Segue o baba!

terça-feira, 31 agosto 2010 - postado por fabiocascadura

Desde que os conheci, quando ainda disputavam as seletivas do Gas Sound, tipo de “battle of the bands” de alcance nacional, promovido por uma marca de refrigerante, fiquei entretido pelo estilo, pelo som e pelo carisma dos Vivendo do Ócio.

Foi Thiago Trad quem me falou deles a primeira vez. Mas o contato entre nós foi estabelecido por Luciano Matos, jornalista, quando trabalhávamos no programa Jam Session Rock, na rádio A Tarde FM – ele como redator e eu, como comentarista, aqui em Salvador.

O programa era semanal e era praxe haver uma entrevista com quem estivesse fazendo algo interessante. Esse papo rolava sempre por telefone. Justamente por terem passado da 1ª etapa do dito concurso, Luciano os recomendou como entrevistados daquela edição do JSR.

Foram três perguntas que fiz ao Jajá, cantor do grupo. Sinceramente, nem conhecia a música deles… Até ali. O cara (pra mim, um garoto) foi bem tranquilo em suas respostas. Depois, botamos no ar uma música de uma demo que o próprio Luciano nos trouxe. Não tava bem gravada, mas tava ali e dava pra tocar… Pela simpatia, acabei anotando o nome mentalmente e decide observar. Lembro que eles fizeram um show, numa matinê na Boomerangue (uma casa de shows daqui da cidade, que fechou recentemente), logo depois desse papo. Mas a agenda do CASCADURA nesse tempo e a minha preguiça me impediram de ir.

Pela imprensa, soube que eles seguiram bem no tal festival e chegaram à final. Fiquei sinceramente feliz.

Não lembro se antes ou depois disso, convidamos eles para o lançamento de um projeto que havíamos idealizado: o Sanguinho Novo! Como o CASCADURA sempre teve a política de tocar com outras bandas mais novas, num intercâmbio onde trocávamos tudo, e essa prática acabou gerando, para nossa honra, uma demanda de bandas querendo tocar com a gente, decidimos criar um momento, uma festa dedicada a essa atividade – da mesma forma que criamos o Cascadura’s Private Hell (para os essenciais shows em “inferninhos”) e o Laboratório Acústico do Dr. Cascadura (onde experimentamos possibilidades sem uso de tanta eletricidade/plug)…

O Sanguinho Novo é uma festa em que convidamos bandas/artistas mais novos, mas com uma trajetória bacana, e onde podemos chamar a atenção das pessoas para a necessidade da doação de sangue… Sim! Consideramos isso um verdadeiro ato cidadão! Mais adiante, abordaremos essa festa em especial, deixe-me voltar aos Vivendo do Ócio…

Para a primeira edição dessa festa, os convidamos. Ali os assistimos, os ouvimos e eu, ao menos, me tornei um grande fã da banda. A vibe foi tão boa que decidimos até fazer outro show juntos, o que ainda não aconteceu… Mas, dali, eles seguiram, ganharam o Gas Sound, gravaram um disco de estreia muito bom, foram morar em Sampa e enfim…

No momento que decidiram partir para São Paulo, resolveram fazer um show de despedida e me convidaram para cantar uma música nesse espetáculo. O palco seria o mesmo onde havíamos nos encontrado anteriormente: Boomerangue.

Para participar desse show, fui convidado a ensaiar no estúdio que a banda tinha, ou tem, no bairro do Santo Antônio Além do Carmo. Estudei a vida inteira no Barbalho, bairro vizinho àquele lugar. Tudo ali me era muito familiar e foi uma viagem e tanto chegar ao estúdio passando por entre as ruas estreitas da região.

Bem recebido (lógico! Os caras são muito camaradas!), tivemos um ensaio fantástico! A minha participação foi passada umas três vezes: “Break on through”, dos Doors. Tudo foi muito fácil! Eles me contaram seus planos para a ida à nova experiência e me vi um pouco neles, quando cerca de cinco anos antes rumei com o CASCADURA para lá também… Me despedi e fui: de volta pra casa. “Até o domingo!”

Caminhava no fim de tarde pelas mesmas ruas estreitas que haviam me levado ao estúdio. Passei perto dos postes enferrujados (velhos, mas muito característicos do bairro) e percebi a chegada de uma centelha de ideia: um riff! Andei uns cinco minutos solfejando a sequência de notas que formava o riff e logo veio também a ideia da melodia a ser cantada… Uepa!

Tirei o celular (meu companheiro e salvaguarda! Quantas melodias deixei de perder, graças a ti?!) do bolso e pus a cantarolar, a meia voz: riff, melodia da voz… era tudo. Ainda tenho arquivado esse momento. Cheguei em casa e aprimorei o que tinha criado. Tinha uma carga ao mesmo tempo familiar e nova. Tinha rock, mas queria pular fora disso, ou chamar algo diferente para a roda.

“E se… Não, nããão!” – foi a primeira resposta à minha percepção de qual novidade aquele riff parecia propor… Pagodão?

Eu já havia pensado na maluquice que poderia ser justapor uma coisa e outra. Ok… O Fantasmão pôs guitarra no pagode… Achei sui generis. Não gostei por crer exagerado, apesar de aplaudir a tentativa e a busca de algo novo. Mas ficou feio, na minha opinião. Gostei mais do que fez o Sam Hop com seu “Ser negão é massa”.

Mas e se subvertermos o ritmo de lá? Se o trouxermos até cá e lhe dermos contornos daquilo que conhecemos? Vamos lá… Levei a ideia adiante em minha cabeça, depois em minhas demos caseiras, até que a apresentei ao Professor t. andré adorou o desafio.

Trouxe uma letra que desfazia do que desfaz: o famoso “olho gordo”:

“Segue o baba
Esse sonho é meu
São meus passos, meus freios
Peru-de-fora, olho gordo”

… e tá dando nisso:

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