Já era hora: CAPA!

terça-feira, 11 outubro 2011 - postado por fabiocascadura

Hummm… Quanto tempo sem vir postar algo aqui! Pois é… Mas não é por falta de assunto, e sim de tempo! Nesse período, foi uma viagem de descanso com a amada, alguns shows do CASCADURA retornando aos palcos e muita coisa do “Aleluia”. Fora o corre-corre de sempre…

Chego agora para falar do trabalho que vem sendo realizado por algumas pessoas muito talentosas e que, apesar de não demandarem diretamente um fazer musical, darão muito para a identidade do nosso novo disco: a capa!

Já falei aqui que a ilustração dessa parte do “Aleluia” foi feita pela talentosíssima dupla de artistas visuais Izolag e Ananda Nahu. Mais especificamente disse de como chegamos até eles e como eles se dispuseram a vir a Salvador construir um painel onde estaria estampada a imagem que constará na capa do álbum.

Citei apenas, mas não descrevi o que de fato foi feito por eles. Então! Eles pintaram um belo painel de lona (a ideia inicial era reciclarmos lona de caminhão usada, o que mostrou-se pouco eficiente, devido ao peso do material e indisponibilidade dos profissionais da estrada em se desfazer de certas quantidades dessas lonas) com a técnica que os notabilizou mundo afora: o stencil.

São formas e expressões que pulam em cores, dando uma mensagem significativa daqui que, através da música, buscamos apresentar nesse novo lançamento. Para nós, o “Aleluia” está para além de uma obra musical e eles entenderam isso. Tomara que nosso objetivo maior seja atingido e os que se dispuserem a escutar e debater com o resultado final entendam isso.

Feita a ilustração, chamamos para dirigir a construção do que será a embalagem do disco aquele em quem confiamos mais no que diz respeito à arte visual: o designer Ricardo Ferro. Ferro é mais que designer. Parece um clichê, mas não é. E deixe-me explicar.

Minha relação, de amizade e artística, com ele, começou no final dos anos 1980. Éramos estudantes da antiga Escola Técnica (no Barbalho) e com amigos comuns que nos apresentaram. Dividíamos o gosto pelo rock dos anos 50, pela poesia, pelo cinema juvenil daquela época e pelo cinema de todos os tempos. Ricardo é de um humor constante e uma alma rica com inteligência ligeira. Nos tempos da nossa adolescência, chegamos a tentar reunir isso tudo num fanzine que naufragou no seu primeiro número. Chamava-se BOP e seu maior mérito era que quem desenhava era o Ricardo Ferro. Nunca escondi que o achava um dos meus desenhistas favoritos. Mas, ao menos naquele tempo, ele rejeitava esses louros, que sempre julgou excessivos: modesto! Sou e sempre fui fã dele.

Nesse momento, chegamos a ter uma convivência cotidiana (por conta da escola também) e nominamos o grupo do qual fazíamos parte, com outros tantos colegas, como Joe (ex-CASCADURA e hoje com a Pitty), de Ugly Boys and The Moondogs. Queríamos ter uma espécie de “gang cultural”. Daí a criação de um fanzine, de uma banda (Os Feios) e tudo o mais.

Ferro se encanta pela música. Está sempre com a música. Quis cantar e não deu, quis a guitarra e ela ficou num canto qualquer de seu depósito. Ficaram uma ou duas canções que escrevemos em parceria, das quais nem lembro direito como são e que o próprio Joe deve lembrar melhor que qualquer um de nós.

Bem, nossa amizade seguiu, mesmo quando ele foi morar em outro estado por quase dez anos. Muito por conta dele, que sempre procurou me manter em contato. Amável, Ricardo Ferro é um amigo que sabe ser amigo. Eu tenho sorte. Pois é esse cara, que na verdade tem muitas outras qualidades e talentos, que vem dirigir a arte para capa do “Aleluia”.

No que tange as suas múltiplas habilidades, lembro de quando ele me contou que estava fotografando e me mostrou seus primeiros estudos nessa matéria: era coisa de gente grande! Sabe a capa do DVD Efeito Bogary? Foi ele quem fotografou e dirigiu. Aquilo é uma construção inteira do cara, com uma ou outra sugestão minha… Sabe o “galinho” do Bogary?… Ricardo Ferro Design! Agora, você que conhece, diga que nunca ficou espantando com a qualidade do desenho…

Demos a ele a lona pintada por Izolag e Ananda. Convidamos, com a aprovação dele, o renomado fotógrafo Ricardo Prado. Numa tarde, os dois, assessorados pelo produtor Jorginho Falcão, que faz a assistência geral de produção executiva desse trabalho, fotografaram as “chapas” para a confecção da capa do “Aleluia”. E tenho tudo documentado pelo habilidoso Léo Monteiro para um making of.

Ainda não vi nada, não sei muito… Mas sei que mãos valiosas, corações apaixonados pelas artes e mentes brilhantes farão jus à nossa intenção de dar beleza e reflexão a quem se deparar com esse disco.

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No meio disso tudo, um Desafio… das Bandas!

sexta-feira, 06 maio 2011 - postado por fabiocascadura

Um convite feito pelo pessoal do marketing do Grupo A Tarde me colocou novamente em contato com o projeto Desafio das Bandas – novamente porque, em sua 1ª edição, o CASCADURA participou com duas apresentações especiais no evento.

Dessa vez, eu passei para o posto de Mestre de Cerimônias da jornada que pretende escolher uma dentre tantas bandas iniciantes no cenário musical soteropolitano. A proposta do Desafio das Bandas é revelar talentos.

Isso de fato aconteceu na 1ª edição: a banda vencedora foi a Maglore, que hoje faz uma trajetória muito bacana, já com seu álbum de estreia, “Veroz”, construindo um caminho bonito.

Mas, além da proposta de apresentar cada eliminatória que acontece no Groove Bar, além da grande final, onde sairá a vencedora da disputa, fui chamado para apresentar um show especial com composições minhas: seria um show solo de Fábio Cascadura. Inédito!

Chamei para o apoio dois camaradas da minha mais alta estima, dois grandes amigos: Thiago Trad, que todo mundo sabe quem é, e Ivan Oliveira, um dos melhores baixistas de rock que conheço, que já fez parte do CASCADURA e da Úteros em Fúria.

Ensaiamos um repertório onde constavam composições que escrevi e acabaram sendo gravadas por outros artistas amigos (“Não É Só uma Noite”, por Endy; “Coração de Maria”, pelo Aguarraz, e “Sob o Sol”, parceria minha com Pitty, gravada por ela mesma), outras inéditas mesmo, como “Colhendo Tempestades”, que escrevi em parceria com o brother Thedy Corrêa, do Nenhum de Nós, numa leva que ainda teve a balada “Pequena”, que agora consta no novo disco da banda gaúcha, “Contos de Água e Fogo” (2011). Nunca tinha mostrado essa canção antes…

Não poderia apresentar minha coleção de canções sem citar as que fazem parte do vasto repertório do CASCADURA. Assim foram “Sexta-Feira” (a música mais antiga que escrevi e ainda toco), “12 de Outubro”, “Não Posso Julgar Ninguém”, “Mesmo Eu Estando do Outro Lado” e outras. Guardei um espaço para uma música que não é minha, mas faz muito a minha cabeça: “Anything that’s Rock’n Roll”, de Tom Petty. E encerramos com “Queda Livre”.

