Papos de Aleluia – nº 1

quinta-feira, 17 maio 2012 - postado por assessoria de imprensa

Aqui, vamos começar a contar um pouco do processo de construção do Aleluia pelas falas dos principais responsáveis pelo resultado da obra: Fábio Cascadura e Thiago Trad, do CASCADURA, e os produtores andré t e Jô Estrada. Nesse momento, eles falam, muito descontraidamente, como a história começou.

Logo mais, você terá acesso à sequência dessa conversa, contando mais detalhes de como o Aleluia foi feito. Acompanhe.

Bookmark and Share

Tomada em “Ela não tem medo”

terça-feira, 23 agosto 2011 - postado por assessoria de imprensa

Nossos amigos da Tomada, banda de São Paulo, estão de disco novo: “O Inevitável”, que foi mixado por andré t (nosso grande produtor), tem pré-produção de Martin e Duda Machado (parceiros de sempre!) e conta com duas músicas nas quais Fábio Cascadura é parceiro: o blues “Hoje eu não tenho muito a dizer” e o rock “Catarina”. Então, além de muito bom e de merecer recomendação, este álbum tem bastante relação com o Cascadura!

Eles acabaram de lançar um clipe desse trabalho.
Vejam cá:

Bookmark and Share

Gravação “Aleluia”: percussão e piano (EMUS)

quinta-feira, 28 abril 2011 - postado por assessoria de imprensa

Na Sexta-feira Santa, o Cascadura estava aí…

Filmado e editado por Léo Monteiro.

Bookmark and Share

Passa em Volta – Martin e Eduardo

quarta-feira, 20 abril 2011 - postado por assessoria de imprensa

Eles vestem nossa camisa.
E nós sempre vestimos a deles.
Martin e Eduardo, em “Passa em Volta”.

Bookmark and Share

Os Reis Católicos

segunda-feira, 04 abril 2011 - postado por fabiocascadura

Há uns dias, escrevi um texto chamado “Os Reis Católicos”, falando da música que tem este título e que estará no repertório do Aleluia. Depois de escrito, numa madrugada de insônia, guardei-o. Cheguei a enviá-lo depois para ser postado aqui no A Ponte, mas, relendo, desgostei dele… Assim, confesso, abandonei a abordagem e retomei o tema nesse texto que você lê agora. Vamos lá.

OS REIS CATÓLICOS
É somente uma canção do amor romântico. Ambientada no momento de namoro entre duas figuras que tomei emprestada da história das Grandes Navegações: os Reis de Espanha, Isabel de Castela e Ferdinando de Aragão.

Foi esse casal que, em seu reinado, possibilitou a partida do navegador Cristovão Colombo em direção ao oeste, por via marítima, para tentar alcançar as Índias, numa corrida disputada com o rival Reino de Portugal. Essa corrida, Portugal venceria circunavegando a África (todo mundo aprendeu isso no ginásio). Mas a Espanha não ficaria por baixo e chegaria às Américas! (Que tem esse nome, e não Colômbia, por conta de um joguete do destino… “Procure saber…”)

Dispus-me a, através da liberdade poética, falar pela boca de um apaixonado Ferdinando (que não sei se o era. Casamentos dentro da monarquia serviam para formar laços políticos. Amor é coisa de livro…) das “novas” trazidas por mensageiros, que contavam que o “genovês ruivo” haveria chegado a um “jardim”, que era deles agora e do qual eles poderiam desfrutar “sem que lá tenhamos que por os pés”.

Mas quem vivia nesse pedaço de chão? Esse jardim? Era deserto? Não. Não era… E ainda precisaria de muitos braços para erguer o que fosse necessário… Bom… É uma canção de amor e, nas palavras do amante à amada, tudo são flores!

