CASCADURA lança primeiro single do álbum Aleluia

segunda-feira, 18 julho 2011 - postado por assessoria de imprensa

Banda libera download de Colombo, canção do quinto CD de carreira, com texto de apresentação assinado pelo publicitário Pedro Tourinho

Nesta segunda-feira, 18 de julho, o CASCADURA oficializa o lançamento da primeira música apresentada do seu quinto álbum, Aleluia. A canção Colombo, composta por Fábio Cascadura, está liberada para audição e download aqui no site.

Além de Fábio Cascadura (voz, vocais), Thiago Trad (bateria, tambor mourisco, tarol medieval), andré t (baixo, piano elétrico) e Jô Estrada (guitarras), Colombo conta com a participação especial do pernambucano Siba Veloso na rabeca (leia mais aqui). A música, que representa um imaginado ato de contrição de Cristóvão Colombo (leia mais aqui), é uma das 50 finalistas do IX Festival de Música Educadora FM, da Rádio Educadora FM da Bahia, e está sob votação de internautas para seleção das 14 vencedoras.

Assim como o conceituado Bogary (2006), o novo trabalho é produzido por andré t, coproduzido por Jô Estrada e está sendo gravado no estúdio t, na capital baiana. O Aleluia, que está em fase de finalização, vai ser um álbum duplo, com 22 faixas, e busca o conceito viável que justaponha a personalidade artística do grupo e um discurso novo, que dialoga com as mais diversas esferas da cultura da cidade de Salvador. A produção conta com financiamento conquistado através do edital Apoio à Produção de Conteúdo em Música, da Fundação Cultural do Estado da Bahia (FUNCEB), instituição vinculada à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia.

COLOMBO

Por Pedro Tourinho*
Nesta semana começa a se desvendar para o grande público o álbum Aleluia, novo trabalho do CASCADURA, totalmente baseado em Salvador. Sua sonoridade, assim como suas composições, são fruto de um grande processo de entendimento da síntese desta cidade que, tendo sido fundada como destino de grandes embarcações, culturalmente acabou por tornar-se origem de grandes jornadas.

CASCADURA desde sempre entendeu isso, com seu Rock com a cabeça no mundo e os pés fincados no Rio Vermelho. Em Aleluia, enquanto a maioria dos navegantes fita os olhos no horizonte, CASCADURA nos propõe uma viagem de volta ao porto. E sua primeira faixa, Colombo, disponibilizada para o público hoje, cumpre a responsabilidade de dar o tom da jornada.

A marcação disciplinada da bateria e percussão de Thiago contra as ondas dos acordes precisos da guitarra de Jô. A intensidade étnica do estalar da rabeca de Siba Veloso. A vitalidade e energia da chegada de andré t. O vocal rústico e solitário de Fábio, quase um aboio. Colombo vem com a força do desatracar de um navio em seu próprio porto.

Se todo porto é a síntese da jornada dos que lá desembarcam, Salvador, que já nasceu porto, representa um mundo inteiro, diverso. E Colombo traz esta sensação de ânsia dos viajantes em materializar o desconhecido. Afinal, de uma forma ou de outra, todos que aqui chegaram, negros, portugueses ou mulçumanos, também estavam descobrindo a América.

Fábio me diz que Colombo é a faixa com formato menos comercial do disco, mas ao mesmo tempo a música não sai da minha cabeça desde o momento em que a ouvi. Modéstia. Colombo é uma música em três atos, melodia forte e simples, legítima representante nagô na escola de Sir. Paul.

A jornada da nossa vida é um ciclo sem início. E, em Aleluia, CASCADURA estabeleceu como destino exatamente o nosso ponto de partida. E como não poderia deixar de ser, entre letras e versos, já na primeira faixa do disco, pesco a conclusão do fim da viagem: “Nós somos isso, nós somos risco, somos mal e bem… Só não somos Deus”.

* Pedro Tourinho é publicitário, especialista em entretenimento e mídia. Diretor de Criação da Agência New Content. Formado pela UCLA (Califórnia/EUA) em Estudos de Entretenimento e Mídia. Soteropolitano, mora em São Paulo/SP.

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Um guia na rabeca

domingo, 10 abril 2011 - postado por fabiocascadura

Já falamos aqui da música “Colombo” (inclusive postamos um vídeo da gravação), das implicações dela fazer parte do Aleluia e do diálogo que ela estabelece com outras músicas, como “Os Reis Católicos”.

Bom, há pouco recebemos no estúdio a colaboração de um músico que muito admiramos e que veio a Salvador única e exclusivamente para deixar sua contribuição e sua marca em “Colombo”: Siba Veloso!

Siba é pernambucano, de Recife. Apareceu para a música brasileira através de seu antigo grupo, Mestre Ambrósio. Em paralelo a outros expoentes (como o também pernambucano Antonio Nóbrega), trouxe à baila um instrumento muito antigo, seminal, que estava, vamos dizer, relegado a uma discrição um tanto maior do que ele realmente merecia: a rabeca.

O Mestre Ambrósio conquistou espaço por seu modo particular de articular cultura popular nordestina e elementos da música pop moderna, numa dose equilibrada e mostrando novas possibilidades para ambos os recursos. Os vi tocar ao vivo no Abril pro Rock, lá em Recife, em 1995, quando da participação do (Dr.) CASCADURA nesse famoso festival. Excursionaram o mundo e, mais adiante, interromperam sua trajetória. Siba então foi morar na Zona da Mata de Pernambuco, e lá formou o grupo Siba e a Fuloresta, com o qual, até bem pouco tempo, vinha trabalhando. Na companhia de verdadeiros mestres da cultura popular da região, ele cantava e dava vazão a recitais de poemas populares.