Foi uma experiência única e deu pra matar um pouquinho da saudade de subir num palco e cantar com a moçada. Aliás, o público foi sensacional: muito carinhoso, respeitoso e participativo. Agradeço a essa gente que vai de coração aberto tornar a festa ainda mais bonita.

Depois que desci, deixei o palco para a moçada da Maglore, aquela banda que começou no mesmo Desafio das Bandas há dois anos e que hoje segue crescendo por seus méritos e talento: todo mundo cantando junto! Bonito!

O Desafio ainda segue, com suas bandas concorrentes e seus convidados em shows especiais.

A próxima eliminatória será neste domingo, 8 de maio, Dia das Mães, lá no  mesmo Groove Bar (Barra), e promete ser tão bacana quanto às anteriores. A casa abre às 15 horas e o ingresso custa R$ 5, mais 1 quilo de alimento não-perecível.

Participe!

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“Valeu, tio!”

sexta-feira, 19 novembro 2010 - postado por fabiocascadura

Falei em um post anterior sobre alguns álbuns recém-lançados que nos forneceram combustível para pensar num conceito para nosso próximo disco de estúdio, o Aleluia, esse mesmo, matéria-prima e razão de ser desse blog.

Falei do “Chá Chá Chá” (Retrofoguetes), “Frascos, Comprimidos, Compressas” (Ronei Jorge e Os Ladrões de Bicicleta), “Letieres Leite & Orkestra Rumpilezz” (homônimo) e “Maçalê” (Tiganá Santana). Óbvio que não só disso vive o Aleluia, mas esses marcaram por serem obras contemporâneas, de artistas que estão num patamar de ascensão dentro do panorama musical brasileiro e que, acima de tudo, representam a inquietude diante da própria música.

Mas deixei de citar um outro disco, lançado há pouco tempo e que, tanto quanto ou mais que estes, interfere na produção que estamos fazendo em estúdio e nos ensina algumas coisas para além da música que pretendemos criar: “Zii e Zie”, de Caetano Veloso.

Escutei esse disco pela primeira vez na casa do próprio num período em que nos aproximamos, exatamente porque ele nos citou no blog que criou para expor o processo de criação desse álbum, exatamente como estamos fazendo com o Aleluia, aqui, em A Ponte.

Mas nossa relação com Caetano vem de antes: uma vez, nos idos de 1999, encontrei um amigo no Largo de Santana (Rio Vermelho). Era um começo de noite de uma sexta-feira e eu estava ali para encontrar com Martin e Jorginho (o famoso King Cobra). Éramos parceiros num evento que vinha acontecendo havia alguns meses: o Rock Nights! Toda semana, (Dr.) CASCADURA e King Cobra (banda da qual, então, Martin era guitarrista) revezavam-se no palco do Havana Sushi Bar, exatamente naquela praça. Eram noites bem concorridas e que nos custaram muito trabalho para tornarem-se assim, prestigiadas. As edições do Rock Nights aconteciam nas quintas e o combinado com a direção da casa era recebemos o cachê da noite anterior no começo da noite de sexta. Eu sempre ia acompanhado do então Cascadura Paulinho Oliveira, e encontrávamos com os dois “Cobras”.

Nessa noite, porém, me encontrei com esse camarada, o lendário Alexandre “Polho” Torres, que nos disse: “Você viu? Caetano falou de vocês na MTV! Foi no Jornal da MTV, agora há pouco…”.

“Cuma?”
Tanto eu quanto Paulinho achamos que havia um engano aí: Caetano é famoso e nós somos uma banda de rock soteropolitana suando para sobreviver localmente! Ele confirmou e, sabendo que nos encontraria ali (na época, nenhum de nós tinha telefone celular), veio nos encontrar para comentar o fato (e de quebra sentar para uma rodada de cerveja e papo). Ele repetiu umas três vezes que Caetano tinha dito no programa da MTV que estava escutando “uma banda de Salvador que fazia um rock assim… bem Stones: Dr. Cascadura!”.

Seguimos descrentes, até que chegou um outro amigo: Wallace (hoje guitarrista da banda de rock ultrapauleira Bestiário). E qual foi a primeira frase dele? “Poxa! Caetano falou que está escutando vocês!”… “Porra, véi… Foi mesmo?”. Polho não perdeu a deixa: “Viu aí, mané?! Eu tô maluco?!”.

Aquilo repercutiu por um tempo e nos trouxe satisfação: era sinal de que estávamos trabalhando bastante e fazendo nossa obra chegar ao maior número de pessoas possível, dentro da nossa limitação (sobretudo, orçamentária). Mas logo demos sequência e seguimos.

Ficamos sabendo que Caetano, que costuma passar temporadas de verão em Salvador e, nestes períodos, habitualmente, frequenta o Rio Vermelho, foi a uma loja de discos do bairro, a extinta Na Mosca, e pediu ao Tony Lopes, proprietário do estabelecimento, algumas “novidades” da Bahia. Acabou caindo-lhe as mãos nossos dois primeiros discos: “Dr. Cascadura #1” (1997) e “Entre!” (1999). E pronto…

Esse lance de “Caetano falou de vocês”, virava e mexia, vinha à baila. Só que, com o tempo, fomos dando cada vez menos ênfase a isso. Não tenho certeza, mas acho que ele acabou fazendo esse comentário de estar escutando CASCADURA em mais alguns outros veículos, sendo que eu mesmo jamais havia lido, ouvido ou o visto falar de nós.

Passa um tempo, a banda muda, a música muda, “pererê-parará-pão-duro”, como dizia minha mãe… Eis o Verão de 2008/09. Quando chegam as festas de fim de ano, é tradição em Salvador o baile “O Maravilhoso Natal dos Retrofoguetes”. É praticamente uma festa de confraternização entre os que frequentam e trabalham no circuito de música alternativa da cidade. E sempre que dá, eles me chamam para uma canja. Eu adoro participar.

Os Retrofoguetes são organizados em suas diversas ações, não dão ponto sem nó. Para esses shows com convidados, fazem questão de armar um ensaio antes da apresentação. Para a festa do Natal de 2008, além de mim, do maestro Letieres e o pessoal da Anacê, eles convidaram nosso amigo Glauber Guimarães.

Glauber é primo de Rex (baterista dos Retro), foi ele quem me substituiu quando saí d’Os Feios, banda de rock 50’s da qual fazia parte, juntamente com Joe (hoje baixista de Pitty), Morotó (guitarra) e o próprio Rex Crotus, na bateria. Depois, como todos sabem, eles se tornariam os The Dead Billies e Glauber mudaria seu nome para Moskabilly. Ok…

Passadas essas aventuras, Glauber acabou desenvolvendo-se como compositor e cantor (dando ênfase ao seu projeto Teclas Pretas) e, naquele instante, estava muito ligado ao universo virtual dos blogs. Ele chegou ao ensaio, onde eu já estava (foi no estúdio de Bola, ex-guitarrista da Dinky Dau e Sangria, na região do Largo 2 de Julho, Centro de Salvador), e me cumprimentou dizendo: “Caetano falou de vocês…”. “De novo essa conversa?!”, pensei. “Mas foi essa semana! Você viu?!”, ele completou, e ainda afirmou que “está escrito na internet…”.