Para gravar a base do seu arranjo, andré t concordou em elaborar uma formação básica e muito suave e, para completar, convidamos novamente nosso amigo Paulo Rios Filho, que já havia magistralmente elaborado o arranjo para uma pequena orquestra em “A Verdadeira”. A ideia era que ele nos trouxesse a trompa, instrumento sinfônico identificado com o clima monárquico, antigo, medieval… Sua abordagem nos surpreendeu novamente. Ele entendeu a temática e fez aquele som, nos transportando para a justa paisagem onde haver-se-ia acontecido essa imaginária “corte” de D. Ferdinando à sua Isabel…

Resta-nos mostrar um pouco disso aqui:

Bookmark and Share

A Verdadeira (está em todo lugar)

domingo, 20 março 2011 - postado por fabiocascadura

Quando postei o texto “A Mulher de Roxo”, pedi que me cobrassem um post sobre “A Verdadeira”. Cobrança feita, eis que venho cumprir a promessa… Mas exatamente o quê uma coisa tem a ver com a outra?

Nessa história de tratar da Cidade do Salvador no disco Aleluia, confrontando seus contrastes, suas disparidades, emergiram duas canções: “A Mulher de Roxo”, que, pelos motivos que expliquei no post específico, fala da repressão ao feminino, e “A Verdadeira”, que explicarei agora.

Há uma música muito famosa, que ganhou notoriedade na voz de João Gilberto: “Falsa Baiana”. Essa canção, curiosamente, não foi escrita pelo “pai da bossa nova”, e sim por um compositor chamado Geraldo Pereira.

Geraldo era um motorista de caminhão de coleta de lixo que viveu por entre a boemia carioca nos anos 1930 e 40. Morador da região do Morro da Mangueira, amigo do ilustre Cartola, participou ativamente da construção do que ficou conhecido como samba sincopado, apontado como um dos alicerces da própria bossa nova dos anos 50. Geraldo teve um punhado de sambas seus conhecidos: “Acertei no Milhar”, “Bolinha de Papel” e “Ministério da Economia” (em que exaltava as medidas trabalhistas/populistas do Governo Vargas). Porém, sua música mais conhecida é mesmo “Falsa Baiana”, onde descreve a discrepância de atitude entra a “falsa” e a “verdadeira” baianas diante de uma roda de samba.

Tão categórica é a sua explanação que tais características acabaram sendo absorvidas pelo folclore da “Terra de São Salvador”: “Baiana é aquela que entra no samba de qualquer maneira/ Que mexe, remexe, dá nó nas cadeiras/ Deixando a moçada com água na boca…”. Apesar desse sucesso todo, Geraldo morreu pobre e de forma trágica: morto numa briga de bar, supostamente pela faca do legendário Madame Satã. Mas sua obra contribuiu muito com o que se chama de samba hoje em dia e, em especial, “Falsa Baiana” entrou para o imaginário do que é a “típica soteropolitana”. O detalhe: ele era mineiro.

Ouvindo esse samba famoso, na voz de João Gilberto, pensei: essa baiana realmente existiu? Se sim, será que ainda está aqui, hoje?! Generalizar é uma merda…

Em “Falsa Baiana”, o foco central é aquela que não mexe as cadeiras e que não deixa a moçada com água na boca em contraponto à que vira os olhinhos e diz: ‘Eu sou filha de São Salvador!’ enquanto samba… Se é assim, então, a “verdadeira baiana” nada mais é do que a hoje identificada como PIRIGUETE! Acompanhou o meu raciocínio, Geraldo?!

A piriguete não totaliza todas as baianas, mas está presente no cotidiano da cidade. A despeito do estereótipo sobre o qual o termo foi gerado, quando era representado pela moça de origem pobre, suburbana, usando trajes mínimos e de cabelos sempre molhados (fruto do uso de cremes específicos para esse fim e de baixo custo, como o famoso Kolene), ela está hoje em todos os lugares: nas ruas do centro, nos shopping centers, nas praias, nos salões de beleza, nos mercados (populares ou nem tanto), atrás dos balcões, nas recepções dos consultórios e não se enganem: estão nos consultórios, nos anúncios na TV, canteiros de obras, agências publicitárias, tribunais, fóruns, no Carnaval (em cima e embaixo dos trios elétricos), sobre os palcos… Elas estão em todos os lugares, são de todas as origens, com todos os tons de pele, já aderiram à chapinha e tudo mais…

