#AleluiaCASCADURA, o documentário

segunda-feira, 19 novembro 2012 - postado por assessoria de imprensa

Sessões de gravação, depoimentos dos envolvidos, cenas de shows e imagens da cidade de Salvador – matéria-prima fundamental do trabalho – contam como foi construído o Aleluia, quinto disco da banda de rock CASCADURA, no documentário #AleluiaCASCADURA.

Dirigido por Fábio Cascadura, cantor, guitarrista e compositor da banda, ao lado de Léo Monteiro, o documentário revela os bastidores da produção e apresenta falas do quarteto responsável por ela – Fábio Cascadura, Thiago Trad (baterista), andré t (produtor) e Jô Estrada (coprodutor) –, além de alguns dos parceiros do processo: Letieres Leite e Gabriel Guedes (Orkestra Rumpilezz) e Jajá Cardoso (Vivendo do Ócio). Momentos no estúdio, incluindo de participações especiais, como a da cantora Pitty, também se somam a registros da primeira vez que as novas canções foram apresentadas ao público, durante os quatro shows do projeto Sanguinho Novo, em janeiro de 2011, no Pelourinho. Tudo isto ilustrado por mostras de uma Salvador que não se estampa em capas de revista, mas que está no cotidiano dos seus cidadãos: justamente aquilo que serve como principal fonte de inspiração do Aleluia, um disco totalmente dedicado à capital da Bahia.

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CASCADURA lança documentário sobre o Aleluia no Portal da MTV

segunda-feira, 12 novembro 2012 - postado por assessoria de imprensa

No média-metragem #AleluiaCASCADURA, banda revela parte do processo criativo de seu quinto álbum

Sessões de gravação, depoimentos dos envolvidos, cenas de shows e imagens da cidade de Salvador – matéria-prima fundamental do trabalho – contam como foi construído o Aleluia, quinto disco da banda de rock CASCADURA, no documentário #AleluiaCASCADURA. Assim como o álbum, que está disponível para download gratuito aqui no site (clique para baixar), o filme, que tem duração de 30 minutos, será lançado na internet, através do Portal da MTV Brasil (www.mtv.com.br), no dia 19 de novembro (segunda-feira).

Dirigido por Fábio Cascadura, cantor, guitarrista e compositor da banda, ao lado de Léo Monteiro, o documentário revela os bastidores da produção e apresenta falas do quarteto responsável por ela – Fábio Cascadura, Thiago Trad (baterista), andré t (produtor) e Jô Estrada (coprodutor) –, além de alguns dos parceiros do processo: Letieres Leite e Gabriel Guedes (Orkestra Rumpilezz) e Jajá Cardoso (Vivendo do Ócio). Momentos no estúdio, incluindo de participações especiais, como a da cantora Pitty, também se somam a registros da primeira vez que as novas canções foram apresentadas ao público, durante os quatro shows do projeto Sanguinho Novo, em janeiro de 2011, no Pelourinho. Tudo isto ilustrado por mostras de uma Salvador que não se estampa em capas de revista, mas que está no cotidiano dos seus cidadãos: justamente aquilo que serve como principal fonte de inspiração do Aleluia, um disco totalmente dedicado à capital da Bahia.

“Decidimos fazer o documentário para poder passar um pouco mais da nossa perspectiva sobre o processo criativo que levou à realização do Aleluia. Enquanto gravávamos, registrávamos de diversas formas as sessões lá no estúdio t. As vezes éramos nós mesmos que capturávamos as imagens. Muita gente faz isso hoje… O resultado é um filme pensado para a internet, para ser visto e compartilhado livremente pelas pessoas, e que tem a intenção de complementar o discurso de alinhamento da obra com a Cidade do Salvador”, resume Fábio Cascadura.

O documentário #AleluiaCASCADURA integra o projeto vencedor do edital Apoio à Produção de Conteúdo em Música, da Fundação Cultural do Estado da Bahia (FUNCEB), instituição vinculada à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, que financiou a realização do álbum Aleluia. O filme será posteriormente também exibido em alguns espaços de Salvador, como parte das ações de divulgação do disco.

O disco Aleluia Com lançamento virtual em 8 de maio passado, o Aleluia, álbum duplo com 22 faixas, já alcançou 12 mil downloads e pode ser baixado gratuitamente aqui. Após a incursão virtual, o disco, em formato físico, chega às lojas nesta segunda quinzena de novembro, num lançamento do Garimpo Música, selo fonográfico independente da produtora baiana Cada Macaco no seu Galho.

Assim como o Bogary (2006), este novo trabalho é produzido por andré t, coproduzido por Jô Estrada e foi gravado no estúdio t, na capital baiana. O resultado traz o conceito viável que justapõe a personalidade artística do grupo, num diálogo com as mais diversas esferas da cidade de Salvador. O Aleluia se destaca, ainda, pela participação de grandes nomes da música brasileira, tais como o maestro Letieres Leite e sua Orkestra Rumpilezz, Móveis Coloniais de Acaju, Pitty, Siba Veloso, Mauro Pithon, Jorge Solovera, Gabriel Guedes, Paulo Rios Filho e Jajá Cardoso (Vivendo do Ócio). Há também composições em parceria entre Fábio Cascadura com Nando Reis, Ronei Jorge e Beto Bruno (Cachorro Grande) – os dois últimos ainda cantaram junto com Fábio as canções.

