Enfim, de volta ao palco!

sexta-feira, 21 janeiro 2011 - postado por fabiocascadura

Como se diz na gíria: 2011 chegou chegando! Veio com o projeto Sanguinho Novo, onde apresentamos um novo show, inserindo músicas inéditas que farão parte do Aleluia, numa proposta de dividir o palco com bandas mais novas e de trabalho relevante no cenário musical soteropolitano, e ainda chamar atenção para a necessidade da doação voluntária de sangue.

As duas primeiras etapas das quatro do projeto foram de grande sucesso. Na primeira, fomos surpreendidos por um número muito maior do que imaginávamos de pessoas interessadas em participar dessa ação: algo em torno de 2 mil pessoas ficaram de fora da estreia no Largo Tereza Batista, sendo que a lotação oficial do espaço do pelourinho é de 1.200.

Como as acomodações do camarim da praça são bem pequenas, decidimos nos aquartelar numa pousada que fica ali perto. E de lá vimos e ouvimos a Dubstereo agitar a massa numa proporção que ainda nos era desconhecida. Claro que somos admiradores da trajetória e da obra desse jovem projeto, que dá uma identidade ultracontemporânea ao painel musical de Salvador. Claro que acompanhamos suas ações e que conhecemos seu potencial. Mas eles se superaram. Um monte de gente cantava boa parte das músicas por eles apresentadas, a plenos pulmões, com toda empolgação. Memorável! Somos agradecidos à Dubstereo por sua adesão ao Sanguinho Novo. Queremos muito reviver essa parceria. Aguardem!

E chegou a nossa hora! A multidão ainda esperava a chance de entrar. Atravessamos a rua estreita e muito cheia até chegarmos ao portão de entrada. Subimos as escadas e esperamos ser chamados pelo mestre de cerimônias Tiago Moura (também conhecido como Tiago “Curto Circuito”, nome do seu programa de rádio). Ao som de “Hooked on a feeling”, do Blue Swede, entramos para tocar.

O show foi, antes de tudo, uma catarse. Um desabafo da saudade! Nossa e dos nossos fãs. Estamos falando de exatos 12 meses de ausência dos palcos. Corremos com canções do Bogary, do Vivendo em Grande Estilo e quatro das tantas que virão compor o Aleluia, dentre as quais a própria canção título, “O Rei do Olhar”, “O Delator” (da qual já falamos aqui e que no disco contará com a participação especial de Jajá Cardoso, da Vivendo do Ócio) e “O Tempo Pode Virar”, que encerra parte importante da apresentação.

Além das novas canções, o novo show vem com os novos colaboradores, andré t, Jô Estrada e Du Txai, e com eles um novo comportamento, onde nos revezamos por entre guitarras, baixo e teclados, para suprir as necessidades dos arranjos que desenvolvemos. Isso trouxe nova cara e vitalidade para canções antigas como “Wendy”, onde passei a tocar baixo, além de cantar, e andré toca teclado.

A praça estava realmente lotada. O público empolgado. Dançava, agitava, cantava emociandamente conosco, emocionando-me! Mas com todas as coisas que fez, comportou-se de modo exemplar! Ali, não houve um único incidente. E que siga assim. Saímos de alma lavada pela espera, pelo trabalho executado, pelo esforço, nosso e de nossos parceiros e equipe.

Porém, ainda tínhamos muito o que fazer nos dias seguintes. Como falei: 2011 chegou chegando! E ao passo que vamos desenvolvendo o Sanguinho Novo, nos pusemos de volta ao Aleluia.

Enquanto nos preparávamos para realizar o segundo show, dessa vez dividindo o palco com a excelente Vendo 147 na abertura, recebemos duas figuras que vieram para contribuir com toda a abordagem que pretendemos em nosso novo álbum: os artistas plásticos Izolag e Ananda Nahu. Com eles, embarcamos num tipo de aventura pela arte visual: produção frenética, injeção de cores e muitas surpresas saltando aos nossos olhos. Eles vieram conceber e produzir as ilustrações da capa do disco e essa é uma matéria que trataremos com o cuidado devido aqui.