Vulgares? Outrora chamadas de “ninjas” (gíria muito popular em Salvador entre o final dos anos 1990 e começo dos 2000), as piriguetes reafirmam a independência feminina, a voluntariedade no fazer o que se quer, sem pensar em consequências ou opiniões alheias… A piriguete é o “agente antirepressivo” da mulher. Em geral tratado com humor, piriguete acabou por se tornar um termo depreciativo. Ok… Mas não há como negar: as piriguetes estão em todo lugar.

Assim, para contrapor a repressão ao feminino, tão frugal na Cidade da Bahia, que eclode em “A Mulher de Roxo”, escrevi “A Verdadeira”. Se a “Falsa Baiana” não entra na roda, “A Verdadeira” vai! “A Verdadeira”, porque a “Falsa Baiana” o mineirinho Geraldo Azevedo já havia escrito.

A letra diz:

A Verdadeira
Revira os olhinhos, deixa colar
Já foi Rosa de Ouro, hoje é estrela vulgar
Jeito de corpo, ela vai até o chão
Já foi coisa de louco – hoje, chamam, ela vai

Ali onde a roda é som e fúria (e solidão é reza)
Aqui onde as ondas avançam o mar
Ai de quem não andou no escuro
Ai de quem seja seu par

É verdadeira até não poder mais
Veio dessa maneira e não pode mudar
Chega na hora e só sai no final
Ela é dessas mulheres que só dizem “Mais!”

Ali onde a roda é som e fúria (e solidão é reza)
Aqui onde as ondas avançam o mar
Ai de quem não andou sozinho
Ai de quem seja seu par

Coração!
Coração!

Veio como uma valsinha, em ¾ (lógico, Cascadura!). Pensei que nada de samba haveria nela: seria o óbvio fazer isso! E quisemos posicioná-la mais como modinha romântica que qualquer outra coisa. Um argumento que nos remetesse a Machado de Assis, José de Alencar, Brasil do século XIX (lembremos que os movimentos literários/artísticos vindos da Europa chegavam aqui para ser propagados com muito mais tempo de atraso que hoje… Mas, ainda hoje, sofremos dessa influência… C’est la mondialisation!). E pensamos no nome do nosso amigo, compositor, arranjador Paulo Rios Filho.

Paulo Rios é formado em composição pela Escola de Música da UFBA. Destaca-se por uma profusa produção, marcada por intercâmbio com criadores de outros continentes como Europa e África. Membro do grupo OCA (Oficina de Composição Agora), que realiza um interessante e instigante trabalho de repensar e renovar as abordagens dentro da composição para Música de Concerto e Orquestra (como eles, humildemente, preferem chamar o que muitos se referem como “Música Erudita”…). O Grupo OCA é um caso à parte nesse extenso panorama criativo da Bahia (e submerso pela “grande mídia”) que recomendo: procurem conhecer. Ainda neste semestre, estarão lançando uma série de concertos gratuitos no Teatro Vila Velha, aqui mesmo em Salvador. Informem-se!

Num papo, expus um esboço da canção a Paulinho. Expliquei-lhe tudo isso que abordei acima. Discorri sobre a falsa e a verdadeira, o contraponto entre as duas e a oposição que essa música significaria diante de “A Mulher de Roxo”: ele entendeu! Sugeriu um arranjo baseado em uma orquestrinha de câmara, com ênfase em instrumentos do grupo de (sopro) madeiras: oboé, fagote, clarineta… Fiquei exultante e curioso.

Ele elaborou o arranjo baseado em uma demo caseira que fiz com a voz e sampler de trechos instrumentais (dos Beatles, inclusive, especificamente a canção “Being for the Benefit of Mr. Kite!”, do disco Sgt. Peppers), e de uma outra que fizemos apenas com voz e violão no estúdio t, gravada por sugestão de andré t.