Elogiado por público e crítica, o Aleluia foi um dos cinco finalistas da categoria Melhor Disco da 18ª edição do Video Music Brasil (VMB), da MTV Brasil. A turnê de divulgação do álbum foi iniciada em julho e já passou por cidades da Bahia (Vitória da Conquista, Camaçari, Feira de Santana e Juazeiro, além da própria capital), São Paulo e Brasília, dentro do Festival Porão do Rock.

Sobre o CASCADURA – Rock da Bahia desde 1992O nome CASCADURA reflete uma das mais respeitadas trajetórias dentro da música popular que se faz na Bahia. Comemorando 20 anos de estrada, é uma referência do rock nacional, indicação respaldada por público, artistas e crítica Brasil afora. Com cinco discos lançados (#1, 1997; Entre!, 1999; Vivendo em Grande Estilo, 2004; Bogary, 2006; e Aleluia, 2012), diversas participações em eventos de grande importância e uma sólida lista de conquistas alcançadas pelo valor de sua obra, o CASCADURA tem também entre seus títulos o DVD Efeito Bogary, um documentário-musical pioneiro no cenário do rock independente baiano.

O CASCADURA é formado por Fábio Cascadura (voz e guitarra) e Thiago Trad (bateria), dupla que conduz a banda há dez anos, ao lado de Du Txai (guitarra), Cadinho (baixo) e Nielton Marinho (percussão). Fábio é membro-fundador do CASCADURA e autor de todas as canções da sua discografia – parte delas, em parceria com outros companheiros desta história. Suas letras e melodias o fazem ser apontado como um dos mais destacados compositores de sua geração, assinando músicas obrigatórias da produção do rock brasileiro contemporâneo.

Documentário #AleluiaCASCADURA
Direção: Fábio Cascadura e Léo Monteiro
Produção: Thiago Trad
Realização: Piano Forte e Garimpo Música
Duração: 30 minutos
Lançamento:
19 de novembro de 2012 (segunda-feira)
Pelo Portal da MTV Brasil: www.mtv.com.br

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Papos de Aleluia – nº 3

terça-feira, 29 maio 2012 - postado por assessoria de imprensa

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Papos de Aleluia – nº 2

quarta-feira, 23 maio 2012 - postado por assessoria de imprensa

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Papos de Aleluia – nº 1

quarta-feira, 16 maio 2012 - postado por assessoria de imprensa

Aqui, vamos começar a contar um pouco do processo de construção do Aleluia pelas falas dos principais responsáveis pelo resultado da obra: Fábio Cascadura e Thiago Trad, do CASCADURA, e os produtores andré t e Jô Estrada. Nesse momento, eles falam, muito descontraidamente, como a história começou.

Logo mais, você terá acesso à sequência dessa conversa, contando mais detalhes de como o Aleluia foi feito. Acompanhe.

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(Re)Começo

domingo, 13 maio 2012 - postado por fabiocascadura

Faz alguns poucos dias que compartilhamos o Aleluia, álbum sobre o qual, tão cuidadosamente, trabalhamos ao longo de quase dois anos. Esse momento é muito especial porque é de fato a razão de toda a dedicação que tivemos. O disco, em si, é o objeto principal que tem motivado a existência desse blog. Aqui, viemos compartilhando um processo meticuloso, denso, extensivo, simples, mas sofisticado, intenso e prazeroso. Agora que essa fase de construção e todo o discurso relacionado ao álbum Aleluia, enquanto obra fonográfica, já passou, ainda não sabemos exatamente o que será desta plataforma que é o “A Ponte”, mas sabemos que ela tem sido muito importante na comunicação com as pessoas que acompanham o trabalho do CASCADURA.

Acho que já explicamos aqui mesmo como veio a ideia de compartilhar o processo de partilharmos detalhes da formação desta obra. Não creio que seja necessário repetir. No entanto, é fundamental para mim dizer que foi ótimo estar expondo cada momento, cada lance dessa verdadeira aventura que foi (e é) realizar o Aleluia. Falar para as pessoas e ouvi-las. Rever conceitos a partir da experiência de troca ou confirmar convicções artísticas: foi um verdadeiro teste para mim e uma grande lição que guardo para daqui pra frente. Estar em contato direto com todos que vieram cá, ler e opinar, representou a abertura de uma nova janela para o CASCADURA nesse ambiente de tantas contradições e diversidade constante que é a internet. Sou realizado com isso!

