocupa o ocidente. Herança africana, muito bem desenvolvida no Caribe a partir de um toque dos cultos yorubanos trazidos pelos escravos dessa etnia (alguns chamam esse toque “tanimobé”, aqui na Bahia também chamado “arrebate”), sua presença no rock deu-se via Rhythm’n Blues dos anos 50, em exemplos como “You Better Move On”, do grande Arthur Alexander (regravada pelos Rolling Stones no começo da carreira; aliás, os Beatles também interpretaram coisas desse cara genial, como “Anna (Go to Him)”, também bolero) e “Stand By Me”, sucesso de Ben E. King.

Não esquecer que isso que chamam de “arrocha” nada mais é que uma leitura própria e peculiar sobre esse mesmo ritmo: bolero! Um exemplo massa que acho é o da música “Shama Lama Ding Dong”, incluída na trilha sonora do filme “Animal House” (em português, “Clube dos Cafajestes”), constante presença nas programações vespertina das TVs, interpretada pelo grupo Otis Day and The Knights.

Reproduzimos o baritone guitar, também executado por Jô Estrada, com a mesma filosofia que usei na demo que registrei no meu celular (é isso mesmo: assim que tenho uma ideia, registro-a de imediato no celular e depois vejo se vale a pena ser trabalhada ou não).

Ainda como reforço e somente para termos como alternativa no momento da mixagem, foram gravadas algumas dobras de guitarra, usando distorção bem convencional, mas num timbre todo especial descolado por andré t: ficou pesadíssimo! Em tempo, conta muito o fato de quem executa e quem grava: Jô Estrada e andré t.

Terminamos o dia de sexta bem satisfeitos, às 16 horas, porquê Jô e andré precisavam ensaiar com Messias, com quem tocam e com o qual farão o show de lançamento do excelente disco da estreia solo do líder da brincando de deus. O show acontecerá dia 30 de junho, na Igreja da Barroquinha (templo que, aliás, tem muito a ver com o projeto desse disco do CASCADURA… depois eu conto). E lá se foram: continuaríamos no sábado.

Sábado, 19 de junho, 9 horas: chegamos ao estúdio t.
Fomos recebidos por um entusiasmado andré t, que desde as 8 horas (!) mexia em um módulo de sintetizador – uma intervenção que a princípio me causou estranheza, confesso, mas que logo foi assimilada, apoiada e aplaudida! Uns arremates de guitarra e só restava gravar a voz.

Parêntese: ainda que saiba sobre o que a música irá falar, o tema, ainda não tenho uma letra completa. Somente o esboço do que virá a ser o texto dessa que já é a primeira música pronta do Aleluia. Sei que a canção tratará de uma analogia entre um ilusionista/ charlatão/ mágico e a mídia. Fala sobre o fato de “o truque do mágico só funciona se a plateia quiser acreditar nele”. Seu título: “O Rei do Olhar”.

P.S.: Depois da gravação de sábado, fomos os três nos recolher e descansar para um compromisso muito importante que teríamos naquela noite e que aponta para o motivo pelo qual Thiago Trad esteve ausente dessas duas sessões: sua união com a sua amada! Agora, Thiago é um homem casado! Tudo de melhor para ele.

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