Glauber vinha acompanhando uma estratégia inovadora de Caetano para divulgar seu disco. “Pois é, bicho! O cara tá gravando um disco novo e decidiu expor todo o processo de construção em um blog na internet, onde, quem quiser, fica sabendo o que tá rolando no estúdio, nos shows de preparação e desenvolvimento desse trabalho… Chama-se: ‘Obra em Progresso’ e lá ele disse que curte o som do Cascadura e que vem acompanhando vocês!”, contou.

“Pera aê, Glauber!.. Ele tá gravando um disco e mostrando o que tá fazendo antes de lançar?”, me assustei com a informação. Caetano é um “medalhão”. Se essa estratégia fosse implementada por alguém do universo alternativo, eu até compreenderia, acharia natural, pois a necessidade de lançar mão de algumas ferramentas mais radicais para divulgação dos projetos dessa fatia do mercado é sempre eminente. Mas um cara que trabalha num patamar como o dele?…
“Vá lá ver, rapaz!”, sugeriu.
Eu fui…

Li o texto em que ele nos cita, li o texto em que ele falava da música do disco, da abordagem, do conceito do álbum, dos shows que faria/fizera no Canecão, no Rio, onde testaria possibilidades e arranjos e li mais: os comentários dos que visitavam o blog “Obra em Progresso”.

Centenas de comentários por post. Havia uma legião de fãs, curiosos e detratores ali, prontos para debater, bater papo, comentar somente, mandar um alô, um beijinho, fazer uma graça ou xingar o Caetano. E ele estava lá, nu! Exposto, debatendo o quer que fosse, contra-argumentando, concordando… O legal ali era que quem lesse poderia comentar. Não era, como de costume em casos de artistas de grande alcance, uma via de mão única. Podia-se “responder”, com grandes possibilidades de réplica por parte do autor.

Tendo ele nos elogiado e chamado a atenção para o CASCADURA em seu texto, decidi deixar um comentário, agradecendo o carinho e tal… Não lembro se houve réplica, mas fiquei de boa com isso tudo e segui… Foi quando nosso produtor de então, Dimitri, foi ao Rio Vermelho e acabou encontrando com o próprio Caetano: “Oi, Caetano! Eu sou produtor do CASCADURA, sabe?! Os caras ficaram contentes com seu texto e tal… Blá, blá, blá… Blá, blá, blá… Blá, blá, blá…”. Parece que Caetano falou que queria nos conhecer e Dimitri disse que iria me ligar para que pudéssemos falar.

“Alô, Fábio… É o Caetano!..”, era a voz do “Cinema Transcendental” mesmo. “Olha, vamos nos encontrar uma hora dessas… Acho o som de vocês demais… Blá, blá, blá… Blá, blá, blá… Blá, blá, blá…”. Foram uns cinco minutos de papo e deixei uns telefones com ele, caso ele quisesse ligar e marcar algo.

Passaram-se algumas semanas e no meio de uma partida de buraco da qual eu participava somente para fazer número (minha sogra, meu cunhado e esposa sabem jogar. Eu, não), toca o telefone: “Oi, Fábio! É o Caetano… Vai fazer o quê hoje?!

O cara me convidou para ir a uma festa na casa dele aqui em Salvador e lá, enfim, nos conhecemos pessoalmente. Gente fina! Tava lá a galera do Grupo de Teatro Olodum, o produtor Arto Lindsey, o músico e arranjador Tuzé de Abreu e dentre outros tantos famosos David Byrne (ex-Talking Heads).

Caetano fez questão de nos apresentar a ele e não perdeu a chance de uma brincadeira (em inglês fluente): “David, esses são roqueiros daqui de Salvador… Eles odeiam pagode, axé e carnaval!..”, falou com um meio sorriso zombeteiro e tomando um drinque. Eu, de supetão, quis contradizê-lo, falando um “It’s not true…”, e me saí com um estúpido “Not too much!”. O círculo irrompeu em gargalhas (“Olha, David! Eu sou preconceituoso, mas NEM TANTO!”, seria a tradução da gafe que cometi).

O Mr. Byrne nem nos deu trela, mais simpático foi o Arto Lindsey. Mas estávamos ali para conhecer Caetano e era o que valia. Fomos eu, Thiago Trad, acompanhados das namoradas, e Dimitri. Conversamos um tempo sobre música. Ele falou muito bem da produção do Bogary, com propriedade de quem realmente ouviu. Citei a vontade de fazer um próximo disco mais diferente e arriscado, buscando diálogos com informações locais e cheguei a dizer que “tenho vontade de justapor Stones e samba-reggae”. Ele fez cara de “É…” (?).

Passadas algumas horas, fomos nos despedir. Ele pediu que voltássemos num dia qualquer, somente para trocar informações sobre música e arte. Esse retorno acabou acontecendo três semanas depois, e com a presença de Glauber, que ele pediu que eu levasse, e andré t, outro que pediu que convidasse, desde que munido de algumas coisas que vinha trabalhando em estúdio, além de Trad e Heitor, um amigo e parceiro de Glauber.

Passamos uma tarde conversando sobre histórias do passado (muitas das quais já conhecia de livros sobre a música brasileira), tiramos dúvidas sobre o rock em Salvador no período em que ele morou aqui (entre os 50 e 60 do século passado), o escutamos dizer algumas vezes “Caras, eu sou ‘tiozinho’! As vezes as pessoas se esquecem, mas sou ‘tiozinho’!”, e ele falou sobre o que deveria vir a ser seu próximo disco, o que estava expondo no blog “Obra em Progresso”.

Daí, ele convidou-nos a ouvir música na sala (antes estávamos num pátio na frente da casa). andré t levou um CD com uma compilação de produções dele: Messias (músicas do que depois viria a ser o sensacional álbum triplo “Escrever-me, Envelhecer-me, Esquecer-me”), que parece ter gostado muito, e uma demo de um projeto dub no qual eu e ele vínhamos trabalhando com uma dupla de baixo-bateria fenomenal. Quando tocou a primeira das faixas dessa experiência (que estava, como ainda está, inacabada), Caetano deu um sorriso e disse: “Esse é o som!”. Explicamos que era um projeto aberto e que não sabíamos exatamente o que fazer com aquilo. E ele mandou: “Quero participar também!”. Logo depois, numa entrevista coletiva aqui em Salvador, ele tornaria a comentar esse projeto e sua vontade de fazer parte dele.

Atenção, você que me lê agora: até aqui, escrevi a introdução do texto… O assunto vem agora!

Terminado o CD levado por andré, Caetano pegou um outro CD-R e disse: “Esse é o ‘Zii e Zie’, meu novo disco. Vou pôr para vocês ouvirem”. Entrou uma música extremamente diferente… Era guitarra e era samba. Mas não era guitarra e samba de Benjor ou Gil… Era outra parada! E era da boa! A sequência ia rolando e a gente meio espantado, para o visível deleite dele. Quando tocou uma que hoje sei chamar-se “Menina da Ria”, comentei que lembrava um frevo torto com suspiros McCartianos (sic!): “Um frevo-beatle!”.