Esse trajeto, que parece se encerrar por esses dias, poderá ser rememorado graças às postagens deixadas aqui. E tivemos que experimentar muita coisa para tentar achar uma fórmula certinha de comunicação. Mas existe fórmula? Não. Não existe, gente. À medida que íamos avançando no tempo, as possibilidades se apresentavam e íamos dando vazão aqui no blog, como acontecia também durante a pesquisa relacionada ao disco ou no estúdio, durante as gravações. A surpresa foi senhora de nossos dias. Nenhuma previsibilidade vingava.

Para chegarmos até as pessoas, a partir daqui, nos dispusemos a criar alternativas discursivas: textos, vídeos, fotos, ilustrações… Cada um ia colaborando do jeito que dava. Em especial, contávamos com o apoio de nossa parceira Paula Berbert, que se encarregava de organizar essa plataforma e o fez com maestria. A ela sou muito grato, pela maneira tão tranquila de lidar com todas as postagens. Ela se tornou um elo fundamental nesse processo.

Não quero fazer deste texto um momento de despedida. Isso faremos mais adiante, quando dermos mais alguns passos em direção a outro momento em nossa carreira. Nem mesmo é a hora de um balanço de toda caminhada em direção ao Aleluia. Aqui está somente uma reflexão, já que o disco, enfim, chegou e está disponível para quem quiser, motivando-nos a lembrar das coisas que foram feitas para que ele ganhasse existência.

Disse isso porque agora há pouco estava fuçando em umas gavetas e achei um material que foi sendo juntado num cantinho dela. São folhas de papéis rascunhadas, bilhetes, desenhos, CDs e DVDs contendo ideias que foram parar no novo disco. Isso me colocou sob uma perspectiva tão mais precisa do que foi estar envolvido nesse trabalho. Comparar a rudeza do que está nesse material seminal com o resultado final do Aleluia denota que foi um processo riquíssimo. O bruto é bem bacana, não fosse não teria sido levado ao estúdio para um processo de lapidação, mas o diante do resultado final fica evidente a sofisticação da elaboração constituída por todos nós. Eu, Thiago, andré t, Jô, Du Txai, Paula Berbert, Jorginho Falcão, Ricardo Ferro, cada artista convidado e parceiro… Um envolvimento total, sem reservas. Estivemos abertos às interferências e o retorno não poderia ser mais legal.

Há uns CDs com rascunhos de canções, registradas muitas vezes no instante em que uma ideia surgia. Ou ainda há uma sequência de gravações precárias, feitas a partir de um celular, onde se vê o desenrolar da criação da canção. Para mim, como compositor, esse material tem função de registro e de material didático também, já que ao escutá-lo novamente vou reaprendendo como é compor.

Tem uma gravação que mostra como surgiu a melodia de “Sonho de Garoto”, ainda bem esboçada. Estava esperando Ticiana sair de uma aula de dança e veio a linha marcante de uma melodia. Guardei-a no celular e a trouxe para casa, onde exercitei algumas novas partes e harmonia.

Também há uma sequência de cinco ou seis arquivos de áudio com a experiência relacionada a “Resumindo (Steviana)” e, escutando-a, pude lembrar bem do momento em que comecei a pensar na possibilidade dessa canção: primeiro o esboço do riff que acabou formando o refrão, depois esse mesmo riff, mais seguro de sua organização, daí uma nova gravação com uma versão melhor dele, quase como está no disco. Só então há uma outra gravação, com um salto, e o esqueleto da música aparece. Isso tudo aconteceu no espaço de dois dias. Começou num domingo: estávamos nos preparando para um almoço na casa de pessoas da família e eu, já pronto, esperava Tici terminar a meticulosa e sempre bem feita maquiagem que ela costuma usar (isso leva tempo, gente!). Passava alguma coisa de esportes na TV e eu estava com o violão na mão. Daí, entrei no lance de tocar um riff com uma métrica “quebrada”, uma divisão pouco comum (vinda de mim). A estranheza e o prazer com aquilo me motivaram a gravar rapidinho também ao celular, já que ligar o computador e preparar uma sessão no estúdio caseiro levaria algum tempo (e ela já estava terminando de passar o rímel). Gravei no aparelho celular e fomos embora.

Passei o almoço inteiro sem me concentrar em uma única frase que me era dita. Só pensava em voltar pra casa e continuar a música. Mas, depois do almoço, ainda visitamos amigos, fomos não lembro aonde, vimos um filme. Chegamos em casa e ainda tinha que cuidar de Bruce, “le terrible bouledogue” etc… Tici foi dormir e eu, enfim, voltei à canção… As gravações são bem precárias, mas mostram o que se desenrolou a partir daí. No dia seguinte, ainda mudava coisas de ligar dentro do rascunho que ia “melhorando”. Até que, plenamente insatisfeito, guardei tudo e resolvi esquece a ideia por uns tempos, o que foi ótimo.

É a visualização desse processo em retrospectiva que me emocionou, nessa semana que passou e em que o disco foi compartilhado na rede de computadores. Perceber a distância percorrida por meio das pegadas deixadas tem sido fantástico também. Espero um dia poder compartilhar dessa experiência com quem vem acompanhando isso aqui. Mas acho que a hora é de curtir o resultado final e ver o que vem pela frente, porque a vida do Aleluia está só começando, gente. Vamos adiante.