Algumas semanas passadas e ele nos traz sua abordagem para o tema… Ali, Paulo Rios Filho brindou-nos com sua grande inteligência musical, sua sensibilidade apurada e sua cultura. O arranjo primoroso abordava um clima romântico, como queríamos, mas com um algo mais. Por vezes o fagote, instrumento tão lindo, profundamente grave e solene, brincava com os “pi ri rim pom pom” dos arrochas e pagodes da vida!

Num lance de muita beleza, oboé, flauta transversa, violino e clarineta passeiam lado a lado, fugindo uns dos outros por vezes, agrupando-se num instante de comunhão… Eita, que ficou bonito! Deixamos um pouco disso para que você veja e escute por si mesmo o que foi essa sessão…

Diana Bakardjieva (Oboé)
Cláudia Sales (Fagote)
Flávio Hamaoka (Flauta)
Pedro Robatto (Clarinete)
Mário Britto (Violino)

Ao final, ficamos todos muito satisfeitos.
Acreditamos que, mesmo antes da gravação das vozes, ainda há o que ser feito. E vamos fazê-lo! Ainda não sabemos o quê…

Bookmark and Share

E é Verão…

quarta-feira, 05 janeiro 2011 - postado por fabiocascadura

Quando pisarmos no palco do Largo Tereza Batista, no Pelourinho, na estreia do projeto Sanguinho Novo, estaremos dando início a uma nova etapa em nossa carreira. Será a abertura de um novo processo com novos colaboradores no palco, novo repertório, nova abordagem artística… Não sei se tudo isso estará tão evidente para os que a nós assistirem. Mas, certamente, esse momento trará novas emoções a todos.

Ainda não posso definir muito bem que emoção é essa que nos toma agora. Há uma ansiedade pairando no ar. Temos tomado cuidados com detalhes dentro do show que estamos montando e ensaiando arduamente em estúdio. Mas tem também uma curiosidade imensa em saber a opinião daqueles que realmente importam para o CASCADURA: os fãs!

Somos conscientes de que esse é um reencontro aguardado, por nós e pelos fãs, há um ano. O show mais recente do CASCADURA deu-se em 30 de janeiro de 2010! Foi a despedida da turnê do Bogary. Depois disso, como todos já sabem, entramos em estúdio para a gravação do Aleluia. Como o disco ainda não foi lançado, essa não é a turnê referente a ele. É sim a realização de um dos projetos que temos e pelo qual nutrimos grande carinho, por sua motivação social e artística.

Não quero entregar o jogo antes da hora. A surpresa é ingrediente fundamental no sucesso do que nos propomos a fazer. Mas todos podem ir à apresentação de estreia do Sanguinho Novo certos de que uma história inteira será contada ali e a aurora de um novo CASCADURA também lhes será apresentada. Também é da nossa vontade mostrar um repertório diferente a cada apresentação, que ocorrerá na programação do projeto, a cada domingo até o final do mês de janeiro.

Em paralelo à realização do Sanguinho Novo, estaremos dando continuidade à parte mais aguda das gravações do Aleluia. Nesse mês, entraremos em estúdio com muitas novidades: gravações de arranjos, participações especiais de amigos… Acabamento! Tudo isso será detalhado aqui ao passo que for acontecendo e quem vier aqui acompanhará essa história.

Assim, o Verão, que agora se faz imponente em seu calor sobre a Cidade da Bahia, será muito atarefado para nós, do CASCADURA.

Bookmark and Share

#DVDPittynoCirco

segunda-feira, 20 dezembro 2010 - postado por fabiocascadura

Foi uma experiência única! Fazer parte da gravação do novo DVD da amiga Pitty, com toda galera que a acompanha, todos amigos de longa data, foi realmente um prazer enorme.

Os ensaios já traziam a carga emocional daquilo que vivenciaríamos no palco. Sob a direção de Rafael Ramos, que faz a produção musical de toda a obra da Pitty, foi desenvolvida a estrutura da música com a minha participação. Ficou muito legal. As dicas de Rafael foram bastante precisas e todas deram certo.