Caetano explicou seu desejo de falar com o olho de sua geração, “de tios e tias”, sobre o Rio de Janeiro. Acendeu-se uma lâmpada sobre a minha cabeça! Na real, já estava acesa. Só ganhou alguns watts de potência.

Antes de escutar o “Zii e Zie”, ali e depois com mais calma, em casa, já queria um disco do CASCADURA todo DE Salvador, em contraponto ao Bogary, que foi feito em São Paulo, mas PARA Salvador. Porém o modo articulado apresentado nesse disco de Caetano, com sua banda formada sobre instrumentos identificados como “de rock”, com seu som mais vivo e claro que o “Cê”, supostamente o “disco roqueiro” de sua obra, levou-me a certeza de que teria que enfrentar esse desejo, desapegando-me de muito do que estava comigo em termos de crença e perspectiva, no que diz respeito à minha própria produção. Será que me fiz entender?…

Ao final da “audição”, ele nos perguntou o que havíamos achado. Visivelmente mexidos, elogiamos. andré emendou uma analise técnica mais apurada e lançou seu “Não gostei do som do ‘Cê’…”. Exato! Caetano arregalou os olhos e parece ter achado massa a sinceridade de andré, tanto mais quando ele explicou que o som do “Zii e Zie” era muito superior e a produção, que valorizava as “salas” de cada instrumento, dava a esse disco um som próprio e muito bem acabado. Ele explicou o porquê do nome, “Zii e Zie”, sendo reforçado pelos complementos de Glauber, bem mais interado naquele momento das intenções que ele havia exposto no “Obra em Progresso”.

Terminamos essa com abraços e promessas de breve reencontro. Com o passar dos meses, o “Zii e Zie” foi lançado, trazendo espanto, admiração de muitos e também certa rejeição da parte de quem não o assimilou. Segui ouvindo-o. Entendendo que, nele, Caetano busca tratar da sua territorialidade vigente: o Rio de Janeiro em seus diversos aspectos. Esse olhar, muito simples e objetivo, reforçou a trilha que buscava e que, somado aos outros discos, a alguns livros e filmes, ajuda a compor o mosaico de influências que adornam o Aleluia.

Ainda mais: a forma como o disco foi apresentado, com seus shows de teste no Canecão e o infalível blog “Obra em Progresso”. Não fosse aquela experiência, talvez não tivéssemos o impulso de fazer o mesmo com o nosso novo álbum de estúdio, abrindo o processo para que todos possam saber um pouco mais do caminho que estamos percorrendo. Não fosse assim, talvez eu não estivesse escrevendo essas linhas e você não as estaria lendo. Por isso, tenho que agradecer a Caetano Veloso: “Valeu, tio!”

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Vespas Mandarinas + Fábio Cascadura no Festival DoSol

terça-feira, 16 novembro 2010 - postado por fabiocascadura

Depois de um voo que fez, desde São Paulo, duas paradas, em Brasília/DF e Fortaleza/CE, completando mais de seis horas de viagem, chegamos à “Cidade do Sol”: Natal, Rio Grande do Norte. Por isso o nome do festival: DoSol!

Voo demorado é aquilo… Numa cadeira espremida, durante o processo de implantação da nova política da companhia que, para baratear a passagem, passou a vender as refeições durante a viagem: tudo certo! Sou a favor disso, mas R$ 4 numa garrafa d’água é um pouco demais. A água desce com gosto de sal… Até fazermos o check-in no balcão, seria uma única parada, em Recife, achávamos. No “Boa tarde!” do comandante, ficamos conhecendo essa rota de pinga-pinga… Vá lá. Tudo certo se as comissárias não estivessem com a cara amarrada… sempre!

Eu tenho 1,92 metro de altura. Boa parte disso é perna… Cadeirinha espremida é tortura pra mim. Por seis horas, então… Let’s rock!
O que deu um toque pitoresco à tudo foi a presença do famoso Comissário Ronald, que assumiu o comando do serviço de bordo a partir de Fortaleza, e que nos brindou com uma inesquecível e original explicação das normas de segurança do voo.

A produção do evento, na 7ª edição esse ano, é bem experimentada. Chegamos ao aeroporto e eles lá estavam para nos receber.

Quando estive com o CASCADURA, em 2008, para tocar nesse festival, fiquei em um hotel próximo ao centro da cidade e perguntei como chegaria à Praia de Ponta Negra, muito famosa. Pela distância da qual estava, acabei não conhecendo o lugar. Nem bem entrei na van e perguntei: “Onde fica Ponta Negra?”. Me responderam que o nosso hotel ficava em frente a essa praia! “Ponto para nóis”!

Vista do hotel da Praia de Ponta Negra [Foto por Nicolau Gomes]

Vista do hotel da Praia de Ponta Negra (Foto por Nicolau Gomes)

Nos instalamos e fomos jantar. Logo mais, iríamos à 1ª noite do festival, que teria a apresentação dos AMP, de Recife, e do pessoal do Love Bazukas, junção entre Chuck Hipolitho, dos Vespas Mandarinas, e os caras do Black Drawing Chalks (GO), que tocaram no DoSol Bar. Ambos os shows foram muito bons. Sai de lá com o ouvido apitando e algumas cervejas na cabeça. Fui dormir, porque o sábado prometia. E acordei cedo (8 horas, de pé!) para aproveitar o dia.

Fomos à praia, eu, Chuck, Thadeu, Mauro e Mike, esses últimos acompanhados das namoradas, e lá encontramos os amigos Fabrício Nobre, do MQN (GO) e da Abrafin, e sua esposa, que se juntaram ao nosso sombreiro. Por lá, passaram muitos dos que se apresentariam à noite, dentre eles o Márcio do Mechanics (GO) e o Dennis, Black Drawing Chalks. Com tanto goiano em Natal, eis que surge um carrinho vendendo camarão com a estampa “Camarão Goiano”. Foi solicitado. Mas Goiás produz camarão?!

Que temperatura, a da água de Ponta Negra! Sensacional! Você tem vontade de ficar lá e pronto… E o sol expressava o calor nas mais altas casas, justificando o nome da cidade. Um calor diferente do de Salvador.

Com o banho de mar, perdemos a hora do almoço que o evento banca para os participantes. E em festival indie é assim: TUDO TEM HORÁRIO. Perdeu? Tchau!… Fomos então a um restaurante que fica ao lado do hotel. Caro, mas muito bom! Comemos… camarão. Delicioso. O detalhe é que havíamos comido isso na noite anterior e durante a estada na praia. Quando voltei ao quarto para uma soneca revigorante, sofri um “mini-piriri-cagancha”… Mas nada demais para um intestino forjado a azeite de dendê, por anos a fio…

Antes de subirmos ao quarto, quando passávamos pela porta do hotel, ouvimos um miado com sotaque de “S.O.S.”. Um segurança do hotel, em frente a um carro branco, falou: “É um gato que entrou no motor desse carro… Tá aí desde cedo, miando, e não consegue sair…”. Chuck, entre o indignado e o assombrado, perguntou por que ele não tinha feito nada para tirar o bichinho. Deitou-se no chão, pôs a cabeça embaixo do carro e foi aventurar-se a resgatar o felino. Eu pensei: “Vamos lá!”, e o imitei. Sem sucesso, tentamos arrancá-lo dos ferros. Só depois que subi, frustrado por não ter conseguido, Chuck e Thadeu o tiraram de lá, numa verdadeira operação resgate: “We can be heroes!”.