Para ouvir e fazer download do Aleluia, basta clicar na imagem, é de vocês:

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CASCADURA lança primeiro single do álbum Aleluia

segunda-feira, 18 julho 2011 - postado por assessoria de imprensa

Banda libera download de Colombo, canção do quinto CD de carreira, com texto de apresentação assinado pelo publicitário Pedro Tourinho

Nesta segunda-feira, 18 de julho, o CASCADURA oficializa o lançamento da primeira música apresentada do seu quinto álbum, Aleluia. A canção Colombo, composta por Fábio Cascadura, está liberada para audição e download aqui no site.

Além de Fábio Cascadura (voz, vocais), Thiago Trad (bateria, tambor mourisco, tarol medieval), andré t (baixo, piano elétrico) e Jô Estrada (guitarras), Colombo conta com a participação especial do pernambucano Siba Veloso na rabeca (leia mais aqui). A música, que representa um imaginado ato de contrição de Cristóvão Colombo (leia mais aqui), é uma das 50 finalistas do IX Festival de Música Educadora FM, da Rádio Educadora FM da Bahia, e está sob votação de internautas para seleção das 14 vencedoras.

Assim como o conceituado Bogary (2006), o novo trabalho é produzido por andré t, coproduzido por Jô Estrada e está sendo gravado no estúdio t, na capital baiana. O Aleluia, que está em fase de finalização, vai ser um álbum duplo, com 22 faixas, e busca o conceito viável que justaponha a personalidade artística do grupo e um discurso novo, que dialoga com as mais diversas esferas da cultura da cidade de Salvador. A produção conta com financiamento conquistado através do edital Apoio à Produção de Conteúdo em Música, da Fundação Cultural do Estado da Bahia (FUNCEB), instituição vinculada à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia.

COLOMBO

Por Pedro Tourinho*
Nesta semana começa a se desvendar para o grande público o álbum Aleluia, novo trabalho do CASCADURA, totalmente baseado em Salvador. Sua sonoridade, assim como suas composições, são fruto de um grande processo de entendimento da síntese desta cidade que, tendo sido fundada como destino de grandes embarcações, culturalmente acabou por tornar-se origem de grandes jornadas.

CASCADURA desde sempre entendeu isso, com seu Rock com a cabeça no mundo e os pés fincados no Rio Vermelho. Em Aleluia, enquanto a maioria dos navegantes fita os olhos no horizonte, CASCADURA nos propõe uma viagem de volta ao porto. E sua primeira faixa, Colombo, disponibilizada para o público hoje, cumpre a responsabilidade de dar o tom da jornada.

A marcação disciplinada da bateria e percussão de Thiago contra as ondas dos acordes precisos da guitarra de Jô. A intensidade étnica do estalar da rabeca de Siba Veloso. A vitalidade e energia da chegada de andré t. O vocal rústico e solitário de Fábio, quase um aboio. Colombo vem com a força do desatracar de um navio em seu próprio porto.

Se todo porto é a síntese da jornada dos que lá desembarcam, Salvador, que já nasceu porto, representa um mundo inteiro, diverso. E Colombo traz esta sensação de ânsia dos viajantes em materializar o desconhecido. Afinal, de uma forma ou de outra, todos que aqui chegaram, negros, portugueses ou mulçumanos, também estavam descobrindo a América.

Fábio me diz que Colombo é a faixa com formato menos comercial do disco, mas ao mesmo tempo a música não sai da minha cabeça desde o momento em que a ouvi. Modéstia. Colombo é uma música em três atos, melodia forte e simples, legítima representante nagô na escola de Sir. Paul.

A jornada da nossa vida é um ciclo sem início. E, em Aleluia, CASCADURA estabeleceu como destino exatamente o nosso ponto de partida. E como não poderia deixar de ser, entre letras e versos, já na primeira faixa do disco, pesco a conclusão do fim da viagem: “Nós somos isso, nós somos risco, somos mal e bem… Só não somos Deus”.

* Pedro Tourinho é publicitário, especialista em entretenimento e mídia. Diretor de Criação da Agência New Content. Formado pela UCLA (Califórnia/EUA) em Estudos de Entretenimento e Mídia. Soteropolitano, mora em São Paulo/SP.

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Gravação “Aleluia”: percussão e piano (EMUS)

quinta-feira, 28 abril 2011 - postado por assessoria de imprensa

Na Sexta-feira Santa, o Cascadura estava aí…

Filmado e editado por Léo Monteiro.