Hoje ele prepara um novo projeto, em que retorna ao seu instrumento de origem: a guitarra. Bom, mas ele veio para tocar a rabeca! Logo em sua chegada, o cercamos transbordando de curiosidade sobre o instrumento, sua tecnologia, sua execução e sobre aquele que o executaria… Siba nos deu uma noção ampla sobre todos esses detalhes e mais: tocou!

Tocando, ele mostra a tamanha intimidade com aquele instrumento medieval, desenvolvido na Europa (mais ainda na Península ibérica) a partir da influência moura (islâmica): eram os tempos das Cruzadas. “Vixe! Faz tempo que não toco rabeca… Tenho me dedicado mais ao estudo da guitarra para o meu novo projeto…”, disse isso em contraposição àquela demonstração de destreza com a rabeca no colo.

Falamos da canção e ele, em um lance só, entendeu. Discorremos sobre isso ou aquilo que ela poderia ser, mas Siba é preciso e culto, inteligente. Num espaço muito breve de tempo, deu à música muito mais do que imaginávamos que seria. Ficou sensacional!

Nordeste brasileiro, Península Ibérica, Norte da África, Salvador Medieval… Pelas mãos de Siba, através dos sons que tirava da rabeca, tínhamos uma aula de geografia histórica… Nos perdemos e nos achamos naqueles instantes dentro do estúdio! O guia era Siba Veloso.

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Colombo (vídeo)

segunda-feira, 09 agosto 2010 - postado por fabiocascadura

Vídeo com desenvolvimento parcial do arranjo para a canção “Colombo” (Fábio Cascadura).
Thiago Trad (percussão), Jô Estrada (guitarra) e andré (direção de estúdio).

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Colombo

segunda-feira, 09 agosto 2010 - postado por fabiocascadura

Foi o engenho de um homem, que soube vender sua ideia para quem detinha os meios de produção, ou melhor, de navegação! Os reis católicos, de olho na corrida para a chegada à Costa do Malabar, que tinha na dianteira o reino de Portugal, investindo pesado na tecnologia de amarração… Como? É isso aí! A diferença na capacidade de se navegar grandes distâncias no século XV da era cristã era a forma de se dispor (amarrar) as velas. Aí, Portugal criou a nau! Não anal.

ColomboTodo mundo sabe da história de Colombo (genovês e não espanhol) chegar até o rei lusitano para vender o peixe e sair com as mãos abanando e depois expor seu projeto a Fernando de Aragão e Isabel de Castela, os reis católicos do novo reino da Espanha, que, com o apoio dos banqueiros florentinos, patrocinaram a viagem rumo ao oeste pelo “mar tenebroso”: abriu-se o Atlântico.

Ele não chegou às Índias, ao menos às que achava, até a morte, ter chegado. Chegou a outras, trazendo a dominação, a peste, novas formas de preconceito, exploração e escravidão: o feito histórico sofisticou a crueldade.

Por um lado, o bem; pelo mesmo, o mal! As Américas (o nome do continente nos leva a uma história de “plágio” à parte; o genovês teve que se contentar em batizar o país da Shakira) foram achadas e pronto! Colombo passou o resto da vida muito mais preocupado em provar para o mundo e para si mesmo que não estava enganado e tinha realmente chagado às Índias, das especiarias, e não a outro lugar (prestação de serviço é um negócio é foda!); sequer pensou se o povo que estava naquele pedaço de chão gostou da chegada dos europeus, se curtiu a ideia de ser forçado a mudar de costumes, perder as possessões, ver suas tradições serem “elevadas” à categoria de bestialidades… Enfim! Ele não deve ter pensado no “bom selvagem”… Muito menos no verdadeiro homem americano, hoje chamado pré-colombiano.

O legado disso ta aí… Os descendentes dos donos dessa terra não são reconhecidos como tal e quando há uma proposta da sociedade em posicioná-los numa reserva, tem quem grite: “Mas é muita terra pra plantar o que comer! Isso é latifúndio”. E geralmente quem dá esse grito é o latifundiário, que, geralmente contamina os setores conservadores ou desinformados da sociedade.

Bom… Colombo… (Putz…)
Mesmo imaginando que não passou em qualquer segundo o pensamento de ter, via seu engenho e sua soberba, “fudido” com a vida dos que hoje chamamos índios, imaginei um ato de contrição de Cristóvão Colombo, à véspera de descer à praia que batizaria São Salvador (antes da nossa cidade), nas Bahamas.

Nesse ato em que vê o Novo Mundo como espelho do próprio destino, ele diz:

Antes que eu pise o chão
O que farei amanhã
Penso no quanto longe cheguei
Pra outros tantos isso nem existe

Todo resto que herdei
Soberbo, doutor me fez
Sem papel novo, só ambição
De chegar onde somente eu quis ir

Agora qualquer sensação fajuta me faz chorar de emoção
Agora qualquer sensação fajuta nos faz chorar de emoção

Loucos para cá virão
Aventureiro, ladrão
Sermões e servos, escravidão
Os daqui saberão o que é ser triste

Agora qualquer sensação fajuta me faz chorar de emoção
Agora qualquer sensação fajuta nos faz chorar…

Mas se há um risco que eu deva correr
Pode crer que eu correrei
Se há ali na praia o que ainda não sei bem
É pra lá que eu irei
Como um rio, com um riso, como quem crê
De lá eu gritarei:
Nós somos isso, nós somos risco, somos mal e bem
Só não somos Deus

Logo, onde há o que comer
Restará nada a dizer…
Será só corpo e solidão
Pros que hoje se acham livres

Agora qualquer sensação fajuta me faz chorar de emoção
Agora qualquer sensação fajuta nos faz chorar de emoção

“Colombo” (Fábio Cascadura)

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