Chegamos à Rua Chile, no bairro da Ribeira (olha as semelhanças com Salvador de novo), onde rola o Festival. Um palco maior fica montado no “Armazém”, casa que deve abrigar umas duas mil pessoas. O menor fica no próprio DoSol Bar, na mesma rua. Foi onde o CASCADURA tocou em 2008. O show “Vespas Mandarinas + Fábio Cascadura” estava marcado para às 22h30, no palco do “Armazém”, mas, para minha alegria, acabou sendo transferido para o palco menor, no DoSol Bar. Gostei demais de ter tocado lá.

Chegamos com nossos instrumentos e ficamos aguardando a multidão se acomodar para levá-los ao camarim. Enquanto isso, conheci o Nevilton, cantor/compositor/líder da banda homônima. Cheio de energia, dando bons e seguros primeiros passos no universo independente brasileiro, vem conquistando o apreço da mídia, dos colegas e do público que o viu. Humilde e falante, Nevilton pareceu–me uma figura legal, autêntica e muito própria. Nos veremos novamente, muito em breve…

Reencontrei o amigo Esdras Nogueira, sax barítono dos Móveis Coloniais de Acaju (DF), banda que faz o trabalho mais consistente que tenho visto nos últimos anos, rodando o Brasil com seu show festivo e lançando bons produtos no mercado. Começamos a alinhavar uma possível colaboração mútua (mais detalhes, em algumas semanas, aqui mesmo). Autoramas, Cabruêra (com um show que hipnotizou a audiência), Superguidis, muita gente lá…

Cerca de 40 minutos para subirmos no palco, já com os instrumentos no camarim e em meio à correria reinante, fomos convidados para uma entrevista ao vivo via web. Acho que foi a única vez em que não falei numa ocasião assim e fiquei muito feliz com isso… Nos reunimos num círculo juntamente com Fabrício Nobre, que passava por lá na hora e demos aquela energia para o show: palco!

Os Vespas Mandarinas começaram espetacularmente com a sua “Sem Nome”, e o público reagiu bem. Seguiram com “Live Wire”, petardo do 1° disco do AC/DC. E assim continuaram até que Chuck falou: “Fabão!”. Subi ao palco energizado pelo que eles já haviam tocado.

Chuck disse: “Espero que vocês gostem de punk rock…”, e deu a indicação para que eu puxasse a canção a seguir. Fui com tanta sede ao pote que disse “Ok, vamos lá!” e, ao invés de tocar “Rosemary”, escolhida para ser a primeira música da minha participação, engatei “Ele, o Super-Herói”! Oh, não! Oh, sim! Errei feio… Mas o clima era de muita partilha, muita entrega, fui perdoado pelos olhares de Mike, Mauro, Chuck e Thadeu, que sorriram e pararam para recomeçarmos…

“Rosemary”, “Retroceder” (da qual esqueci a harmonia e com a qual mais me diverti ali no palco, a única coisa que fiz foi dançar e fazer pose de “guitar hero”), “Mesmo Eu Estando do Outro Lado” (com uma galera cantando junto), “O Inimigo” (sem dúvida a mais impactante música do repertório), “Ele, o Super-Herói” (finalmente, no lugar certo…) e “Rádio Blá”, num clima rock steady/ska/Stones/festa geral, deu o enlace final dessa apresentação. Todos dançando, todos dançaram… Descemos numa confraternização sincera. Recebemos o abraço de todos e o aplauso da moçada.

Pode não ter sido o melhor show do festival e nem era pra ser. Mas certamente foi o show onde todos se encontraram: banda, convidado, público e organização em torno do sincero amor à música.
Valeu, Vespas Mandarinas! Valeu, DoSol! Até a próxima.

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Os Vespas Mandarinas

quinta-feira, 11 novembro 2010 - postado por fabiocascadura

São quatro caras. Três de São Paulo e um do Rio Grande do Sul. Mas, dentre os paulistas, há um potiguar, que se criou no interior do estado de SP. São todos de grande talento musical, no criar e executar, vindos de outras bandas que já deixaram seus nomes na história do rock e da música do Brasil nesse século.

Mauro Motoki, nissei, sansei, não sei… Descendente de japoneses, é compositor, multi-instumentista e faz parte do Ludov. Toca baixo e canta nos Vespas Mandarinas.

Thadeu Meneghini, fundador e líder do grupo Banzé!, que se separou há pouco tempo. Toca sua Les Paul com destreza, canta e dança… Mestre em todas essas artes. A faixa “O Inimigo”, da qual participamos eu, Jajá (da Vivendo do Ócio), Pitty, Nasi (do IRA!), dentre outras figuras do rock nacional, é uma composição sua.

Chuck Hipolitho, saído da Forgotten Boys, já foi diretor de programas da MTV. Pilota uma Fender Telecaster, é o pai da Nina e um rockstar legítimo.

Michel Vontobel (Mike), vindo da banda gaúcha VideoHits, mora em Porto Alegre e sempre se desloca para Sampa quando tem que ensaiar com o grupo. Tira um som muito peculiar da bateria e anda sempre sorrindo.

A música do Vespas Mandarinas soa como rock, mas está para muito além disso. A conexão com o contexto pop é muito evidente. As canções têm presença própria, cada uma, seu universo particular. A combinação de informações trazidas pelos músicos/parceiros dá ao seu repertório uma diversidade que demora a aparecer. O clima é de partilha e diversão. Ela foi formada para ser uma banda/projeto paralelo, mas parece estar assumindo o controle dos dias de cada um deles como músicos.

Entrei num estúdio com os VM e fui contaminado. Minha intenção era não atrapalhá-los no show e eles pareciam me pedir exatamente isso: “Atrapalhe-nos!”. Me senti à vontade no primeiro instante. Já conhecia o Chuck e o Thadeu, grande amigos, generosos e amáveis, mas, sei lá… na música, a mecânica costuma ser outra… Podíamos, a despeito da amizade, não combinar tocando juntos: mas nos demos bem, nesse caso.

Havíamos combinado de tocar: “Ele, o Super-Herói!”, “Mesmo Eu Estando do Outro Lado” e, por sugestão deles, uma inédita: ofereci “Rosemary”. Das deles, eu participaria de “Retroceder” e, lógico, “O Inimigo”, além de uma surpresa.

Enquanto passávamos o som no Estúdio 500, um puta complexo com várias salas para gravações e ensaios que fica no bairro do Morumbi (São Paulo), Chuck puxou a introdução de “Rádio Blá”, do Lobão. Ora! Essa música fez parte do repertório do CASCADURA durante parte da turnê Bogary: fui atrás. Todos nós fomos! E, assim, ela acabou entrando como elemento surpresa no show.

Ensaiamos por SEIS horas seguidas! Acho que desde que tenho 19 anos que não passo por uma sessão de ensaio tão extensa. Mas valeu! Terminamos satisfeitos. Foda foi sair e encontrar a confusão na Avenida Morumbi, com o engarrafamento de carros e fãs que iam ao show do Black Eyed Peas no estádio do São Paulo FC, que leva o mesmo nome e fica no final da avenida.