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19 anos de CASCADURA!

segunda-feira, 18 abril 2011 - postado por fabiocascadura

O tempo é implacável: segue e não para pra ninguém.
Nesse ano de 2011, o CASCADURA conclui a sua segunda década de existência; a partir daqui, será um novo momento…

Não tinha a convicção de chegar a tanto, lá em 1992, quando comecei com o grupo. Éramos, inicialmente, eu, Joe (que foi Tromondo e na época chamávamos de Silvano), Marcos “Paquinho” Oliveira e Marcelo Sarrafi. Exceto pelo primeiro, com quem tive a ideia de montar a banda, perdi o contato com eles… Mas, ao longo do percurso, outros tantos colaboradores vieram, escreveram seus nomes, construíram em conjunto uma obra e tanto dentro do panorama da música da Bahia e, posso dizer, do Brasil.

Somos um grupo que existe pela música e nada mais nos interessa de verdade. Nutrimos os mais diversos desejos no correr desse tempo e muitos objetivos foram alcançados. Poder contar com o apreço de gente que admiramos há muito, nos tornando amigos deles, poder contar com o interesse, o carinho de tantos fãs é um prêmio indelével: temos que agradecer…

Não há como não lembrar de gente como Ricardo “Flash” Alves (guitarrista que, dentre outras coisas, nos trouxe “Rodas nos Asfalto” e “Adeus, Solidão”), Paulinho Oliveira (de “Mesmo Sem Merecer”, meu grande parceiro), seu irmão Ivan Oliveira (tecladista e baixista), Toni Oliveira (que não é irmão dos dois anteriores, mas que conceituou muito do que fizemos nos primeiros 10 anos da história da banda), o inimitável Alex Pochat, Candido Sotto (que teve duas passagens pela banda, sempre deixando sua marca), Martin Mendonça (hoje é só “o Martin” e todo mundo na música sabe de quem se está falando… ele é único!), Jean-Louis Franco (batera do “#1”), Maurício Braga (batera do “Entre!”)… Lá se foram Yuri Bonebreaker, LF, Mauro Tahin… Um monte de gente que fez do CASCADURA um algo mais. Eu deixo aqui minha grande homenagem e meu agradecimento ao que cada um deles imprimiu nessa trajetória. São parte dessa história toda.

Muita gente passou pela banda, subindo aos palcos e tantos outros atuaram “atrás das cortinas”, fazendo o nome circular: Nestor Madrid, que acreditou num disco que queríamos e conduziu-nos aos nossos desejados primeiros registros fonográficos. Edson Rodrigues, o Ed Rey, que tanto tempo nos conduziu e nos fez seguir… Dimitri, Paula Berbert, Ricardo Ferro… Poxa! São muitos! Agradeço à todos.

Hoje, como ontem, eu e Thiago Trad contamos com a colaboração de andré t, Jô Estrada, Dudu Txai. Caras que, faz um tempo, são parte de uma colagem que vai dando forma a um capítulo à parte do CASCADURA. O “Aleluia” vem aí.

Um amigo me perguntou se poderia esperar mais um “grande disco”. Nossos discos são grandes? Pra mim também são… Só respondi a ele que esperava não decepcionar ninguém, não me esforçaria para decepcionar ninguém… Mas o “Aleluia” contará a sua própria história e terá a avaliação de quem quer que o escute.

Chegar aos 19 anos de carreira é uma façanha! Ainda mais no Brasil… na Bahia…
Não cansei e já não vejo a hora de abraçar os 20 anos!
21 de abril de 2011: feliz aniversário para o CASCADURA!

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E VAMOS COMEMORAR!

Para celebrar, nós vamos, em parceria com o Portal Cascadura, sortear 3 kits CASCADURA (DVD Efeito Bogary + CD Bogary + camiseta da banda).

Quem quiser participar, tem que seguir @CascaduraRock e @PortalCascadura no Twitter e dar um RT na seguinte frase: No aniversário do @CascaduraRock, o @PortalCascadura sorteará 3 kits com DVD + CD + Camiseta. http://kingo.to/yPo Dê RT e concorra!

O resultado sai no dia do aniversário da banda, 21 de abril.

Boa sorte!

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1, 2, 3… Rumpilezz no Aleluia!

segunda-feira, 14 março 2011 - postado por fabiocascadura

No texto “Um instante, Maestro”, postado aqui em A Ponte há algum tempo, falei do convite que fizemos ao maestro Letieres Leite para escrever o arranjo de uma das canções do Aleluia. Na ocasião, aconteceu uma visita dele ao estúdio t para escutar o que tínhamos do disco, absorver a atmosfera que estamos criando e, principalmente, conhecer a composição que escrevi pensando justamente em ter a sua Orkestra Rumpilezz como convidada.

Foi muito bom perceber que ele entendeu e curtiu nossa intenção. Antes dele, somente os membros envolvidos diretamente na construção desse projeto e um grande amigo haviam escutado uma demo caseira que gravei com a “intenção” da música em questão. Aliás, esse grande amigo, o guitarrista e compositor Graco Vieira (membro fundador da banda Scambo, ex-guitarrista do Inkoma e parceiro de Thiago Trad no projeto carnavalesco Bailinho de Quinta), foi um grande incentivador dessa ação. Quando escutou a demo aqui em minha casa, de primeira, falou: “Isso me remete a duas fontes: White Stripes e Rumpilezz!”.