Não bastando estar com os amigos da banda tradicional (Pitty, Martin, Duda e Joe), ainda conheci o tecladista Bruno Cunha, que passa a excursionar como membro da trupe, e também o grande Hique Gomez, violinista/cantor/performer conhecido por todos por seu projeto Tangos & Tragédias, que já correu o Brasil levando humor e música, e ali também para fazer uma participação no DVD, na canção “Água Contida”.

Iria somente apresentar “Sob o Sol”, parceria minha com a Pitty, gravada nas sessões do álbum Chiaroscuro e que acaba de ser lançada no Lado B de um lindo compacto de vinil preto e branco, que também conta com o sucesso “Me Adora” no Lado A. Mas, lá mesmo, nos ensaios, foi sugerido que tocássemos, em regime de experiência, a música “Senhor das Moscas”, do Bogary. O resultado foi tão bacana que acabaram levando-a para o show também. Não acredito que faça parte do DVD, mas a reação de todos foi tão positiva que já valeu!

A viagem entre São Paulo (onde ensaiamos) e o Rio de Janeiro, onde rolaria o show, no histórico Circo Voador, foi feita de ônibus com boa parte da equipe a bordo. Apesar de toda camaradagem e bom papo que acabou fluindo e da alegria de todos em participar desse projeto, o trajeto não foi nada fácil: é que a saída de São Paulo é realmente movimentada (ainda mais num fim de tarde de sexta-feira) e um engarrafamento nos atrasou em mais de quatro horas. Resultado: só chegamos ao Rio na madrugada do dia do show, quando deveríamos estar lá ainda no começo da noite do dia anterior! Ok…

Ainda cedo, acordei e fui dar um giro pela vizinhança do hotel, que ficava no tradicional bairro da Glória. Já conhecia aquele trecho do Rio e aproveitei somente para caminhar, andar por entre a gente carioca, rever alguns lugares que acho bacanas: Largo do Machado, Catete, Jardim do Museu da República… Na volta, encontrei Duda disposto a um banho de mar antes de ir para o Circo Voador e começar os preparativos para a grande noite. Topei!

Fomos à praia do Leme, eu, Duda e Léo Leone. Demos um mergulho naquelas águas geladas, tão características das praias cariocas. Não demoramos muito: ainda havia muito o que fazer. Fiquei no hotel enquanto, aos grupos, quase todos foram dar sua contribuição à montagem do espetáculo e de toda a estrutura para sua captura em audiovisual. Uma equipe de cinegrafistas (dentre eles o amigo Rafael Kent, aqui de Salvador, além do grande Ricardo Spencer, diretor da empreitada) circulava a caminho do local do show/filmagem enquanto outros da equipe técnica preparavam o som, o cenário (desenvolvido pelo Renan, que já conhecia pela internet por ser fã da Pitty), camarim e tudo mais que envolve a produção de um show.

Acabei chegando ao Circo Voador por volta das 17h30 e tudo já estava praticamente pronto. Aguardei somente que o som fosse acertado e subi para ensaiar minha parte, agora, no palco, com tudo que aconteceria na hora do show. E como não poderia ser diferente, tudo deu muito certo… Aliás, parece que tudo que foi planejado correu como deveria. Isso deu mais confiança a todos e a satisfação estava muito evidente nos sorrisos e cumprimentos entre os envolvidos.

Encontrei com o amigo Fred (Supergalo, ex-Raimundos) que não via há um tempo, acho que desde que ele veio com a Supergalo tocar em Salvador, no Carnaval de 2008, a nosso convite, num trio. Além dele, outras figuras do Rio de Janeiro fizeram questão de levar seu abraço a Pitty e equipe pela realização desse DVD, dentre eles Marcelo D2: muito tranquilo e simpático. Muito legal perceber o carinho que todos têm com o trabalho de Pitty. Não somente com ela, que, por seu carisma, sempre cativa a todos, mas especialmente pelas coisas que ela fala e expõe em suas canções e em sua atitude, levando em uma nova argumentação uma série de temas à discussão por muita gente (jovem) que, sem essa iniciativa, estaria à margem de qualquer oportunidade de debate.