Deveríamos ter ido ao show do grupo paranaense Nevilton, que se apresentou naquela noite de quinta-feira no Studio SP, casa que fica na Rua Augusta, mas estávamos todos cansados e fincados na viagem de seis horas que faríamos no dia seguinte, rumo à capital potiguar.

O show, no sábado, foi espetacular. Uma das mais intensas experiências que já tive num palco. Poucas músicas e muita entrega. O público respondeu muito bem à nossa junção e nos divertimos todos juntos.

Ao final, ficou aquela sensação de “vamos fazer novamente?”.
Tomara que logo…

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Outra viagem no meio de tudo – São Paulo

quarta-feira, 10 novembro 2010 - postado por fabiocascadura

Mais uma vez, me afastei de Salvador durante esse processo de construção do Aleluia. Mas por um motivo muito, muito nobre, que me levou a uma experiência ainda mais surpreendente.

O propósito inicial seria participar da apresentação da banda Vespas Mandarinas (SP), composta por grandes amigos meus. O convite foi feito pelo organizador do Festival DoSol, de Natal/RN, Anderson Foca.

Eu já havia ido com o CASCADURA até lá, em 2008, numa das participações mais legais que já fizemos num evento dessa natureza. O caso foi que, ao visitar os Vespas Mandarinas em Sampa, num ensaio, para convidá-los a irem ao DoSol, Foca os ouviu tocar uma das músicas do Bogary e pensou que, como havia uma amizade entre nós e uma conexão artística muito óbvia entre as duas bandas, seria uma boa ter-me com os VM, no show deles lá no RN. Feitos os convites, convites aceitos!

Um ou dois e-mails e havíamos combinado quais músicas tocaríamos juntos e como seria a dinâmica da apresentação. Decidi, então, que iria a São Paulo, onde reside o núcleo da banda, uns dias antes, para ensaiarmos tudo. Aproveitei para visitar outros amigos da capital paulista, onde já morei com o CASCADURA e onde concebemos o Bogary.

Não posso deixar de falar que alguma coisa acontece no meu coração, que só quando chego na Augusta e encontro Duda Machado! Eu estava acompanhado do famoso Rodrigo “Minha Pedra”, outro “baulista”, hoje produtor da equipe de Pitty e que, generosamente, me hospedou em seu apartamento nesses dias. Duda havia ligado para ele, chamando-nos para um almoço na casa de sua irmã, a estilista Bia Machado, que reside na mesma rua. Era meio-dia!

“Meu querido Cascadura! Como vai?!”, deu-me uma abraço apertado. Trazia nos ombros Tomaz, seu afilhado de 3 anos e filho de Martin. Também estava acompanhado de Clara, sua namorada.

Caminhamos alguns metros e paramos na porta de uma lanchonete porque Tomaz queria uma água de côco. Como a balconista não tinha troco, Duda virou-se para mim e perguntou: “Cascadura, meu caro, já te ofereceram uma cervejinha hoje?”. “Rapaz!… É meio-dia!”, respondi. “Eu tô ligado… Já meio tarde e você com sede…”, já ia virar-se para pedir as cervejas e eu arranjei o dinheiro trocado para o côco de Tomaz e seguimos para o almoço.

Foi ótimo!
Reencontrar amigos que conhecemos à intimidade e que não vemos a toda hora é uma experiência muito excitante.

A todos, sou extremamente grato: Martin, Duda, Minha Pedra, Pitty, Luiz César, Telma, Rodrigo Lima, Sérgio, Spencer, Anna, Alê, Malásia, Chuck, Thadeu, Mauro, Mike… Isso, só em São Paulo! Ainda viria Natal, no Rio Grande do Norte, com seu festival DoSol e outros amigos do peito, de outros recantos, de todo o Brasil.

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Fábio Cascadura no Festival DoSol

domingo, 03 outubro 2010 - postado por assessoria de imprensa

O Festival DoSol, um dos mais importantes do país, que acontece há dez anos em Natal/RN, anunciou sua grade para este ano. Dentre as atrações, está o show de lançamento da banda paulistana Vespas Mandarinas, formada por ex e atuais membros de bandas como Ludov, Forgotten Boys e Banzé!, que vai contar com a participação de Fábio Cascadura.

O convite surgiu a partir do curador do Festival, Anderson Foca, que assistiu a um ensaio dos Vespas, onde eles tocaram a canção “O Centro do Universo”, do álbum Bogary, do CASCADURA. Ali, o produtor potiguar imaginou, em um show, a “união dos mais talentosos compositores de rock do Brasil”: Mauro Motoki (Ludov), Thadeu Meneghini (ex-Banzé!), Chuck Hipolitho (ex-Forgotten Boys) e o cantor do CASCADURA, Fábio.

Para essa apresentação especial, serão ensaiadas canções do disco de estreia do Vespas Mandarinas, prestes a ser lançado (e que também tem a participação de Fábio Cascadura na parceria de composição com Chuck Hipolitho na canção “Cuide dela”, e cantando na música “O Inimigo”, da qual também participam outros ícones do rock brasileiro como Pitty, Fabrício Nobre e Khoala, do Hateen), e músicas do CASCADURA.

O show acontece na segunda noite do Festival, dia 6 de novembro.

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Na Ruy Barbosa

sexta-feira, 17 setembro 2010 - postado por fabiocascadura

Um tanto cedo, por volta de cinco e meia da manhã, já estava de pé. Havia combinado com meu velho amigo (velho porque o conheço há mais de 20 anos!) Ricardo Ferro uma sessão de fotos no Centro de Salvador – esse sim, muito velho! Queria ser fotografado caminhando pela Rua Ruy Barbosa, uma via estreita que liga a famosa Praça Castro Alves à Ladeira da Praça (no caso, da Praça Municipal).

Cresci frequentando um consultório médico de um otorrinolaringologista, que ficava naquela rua (todos sabem que desde pequeno sou surdo de um dos ouvidos). Tinha que fazer o percurso entre o Largo do Tanque até o antigo terminal da Barroquinha, subir as escadarias da igreja de mesmo nome (e onde, nos fundos, nasceu o primeiro candomblé como o conhecemos; leia o livro “O Candomblé da Barroquinha”, por Renato da Silveira) e de lá passar pela frente do antigo e então decadente Cine Glauber Rocha (que antes fora o Cine Guarany e, hoje, revitalizado, recebe o nome de Espaço Unibanco de Cinema Glauber Rocha, mas com seu funcionamento comprometido devido ao insistente uso da Praça Castro Alves, onde está localizado, para toda e qualquer manifestação “popular”: de shows/cultos evangélicos e comícios eleitorais a festas ligadas a meios de comunicação) e, em seguida, pelo lindo prédio com fachada de pedra, onde outrora já funcionou a redação do Jornal A Tarde e as primeiras instalações do Estúdio WR. Então, entrava na Rua Ruy Barbosa, contígua àquela que na primeira metade do século XX foi a mais charmosa via pública da Bahia: a Rua Chile.