Não bastando, ainda em paralelo, realizamos um encontro no estúdio com outro artista que trouxe sua incisiva colaboração. Essa pessoa veio ajudar-nos a contar uma das histórias mais importantes do Aleluia e que, sem ela, talvez não teríamos como fazer… Aguardem mais novidades.

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E é Verão…

quarta-feira, 05 janeiro 2011 - postado por fabiocascadura

Quando pisarmos no palco do Largo Tereza Batista, no Pelourinho, na estreia do projeto Sanguinho Novo, estaremos dando início a uma nova etapa em nossa carreira. Será a abertura de um novo processo com novos colaboradores no palco, novo repertório, nova abordagem artística… Não sei se tudo isso estará tão evidente para os que a nós assistirem. Mas, certamente, esse momento trará novas emoções a todos.

Ainda não posso definir muito bem que emoção é essa que nos toma agora. Há uma ansiedade pairando no ar. Temos tomado cuidados com detalhes dentro do show que estamos montando e ensaiando arduamente em estúdio. Mas tem também uma curiosidade imensa em saber a opinião daqueles que realmente importam para o CASCADURA: os fãs!

Somos conscientes de que esse é um reencontro aguardado, por nós e pelos fãs, há um ano. O show mais recente do CASCADURA deu-se em 30 de janeiro de 2010! Foi a despedida da turnê do Bogary. Depois disso, como todos já sabem, entramos em estúdio para a gravação do Aleluia. Como o disco ainda não foi lançado, essa não é a turnê referente a ele. É sim a realização de um dos projetos que temos e pelo qual nutrimos grande carinho, por sua motivação social e artística.

Não quero entregar o jogo antes da hora. A surpresa é ingrediente fundamental no sucesso do que nos propomos a fazer. Mas todos podem ir à apresentação de estreia do Sanguinho Novo certos de que uma história inteira será contada ali e a aurora de um novo CASCADURA também lhes será apresentada. Também é da nossa vontade mostrar um repertório diferente a cada apresentação, que ocorrerá na programação do projeto, a cada domingo até o final do mês de janeiro.

Em paralelo à realização do Sanguinho Novo, estaremos dando continuidade à parte mais aguda das gravações do Aleluia. Nesse mês, entraremos em estúdio com muitas novidades: gravações de arranjos, participações especiais de amigos… Acabamento! Tudo isso será detalhado aqui ao passo que for acontecendo e quem vier aqui acompanhará essa história.

Assim, o Verão, que agora se faz imponente em seu calor sobre a Cidade da Bahia, será muito atarefado para nós, do CASCADURA.

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Segue o baba!

terça-feira, 31 agosto 2010 - postado por fabiocascadura

Desde que os conheci, quando ainda disputavam as seletivas do Gas Sound, tipo de “battle of the bands” de alcance nacional, promovido por uma marca de refrigerante, fiquei entretido pelo estilo, pelo som e pelo carisma dos Vivendo do Ócio.

Foi Thiago Trad quem me falou deles a primeira vez. Mas o contato entre nós foi estabelecido por Luciano Matos, jornalista, quando trabalhávamos no programa Jam Session Rock, na rádio A Tarde FM – ele como redator e eu, como comentarista, aqui em Salvador.

O programa era semanal e era praxe haver uma entrevista com quem estivesse fazendo algo interessante. Esse papo rolava sempre por telefone. Justamente por terem passado da 1ª etapa do dito concurso, Luciano os recomendou como entrevistados daquela edição do JSR.

Foram três perguntas que fiz ao Jajá, cantor do grupo. Sinceramente, nem conhecia a música deles… Até ali. O cara (pra mim, um garoto) foi bem tranquilo em suas respostas. Depois, botamos no ar uma música de uma demo que o próprio Luciano nos trouxe. Não tava bem gravada, mas tava ali e dava pra tocar… Pela simpatia, acabei anotando o nome mentalmente e decide observar. Lembro que eles fizeram um show, numa matinê na Boomerangue (uma casa de shows daqui da cidade, que fechou recentemente), logo depois desse papo. Mas a agenda do CASCADURA nesse tempo e a minha preguiça me impediram de ir.

Pela imprensa, soube que eles seguiram bem no tal festival e chegaram à final. Fiquei sinceramente feliz.