Pouco antes de subir ao palco, no camarim, fui convidado a fazer parte da “roda”: Pitty, Duda, Martin, Joe, Bruno, Hique, Rafael Ramos, eu… nenhuma palavra dita. Um “Hey!” pronunciado por ela e a magia estava feita! Subiram ao palco para uma sequência de canções que, segundo eles, eram “lados B”. Na verdade, as mais de 2 mil pessoas que lá estavam conheciam todas as músicas e participaram de cada uma delas com toda força, toda vontade, toda vibração. Bonito de ver.

Teve um outro momento significativo, ainda no começo, que ficou marcado: enquanto tocavam “Desconstruindo Amélia”, a banda via um monte de garotas, nos ombros de amigos(as), ficarem somente de sutiã! Algumas tentaram até ir além, mas não rolou…

A participação de Hique Gomez foi fantástica. Além de grande musicista, ele também é um cara ligado às performances teatrais e trouxe ao show um toque muito especial: sendo um tango, ele e Pitty acabaram arriscando uns passos durante a música “Água Contida”.

Depois da primeira metade da apresentação, chegou o momento da minha participação. Foi muito emocionante entrar no palco do Circo Voador (onde só havia pisado uma vez, num show com Cascadura e Cachorro Grande) e partilhar essa canção. A resposta da galera não poderia ter sido mais bacana: muito carinhosos, todos! Para a surpresa da assistência, ainda emendamos “Senhor das Moscas” que, aí para a minha surpresa, muitos conheciam.

Já na coxia, após o término, fomos convidados a repetir a performance a pedido de Ricardo Spencer, e Rafael foi muito enfático: “Olha, gente… Ficou ótimo! A performance e a interpretação estão prontas. Mas o pessoal da captura de vídeo (Spencer) pediu para repetir porque faltou filmar alguma coisa. Pode ser?” Não é algo que seja muito confortável… Pitty muito sensivelmente me perguntou se tudo bem pra mim e eu disse que “sim”… Lá vamos nós outra vez.

Eles voltaram como num bis, mandaram uma para reaquecer e então viria mais uma versão de “Sob o Sol”: Pitty canta a primeira estrofe, eu entro no refrão e… alguma coisa acontece no meu coração e nós dois erramos os nossos trechos da letra e essa nova tentativa ficou na tentativa mesmo… Pena! Fiquei pensando se aquilo comprometeria o resultado final.

Logo todos estavam confraternizando numa festa improvisada no camarim. Todos celebrando o êxito na realização desse projeto. Ao final, chamei Spencer e ele disse: “Cara a sua participação arrepiou! Ficou muito bom! As vozes de vocês dois… Blá, blá, blá…”. Aí, eu falei: “Legal, man… pena que não capturou direito, né? Foram poucas tomadas?”. Ele respondeu meio espantado: “Oxe… capturamos direito, sim! Filmamos tudo! Peguei todos os closes que imaginei…”. E eu: “Ô?! E por que você pediu para refazermos a minha parte?!”. Aí, ele arremessou: “Foi tão bonito que eu queria ver de novo!…”

Bookmark and Share

Bahia de Todos os Rocks 2010!

segunda-feira, 29 novembro 2010 - postado por fabiocascadura

Dia 23 de novembro, uma terça à noite, fui à cerimônia de entrega do Prêmio Bahia de Todos os Rocks 2010. Na edição anterior, de 2008, o Cascadura recebeu os prêmios de Banda do Ano e Melhor Clipe, por “Mesmo Eu Estando do Outro Lado”, dirigido por Zeca de Souza e Luis “Mingau” Guilherme.

O Prêmio é uma ideia muito legal do pessoal da PutzGrillo!, jovem produtora local, e visa a premiar a produção do rock baiano, além de criar uma oportunidade de congraçamento entre todos que participam desse mercado.