Esse trajeto faz parte das minhas lembranças de garoto. Toda semana ia lá, ao consultório de Dr. Carlos Fera, e era o mesmo de sempre: esperar duas horas até ser atendido (ordem de chegada era o padrão do esquema INPS, o SUS daqueles tempos; só não entendia porque tinha gente que chegava depois de mim e era atendido antes: ainda não haviam me explicado todas as possibilidades da aplicação da palavra “particular”). Sentado na cadeira tipo dentista, o médico, já um velhinho, pedia que eu virasse a cabeça. Apontava uma lanterninha para meu ouvido surdo, coletava algum material lá de dentro, pingava umas gotinhas de qualquer coisa, conversava com quem estivesse me acompanhando e nos dispensava.

Quando ia com Dindinha, minha tia e madrinha, corria o “risco” de ganhar um passeio com bolinho da Cubana, caso decidíssemos descer o Elevador Lacerda para pegar o ônibus (na Bahia ninguém toma o ônibus: pega) no ponto que fica em frente ao Mercado Modelo. Ou ainda melhor: empadinha da Savoy, lanchonete que fica em frente ao Relógio de São Pedro, na Avenida Sete (oficialmente, Avenida Sete de Setembro). Lá achávamos a mais incrível empadinha.

Na Ruy Barbosa, ficava um sebo de livros que alimentava muito a minha imaginação. Quando a espera era por demais demorada e enfadonha, conseguia escapulir por uns dez minutos e ir olhar a vitrine do Sebo Brandão, que ainda fica lá. Capas e capas: gravuras aos montes, índios em fotos multicoloridas, desenhos de caravelas e dinossauros estampavam livros de capa dura (verde ou vermelha) em tinta dourada… acho que li todos aqueles livros sem jamais tê-los aberto. Nos minutos diante da vitrine, me alimentava de toda aquela informação visual que, no correr da minha vida, foi sendo paulatinamente explicada, a cada passagem, a cada nova experiência!

Era nessas viagens até a Rua Ruy Barbosa que eu tomava contato com outros personagens da cidade: o “Charlie Chaplin da Bahia” (que, parece-me, morreu assassinado com um tiro à queima-roupa), o “Velhinho da Mágica” e, sobretudo, “A Mulher de Roxo”. Meio santa, meio bruxa, vestida de freira, de rainha ou de noiva, diziam ser louca, ter sido rica um dia. Amedrontava e consternava. Num dado momento, terá um texto dedicado a ela aqui e explicarei o porquê.

Por tudo isso e muito mais, decidi que esta sessão de fotos seria lá. Uma sessão de fotos solo, que ainda não tem nenhum objetivo prático e nem faz parte do projeto do disco Aleluia (ao menos, ainda não). Uma sessão de fotos para mim! Chegamos ao nosso destino com a cena bem vazia: eram seis horas da manhã, de uma segunda-feira, véspera de feriado: 7 de setembro. Boa parte da Cidade do Salvador ainda estava dormindo.

Essa rua tem alguns pequenos hotéis e pousadas, estrategicamente ali posicionados: próximos a pontos turísticos importantes de Salvador. Tem também uma galeria de arte, alguns antiquários e o Sebo Brandão. Funcionam, em outros prédios, mais bem conservados, alguns órgãos púbicos, ligados à Câmara de Vereadores e à Prefeitura de Salvador.

Por acaso, encontramos um grande amigo que trabalha naquela região como policial. Conversamos alguns minutos com ele antes de iniciarmos a sessão e logo fomos advertidos: “Sem mole! Ok, moçada?”. O cara é nosso amigo desde a adolescência (conhece o Ricardo Ferro desde a infância, quando estudaram juntos), é policial há bastante tempo, sempre trabalhando ali pelo Centro.

Lembrei com eles essa minha relação com a rua. Falei também da minha perplexidade de ver, cada vez mais, esse centro da cidade abandonado: todo mundo sabe, todo mundo critica, mas nada tem sido feito. É muleta de político falar do crack: câncer social e flagelo! É o que mais se fala.

Depois de algum tempo, nosso amigo “poliça” partiu para concluir seu turno. Ficamos lá, entre um click e outro, ligados, mas ao mesmo tempo sob a vigilância dos porteiros de alguns dos hotéis da rua. A área está realmente sinistra… A degradação da região é tremenda! O Centro de Salvador é uma pérola largada. Será que nenhuma ação séria será tomada pela prefeitura dessa cidade quanto ao trecho mais representativo do seu patrimônio histórico? A imundície entre o Terreiro de Jesus e Rua da Ajuda é quase medieval e certamente faria lembrar os tempos de arruaça de Álvaro Duarte, primeiro playboy da Bahia (bom checar as “aventuras” e comportamento dele que, filho do segundo Governador Geral do Brasil, Duarte da Costa, formou a primeira gang de arruaceiros daqui, no livro “A Coroa, a Cruz e a Espada”, de Eduardo Bueno). Lixo, usuários de crack, vias mal pavimentadas, poluição visual (com a colaboração dos candidatos dessa eleição de 2010)… Tudo muito aquém do merecimento dessa cidade…

Quando falo isso, lembro que nos meus tempos de garoto, essa cidade também tinha os mesmos problemas (exceto o do uso do crack, droga indisponível naqueles tempos). Mas e daí? Até quando? Será que já não nos demos conta da força da existência de todo esse patrimônio de Salvador? Não somente no reposicionamento turístico da cidade, mas também cultural. Seria ótimo se a própria população pudesse usufruir mais daquele trecho onde a cidade de fato nasceu. Seria sensacional se houve opções culturais de fato, como casas de shows estruturadas, bares bacanas que desfrutassem da mais privilegiada vista que Salvador pode oferecer, mas com transporte adequado, segurança eficiente e responsável e serviços que valessem o valor a ser pago, como acontece em outros lugares.

Seria incrível se o poder público municipal se organizasse a ponto de dar àquele lugar uma oportunidade de viver dignamente e não, como observou Ferro, “sobreviver e só…”. Acordar a cidade inteira a partir daquele lugar extraordinário. Aí, sim, Salvador se tornaria referência cultural, disponibilizando a seu povo um circuito cultural.

Seguimos fotografando até perto das oito horas, quando nos demos por satisfeitos. Rumamos para um lanche na Avenida Carlos Gomes: a Esfiha do Chinês! Abre parêntese: onde mais, em que outro local do planeta, a referência de um quitute árabe é um chinês? Na verdade, nem se sabe se era mesmo chinês, pois ele já não é mais o dono do estabelecimento: implantou a lanchonete, vindo de São Paulo, contam, mas já passou o ponto adiante. Reza outra lenda, por conta de ter sido “largado pela amante… brasileira”. Fecha parêntese.

Chegamos ao cruzamento onde se localiza a famosa Esfiha do Chinês e as portas estavam fechadas. Lembramos de outra lanchonete, na Rua Chile, logo depois da Rua do Tira Chapéu, na Praça Municipal. Voltamos… Paramos à porta, onde funcionários preparavam para abri-la para o dia de trabalho. Combinei com Ricardo Ferro de irmos rodando até encontrar um lugar para tomar um café e comer alguma coisa… Qualquer coisa.

Descemos a Rua Chile, cruzamos a Praça Castro Alves novamente, pegamos a Avenida Carlos Gomes, passamos pelo Largo dos Aflitos, seguimos até o Campo Grande: a Praça Dois de Julho (a original)… Encontramos uma padaria no Canela, perto da Escola de Belas Artes, na Rua Floriano Peixoto, se não me engano. Ricardo costuma frequentá-la. Coincidentemente, somente ali, àquela hora, oito e pouca da manhã, a cidade parecia acordar. Tomara.