Fiquei feliz e intrigado com o que ele disse. Primeiro, porque ele falou de duas coisas que eu realmente curto ouvir e, depois, pelo fato de que, talvez, inconscientemente, eu tenha direcionado a composição para isso mesmo… E o disco todo!

Combinar influências díspares tem sido um exercício dentro da realidade do Aleluia. O novo, o antigo, o tradicional e o inovador. O local e o gringo… O disco tem seguido assim, sem forçar a barra e “sem querer reinventar a roda”, como costuma dizer Thiagão.

Pois então: Letieres sugeriu que o arranjo fosse executado por oito músicos de sua orquestra, sendo que um deles já tinha vindo participar em outras faixas (e já teve um post dedicado inteiramente a ele aqui no blog): o indispensável mestre dos atabaques do candomblé Gabi Guedes! O maestro Letieres trouxe partituras para um set maravilhoso de sopros. No mínimo inusitado. E convidou alguns dos seus melhores músicos para executar esse arranjo durante a sessão que marcamos.

Devido à agenda concorridíssima dele, tivemos que esperar algumas semanas. Mas a espera valeu demais a pena. Letieres foi muito sensível em nossa proposta estética. Usou a base daquela demo que falei, mantendo alguns pontos que caracterizam a composição e subvertendo outros para sua forma de perceber harmonia e ritmo.

Para escrever essa música, que chamo de “To your head” (tradução: “Para sua cabeça”), usei como lastro de condução rítmica um trecho de um toque cerimonial do candomblé. Veja bem: andré t, em uma de suas muitas pesquisas, havia registrado em um terreiro desse culto afrobrasileiro um número de toques litúrgicos cujas apresentação “aos de fora” e gravação são permitidas (sendo uma religião pautada em preceitos misteriosos, nem sempre o que há no seio do culto pode ser livremente mostrado).

Essa gravação parece ter sido feita há mais de 15 anos e ele a guardou para alguma utilização futura. andré fez e faz essas pesquisas para enriquecer seu arsenal de timbres, texturas, ritmos e composições melódicas. O faz como exercício artístico e cerca-se sempre dos cuidados requeridos por cada experiência. Conheço uma outra pesquisa sua que diz respeito a gravação de sons de equipamentos industriais (molas, bigornas, chapas de diversas ligas metálicas, caixas de pregos e assim por diante), mas a essa não tive acesso.

Criterioso, em sua pesquisa, andré solicitou ao alabê (músico responsável pela execução dos toques nas cerimônias do candomblé) que liderava o “naipe” de percussão no instante em que ele gravava que, antes de cada toque apresentado, pronunciasse o nome deste e, se possível, para qual finalidade ou orixá ele costuma ser apresentado. Daí, era mostrada a célula rítmica do gã (agogô), depois a célula concernente aos dois tambores menores (rumpí e lé) e, finalmente, toda a “orquestra” tocando junta (com a adição do tambor maior, geralmente sob a execução do mestre: o rum). Dessa experiência, extraiu um registro extraordinário de parte do coloridíssimo universo rítmico dos cultos afrodescendentes: fidedigno e claro!

Ouvindo essa coleção, me deparei com células que, depois, de alguma forma que cabe à historiografia musical contar, se desdobrariam para o jazz, o blues, o samba, o rhythm’n’blues, o funk, a soul music, o bolero, o tango, o rock e obviamente toda gama rítmica que povoa a música feita na Bahia. E foi em cima de um trecho de um toque que a voz na gravação denominava como “ibí” (segundo ela mesma, toque cerimonial em honra de Oxalá) que desenvolvi o esboço de “To your head”.

Mas por que em inglês? Não sei exatamente! Eu cantarolei uma melodia a partir de partes de samplers que fiz de algumas gravações de pop, jazz e música de teatro de revista (se é que posso denominar assim). Construí uma trilha de sons, bem a “grosso modo”, sobre a qual poderia cantar. E me veio à boca alguns fonemas em inglês (isso costuma me ocorrer quando estou cantando, depois me viro para conjugar o som daquelas palavras, que textualmente entre si não fazem qualquer sentido, para o português e ainda, contar uma história plausível. Um exemplo dessa prática é a música “Não posso julgar ninguém”, dentre outras da obra do CASCADURA). Fui ouvindo e deixando aqueles sílabas ali. Quando percebi os versos, para meu espanto, combinavam-se entre si e resolvi que essa seria minha primeira composição no idioma da velha ilha da Bretanha, e assim vai ficando…

Tudo isso é para situar o que veio com a chegada do sensacional (ao menos para nós) arranjo do maestro Letieres. Numa segunda-feira pela tarde, nos encontramos no estúdio t. Estávamos todos lá: andré t, Thiago Trad, Jô Estrada… A equipe de sempre por trás do Aleluia. Logo chegaram Letieres e alguns dos músicos que havia convidado. Fazia um calor absurdo.