Não lembro se antes ou depois disso, convidamos eles para o lançamento de um projeto que havíamos idealizado: o Sanguinho Novo! Como o CASCADURA sempre teve a política de tocar com outras bandas mais novas, num intercâmbio onde trocávamos tudo, e essa prática acabou gerando, para nossa honra, uma demanda de bandas querendo tocar com a gente, decidimos criar um momento, uma festa dedicada a essa atividade – da mesma forma que criamos o Cascadura’s Private Hell (para os essenciais shows em “inferninhos”) e o Laboratório Acústico do Dr. Cascadura (onde experimentamos possibilidades sem uso de tanta eletricidade/plug)…

O Sanguinho Novo é uma festa em que convidamos bandas/artistas mais novos, mas com uma trajetória bacana, e onde podemos chamar a atenção das pessoas para a necessidade da doação de sangue… Sim! Consideramos isso um verdadeiro ato cidadão! Mais adiante, abordaremos essa festa em especial, deixe-me voltar aos Vivendo do Ócio…

Para a primeira edição dessa festa, os convidamos. Ali os assistimos, os ouvimos e eu, ao menos, me tornei um grande fã da banda. A vibe foi tão boa que decidimos até fazer outro show juntos, o que ainda não aconteceu… Mas, dali, eles seguiram, ganharam o Gas Sound, gravaram um disco de estreia muito bom, foram morar em Sampa e enfim…

No momento que decidiram partir para São Paulo, resolveram fazer um show de despedida e me convidaram para cantar uma música nesse espetáculo. O palco seria o mesmo onde havíamos nos encontrado anteriormente: Boomerangue.

Para participar desse show, fui convidado a ensaiar no estúdio que a banda tinha, ou tem, no bairro do Santo Antônio Além do Carmo. Estudei a vida inteira no Barbalho, bairro vizinho àquele lugar. Tudo ali me era muito familiar e foi uma viagem e tanto chegar ao estúdio passando por entre as ruas estreitas da região.

Bem recebido (lógico! Os caras são muito camaradas!), tivemos um ensaio fantástico! A minha participação foi passada umas três vezes: “Break on through”, dos Doors. Tudo foi muito fácil! Eles me contaram seus planos para a ida à nova experiência e me vi um pouco neles, quando cerca de cinco anos antes rumei com o CASCADURA para lá também… Me despedi e fui: de volta pra casa. “Até o domingo!”

Caminhava no fim de tarde pelas mesmas ruas estreitas que haviam me levado ao estúdio. Passei perto dos postes enferrujados (velhos, mas muito característicos do bairro) e percebi a chegada de uma centelha de ideia: um riff! Andei uns cinco minutos solfejando a sequência de notas que formava o riff e logo veio também a ideia da melodia a ser cantada… Uepa!

Tirei o celular (meu companheiro e salvaguarda! Quantas melodias deixei de perder, graças a ti?!) do bolso e pus a cantarolar, a meia voz: riff, melodia da voz… era tudo. Ainda tenho arquivado esse momento. Cheguei em casa e aprimorei o que tinha criado. Tinha uma carga ao mesmo tempo familiar e nova. Tinha rock, mas queria pular fora disso, ou chamar algo diferente para a roda.

“E se… Não, nããão!” – foi a primeira resposta à minha percepção de qual novidade aquele riff parecia propor… Pagodão?

Eu já havia pensado na maluquice que poderia ser justapor uma coisa e outra. Ok… O Fantasmão pôs guitarra no pagode… Achei sui generis. Não gostei por crer exagerado, apesar de aplaudir a tentativa e a busca de algo novo. Mas ficou feio, na minha opinião. Gostei mais do que fez o Sam Hop com seu “Ser negão é massa”.

Mas e se subvertermos o ritmo de lá? Se o trouxermos até cá e lhe dermos contornos daquilo que conhecemos? Vamos lá… Levei a ideia adiante em minha cabeça, depois em minhas demos caseiras, até que a apresentei ao Professor t. andré adorou o desafio.

Trouxe uma letra que desfazia do que desfaz: o famoso “olho gordo”:

“Segue o baba
Esse sonho é meu
São meus passos, meus freios
Peru-de-fora, olho gordo”

… e tá dando nisso:

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