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Violência a la carte!

quinta-feira, 26 agosto 2010 - postado por fabiocascadura

É impossível não estar ansioso depois de quase um mês sem mexer em nada no disco. Nesse tempo, andré t foi a São Paulo mixar o disco de uma banda que o Duda Machado produziu: Apolônio, e que tem um amigo nosso, Pablo Marques, tocando acordeom.

Thiago Trad deu início ao seu trabalho como orientador de um projeto de formação básica em percussão para jovens: o “Toque Cidadão”, no bairro de Itapuã, aqui mesmo em Salvador. Essa iniciativa, que foi concebida e agora está sendo implantada por ele, tem como objetivo levar noções básicas sobre os diversos tipos de percussão para jovens de uma das áreas mais carentes da capital baiana, com aulas práticas e teóricas, distribuição de material didático, além da contribuição na formação cultural dessa moçada através de palestras e exibições de documentários, que os situarão diante da produção cultural e da história de sua cidade. (Vamos esperar agora um texto do Trad com detalhes sobre o assunto.)

Jô Estrada foi tocar com seu projeto, Lacme (que teve um disco lançado, produzido por ele e o próprio andré), também na capital paulista. Apesar de, para nossa sorte, ele ter voltado a morar em Salvador e os demais componentes do Lacme terem ficado em Sampa, a banda continua a existir, só que com atividades espaçadas: pintou um show, ele foi.

Eu estive, por duas semanas, envolvido com a Exposição Revolution – Beatles, do meu amigo Marco Mallagoli, que aconteceu num shopping center daqui da cidade. Foi uma experiência ótima, aprendendo um pouco mais sobre a história dos Fab Four com um cara que os conheceu de fato: Mallagoli foi um dos dois únicos brasileiros que conhecerem os quatro Beatles e George Martin, o mítico produtor da banda (a outra foi a carioca Lizzy Bravo – que participou da gravação da canção “Across the Universe”). Um brinde à nossa maior inspiração em todos os momentos.

Mas, com agosto chegando a seu final, o disco nos chamou de volta.
Nem bem retornou, andré me procurou para retomarmos o Aleluia.

Decidimos dar sequência ao trabalho iniciado com o stomp, que gravamos no Teatro Sitorne. Sobre a construção da parte musical (melodia, harmonia e ritmo), já escrevi aqui… então queria agora falar sobre o tema que escolhi para esta canção.

A experiência com esse novo trabalho tem nos exigido um “algo mais” para além do que já realizamos. Temos sido provocados a sair da nossa zona de conforto, do espaço que já conquistamos com álbuns como “Vivendo em Grande Estilo” (2004) e “Bogary” (2006). Apesar da temática “pessoal”, do olhar sobre nós mesmos ainda nos interessar, temos dado maior vazão a uma produção em torno daquilo que nos cerca… De preferência, de forma tão direta quanto possível.

Confesso que poucas coisas me incomodam tanto hoje como o tratamento que vem sendo dado à violência pela mídia. Parece que os casos de crimes vão para a mídia embalados com requinte de reality show. Seja na cobertura nacional de um caso envolvendo “celebridades” ou no horário do almoço, com gente desvalida, marginalizada, expondo seus podres em nome da audiência local.

A violência alimenta um mercado imenso. Nos filmes, nos livros, nos brinquedos (nos jogos de videogame, então, nem se fala) e, sim, na música. Ela se apresenta, nos excitando, como elemento que, como o sexo, nos coloca novamente dentro da perspectiva de uma natureza selvagem, como se o homem ainda fosse parte da natureza “lá fora”!

Isso é assim, desde sempre.
“Bebida é água, comida é pasto… Você tem fome de quê?”.

Numa conversa, meu amigo Álvaro Tattoo lembrou: “Os romanos jogavam cristãos aos leões!”. E era casa cheia! Fonte Nova em tarde de BaVi! Assistindo à série “Band of Brothers”, sobre a famosa Easy Company, companhia de batedores do exército dos Estados Unidos da América que desembarcaram na Normandia no Dia D, vi um trecho, com depoimento de um ex-combatente, personagem real da trama encenada naquele episódio: “Na minha cidade, alguns jovens, dispensados do serviço na guerra, acabaram se suicidando! Eram outros tempos…”. Eram mesmo…

A violência bate à nossa porta, laureada em glória. Sempre…
Até que ela vem embalada em laço de realidade, com a cara de desespero ou os olhos embotados em alguma substância capaz de fazer o cérebro perder noção de limites. Aí, é hora de exclamar: fudeu!

Como não bastasse estar na arte, migra em tons de crueza para o noticiário, fazendo sucesso a ponto de ganhar especificidade: os programas “pinga-sangue”! A modalidade já era conhecida, impressa com tinta e sangue: jornais sensacionalistas que estampam manchetes sobre assassinatos, extermínios, estupros e demais crimes cruéis. Lembro que, nos anos de 1980, numa tentativa de imitar o modelo de sucesso no Rio de Janeiro, houve um que se arriscasse aqui na Bahia: naufragou em um quadriênio…

E chegamos, com velhos e novos personagens, aos programas “pinga-sangue” do horário do almoço. É o fim! É a degradação ao máximo. Em nada contribui. Eu, nascido e criado na Bahia, estou de saco cheio disso. Não acredito que isso contribua em nada para uma melhoria na condição de vida das pessoas desse estado. E tudo parece ficar muito claro quando depois do aviso de “não mude de canal, meu amigo… Que nós vamos mostrar aquele facínora, aquele escroque que fez isso e fez aquilo… Mas antes, vamos mostrar essa maravilha que é o ‘creme de ervilha’ para massagem facial e você precisa comprar ele… e etc… etc… Apenas por ‘uma fortuna que seu salário-mínimo não pode comprar’, mas você vai comprar, não é?”. É a tal da neurolinguística!

Bem, eu não tô aqui para analisar essa situação, isso devem fazer os sociólogos, cientistas políticos e jornalistas. Eu sou poeta, um compositor de rock. Extraio da vida o que me dá caminho para a criação artística. Por isso, pela necessidade de exclamar sobre esse “fenômeno” do degrado, que envergonha quem tem o mínimo de bom senso, em rejeição a essa manifestação da mais hedionda forma de exploração, que resolvi usar aquele espaço vago a um texto, dentro daquela ideia de cantar um blues sobre os passos e palmas gravados no Teatro Sitorne.

Já que o blues nasceu pelo lamento, eu lamento…

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Stomp (Música de Trabalho)

terça-feira, 03 agosto 2010 - postado por fabiocascadura

Um vídeo sobre a experiência com stomp, no Café Teatro Sitorne.
Participaram: eu e Thiago Trad (baterista), nós dois membros do CASCADURA, andré t (produtor do disco), Jô Estrada (coprodutor), Mark Mesquita (baterista d’Os Irmãos da Bailarina e assistente do estúdio t) e Paulinho Oliveira (ex-CASCADURA e, hoje, diretor do teatro).

Leia mais sobre esta gravação aqui.

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