Para começar, o maestro convidou que sentassem os músicos dedicados à região do graves, os que leem a pauta sob a chave de fá: Adaílson Rodrigues no trombone baixo, Gilmar Santos na tuba, e sax barítono a cargo do sensacional Junior Maceió. Eles construíram o que serve de linha condutora na parte harmônica da música: um riff de sopros graves.

Sob a regência de Letieres e experientes como são, deram conta de tudo em poucos minutos. A interferência de andré t, sempre oportuna e certeira, também deu fluidez a todo o processo. Ele é experimentado na arte da microfonação, sabe o que quer atingir quando expõe esse ou aquele elemento. Pode parecer supérfluo, mas ele sabe, como poucos, mostrar o porquê da distância desse microfone para aquele instrumento. Sabe como poucos o quer, do equipamento e do músico.

A simbiose gerada entre Letieres (o maestro) e andré t (o produtor musical) é um caso à parte e merecia um texto único para tratar do tema… O diálogo encontrou viés para se desenvolver e a música foi surgindo, mansa e vigorosamente.

Terminada essa parte, Letieres sugeriu que outra sessão dos sopros fosse gravada imediatamente: “Não vamos perder essa energia que ainda está pairando na sala!”, disse. Assumiram seus postos os músicos encarregados do set de sopros das regiões mais acima dos anteriores (na clave de sol): sax tenor, que foi executado por Kiko Souza (amigo que conheci por meio do exímio baixista e também amigo Ivan Oliveira, ex-CASCADURA), trombone e trompete. Além dele, gravaram esse take: Marcílio Santana (trompete), João Teoria (trompete) e, novamente, Gilmar Santos (trombone), Júnior Maceió (dessa vez no sax alto) e Adaílson Rodrigues (trombone).

As partes dialogaram também. O set grave ditava o riff, o grupo seguinte, então, respondia em texturizações inteligentemente intricadas pelo autor da partitura. Ficou uma joia!

Foram mais repetições. Havia nessa parte alguns pormenores a serem posicionados, devidamente colocados: dinâmica, ataque e duração de notas. Tudo isso, Letieres dá conta aos músicos com um gesto das mãos, enquanto eles executam. Por vezes para e pede que repitam. Pede: “andré, retorne ao ponto ‘tal’ para que essa linha seja refeita…”. andré prontamente o atendia. E sugeria também: “Mais forte, Maestro? Pode ser?”.

Houve um momento em que, no meio do naipe de sax tenor/trombone/trompete, os músicos queriam ouvir determinado detalhe de um glissando (expressão originada da língua italiana utilizada na terminologia da música, que denomina uma passagem suave de uma altura a outra na escala) feito pelo trombone durante a sua execução. andré se dirigiu a Letieres: “Maestro, teremos algum ‘fortíssimo’ por parte do trombone nesse pedaço? É que a extensão do trompete é muito ampla…”. Com a negativa sobre a presença do “fortíssimo”, ele girou o botão de um dos seus compressores, com aquela volúpia que tínhamos com os antigos seletores de canal das TVs antigas, para numa volta chegarmos a determinado programa em outra emissora, e o som do trompete surgiu “gordo”! Todos içaram mais confortáveis.

A dinâmica estabelecida nessa gravação foi outro show à parte. A beleza de uma orquestra de sopro, aliás, está justamente aí: os músicos tocam juntos, como um corpo só, insinuando-se a cada movimento, crescendo e amainando a execução de acordo com a intenção proposta pelo autor/arranjador. E por falar em autor: me fiz de espectador. Nada falei…

A sessão foi concluída em seis horas e, para finalizá-la, mais alguns detalhes de trompetes e flauta. Todos estavam felizes com o resultado atingido. Mais um tempo de conversa em torno de uma pizza providenciada por nosso Jorginho Falcão, que cuida com zelo da parte funcional de todo processo da gravação do Aleluia: nosso assistente de produção! Combinamos que não demoraríamos para seguir com a gravação da sessão rítmica: seria dali a dois dias, numa quarta-feira.

Nesse dia, Salvador amanheceu sob forte temporal: uma chuva calamitosa despencava sobre a cidade. Havíamos marcado para chegar às dez da manhã. Como Jorginho teria que dar apoio aos dois percussionistas chamados por Letieres para realizar a gravação, eu não teria carona. Assim, deveria me virar para chegar ao estúdio no horário. Depois de esperar a chuva diminuir (porque passar, ela não passaria tão cedo), fui até o ponto e peguei o ônibus. São cinco minutos nessa condução até o estúdio, tempo suficiente para a chuva, que já estava bem fininha, tornar a ser um dilúvio. Desci próximo à rua onde fica o estúdio t, mas tão eficiente era o temporal que, depois de dois passos na direção que deveria seguir, retrocedi, atravessei a rua e me abriguei sob a marquise de uma lojinha. Me abriguei, mas já estava totalmente encharcado…

Foram 25 minutos contando os pingos que caíam no chão… “A chuva veio forte… Não para agora, não…”, comentou um senhor que saía da loja com um cigarro em uma mão e uma cerveja em outra (numa quarta-feira, 10h30 da manhã!…). Quando já pensava em enfrentar o temporal, ele decide por acalmar-se. Vejo chegar pela calçada Mark Mesquita, que trabalha como assistente do estúdio de andré e é baterista de uma das bandas mais legais de Salvador: Os Irmãos da Bailarina. “Vou pegar a sua carona!”, gritei para ele, que vinha a pé; “Então, vamo logo, que a chuva vai ca…”, ele respondia quando o aguaceiro tornou a carga… Já era tarde para retroceder. Seguimos correndo – eu, tentando correr, dentro da minha alpercata de couro, molhada e escorregadia, literalmente todo molhado.

Chego à porta do estúdio e encontro um andré t igualmente ensopado, irritado com operários da obra do edifício ao lado que, justo naquela manhã, haviam decidido instalar alguns andares de andaimes bem na frente de sua garagem, inviabilizando a entrada de qualquer veículo… Sob seu olhar feroz, dois funcionários da obra desmontavam em regime “operação tartaruga” a armação metálica. Nisso, já estavam lá Letieres Leite e Jô Estrada: “Jô, o professor (como carinhosamente chamamos andré t) tá ensopado, nesse ar condicionado polar dele, vai acabar ficando gripado e eu também. Vamos lá em casa pegar umas toalhas, umas camisetas e nos recompor…” – falei. De um só movimento, Jô Estrada se levantou e foi até o carro, o segui e fomos buscar com o que nos secar.

Seguimos pela Avenida Cardeal da Silva, Federação, inundada, com cerca de 50 centímetros de água. Carros parando, uns com motores comprometidos, outros por haverem inadvertidamente caído em buracos. E nada da chuva quietar… Depois do trajeto feito, dos apetrechos para secagem resgatados e de eu ter trocado a roupa toda, voltamos pelo mesmo caminho, e já sem chuva… A rua estava sem água, mas repleta de novos buracos e velhos bem mais alargados e aprofundados. “Que asfalto ‘mingau’ é esse, mermão?!”… Aos poucos as nuvens que nos assombravam foram se dispersando. “Quer ver? Vai estar todo mundo ‘foguetado’ nessa gravação, exceto mestre Gabi Guedes… Conhece Gabi Guedes, Jô?!”, perguntei. “Só de nome. De vocês falarem… Nunca encontrei com ele, não…”, Jô respondeu. “Pode crer… O cara tem um astral, uma calma que chega no lugar e contamina… Hoje você vai ver”.

Descemos do carro secos, porém ainda no esquema correria. Chegando ao estúdio, achamos um andré t a toda, no trabalho, microfonando isso, comprimindo aquilo… Lá na sala de gravação, Gabi posicionando seus tambores. Ofereci toalha e camiseta enxuta a andré, e ele nem viu ou ouviu, concentrado que já estava. Passados uns minutos, o próprio Guedes veio nos cumprimentar, com seu sorriso e sua gentileza. Logo chegou Jorginho na companhia de outro percussionista: Kainã. Deve ter uns 18 anos, no máximo. Mas é dono da mesma tranquilidade do outro alabê e, de certa forma, apesar da pouca idade, de parte de sua elegância no tocar e portar-se. Vai ver o treinamento inclui esse tipo de etiqueta. Brincadeira: é de berço mesmo.

Eles se puseram na sala de gravação e começaram a tocar orientados pelo Maestro Letieres e andré t. Nesse instante, para que corresse tudo bem, aproveitei a estiagem para ir com Jorginho cuidar de alguns detalhes burocráticos referentes à gravação. Quando retornamos, cerca de meia hora depois, as partes estavam praticamente prontas. Num piscar de olhos, a turma revelou-se dentro da canção e estava toda a contribuição ali, diante de nós.

Pedi a Letieres que fosse dada ênfase a um pequenino detalhe estilístico, já que não se tratava da gravação de algo sacro, mas baseado nisso. Não era e nem é um toque de candomblé, mas um ritmo extraído de um dos toques que sustenta a canção. Ele me atendeu e os dois “ases dos tambores” ainda gravaram o detalhe tocando darbuka (tambores tunisianos) com agdavi (baquetas para atabaque). Foi o link de todo o jazz de Letieres com o pop possível do CASCADURA.

Saímos do estúdio e batemos um papo rápido enquanto Marcelo Zimmermann, incubido da captura das imagens do que vem acontecendo nas gravações do Aleluia, colhia impressões em vídeo dos que estavam ali, sobre o que presenciaram. Fazia nessa hora o mesmo calor da segunda-feira passada, quando gravamos os sopros. Todos do lado de fora conversávamos sobre o temporal: chuva, relâmpago, “hoje é quarta-feira, não se esqueça…”, lama, “muita água nas ruas e as ruas com buracos…”, caos… Caos! Até que Gabi Guedes sai da sala e, num silêncio oportunamente feito por todos, pronuncia: “Mas o céu se abriu, ó…”

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