Esse ano, não tivemos indicação, não concorremos em nenhuma categoria. Nosso lançamento dentro do período julgado (2009-2010) foi o DVD Efeito Bogary e não há categoria em que ele se enquadre (além de o conteúdo dessa obra já ter sido avaliado). Porém, além de vários amigos estarem participando como concorrentes, acho de grande relevância prestigiar a festa.

Aconteceu no Teatro Casa do Comércio, mesmo lugar da cerimônia da primeira edição. Foi uma premiação justa com muitos trabalhos importantes sendo apontados aos troféus (que é uma brincadeira bem sacada com uma “figa”) e com a participação de boa parte dos que circulam pelos espaços da chamada cena alternativa soteropolitana. A falta, na minha opinião, está justamente aí: é preciso chegar ao interior da Bahia, onde há boa produção também.

Do mesmo modo, gostaria de ver ali outras possibilidades para além do rock, como o reggae e a música eletrônica, que, se não estão alinhados esteticamente, têm muito que contribuir para o crescimento e a circulação dessa orientação cultural. Enfim, o Prêmio Bahia de Todos os Rocks pode, daqui para frente, dar uma contribuição ainda maior ao panorama artístico da cidade e do estado, chamando à adesão uma gama maior de artistas e estilos.

No mais, foi uma felicidade ver o reconhecimento e o carinho de todos que estavam lá com gente como Messias, que recebeu o prêmio de “Música do Ano” por sua “Resilience”; como Ronei Jorge e Os Ladrões de Bicicleta (houve um pequeno incidente que acabou dando mais charme à apresentação deles, que também concorriam à “Música do Ano”: a guitarra de Edinho não funcionou e ele, como não podia tocar, cantou e dançou. Foi sensacional!); bacana o prêmio de “Músico Destaque” para Morotó, que, ao meu ver, sempre será indicado (na ausência do premiado, quem acabou indo buscar o troféu foi seu parceiro de Retrofoguetes, Rex, que também concorria na categoria. Foi engraçadíssimo vê-lo lá! Rex é um cara muito espirituoso e inteligente. Deveria inclusive ser cotado para apresentar as próximas edições).

A banda Quarteto de Cinco levou o prêmio “iBahia Garage Band”, o que a credencia a participar do Festival de Verão 2011; o videoclipe vencedor foi o da Teclas Pretas (talvez a concorrência mais acirrada do Prêmio); Silvis Rodrigues ganhou como “Designer do Ano” e Luciano Matos, pelo blog El Cabong, levou “Mídia do Ano”. Merecidíssimo o prêmio para “Frascos, Comprimidos e Compressas”, de Ronei Jorge e Os Ladrões de Bicicleta: “Disco do Ano”! Bem como para “Banda do Ano”, que foi a Vivendo do Ócio (eles fizeram um 2010 fantástico, trazendo adimiração e orgulho a todos nós que curtimos o som deles), e o “Show do Ano”: Paulinho Oliveira, que aniversariava naquela noite.

Na 1ª edição, o prêmio mais aplaudido foi o que foi oferecido ao pessoal d’Os Panteras, batizado de “Dinossauro Referência” (parêntese: acho o nome desse prêmio muito feio. Poderiam escolher um título melhor, menos pseudopomposo. Talvez bastasse “Referência Rock”… Mas Dinossauro Referência é feio demais…). Nessa edição, este prêmio coube ao comunicador, radialista e agitador cultural Valdir Serrão, o Big Ben!

Antes de mais nada, a homenagem é mais que merecida: Valdir Serrão é um cara que tem sua marca na história do rock local. Com cinco ou seis anos de idade, lembro do programa que ele tinha na TV Itapoan, o “Som do Big Ben”, e depois escutei mil outras histórias de suas iniciativas para divulgar o rock’n’roll, o reggae e outros estilos por aqui (tem aquela famosa lenda de que, em 1969 ou 70, ele teria colocado “Voodoo Chile”, de Jimi Hendrix, para tocar em seu programa na rádio e durante a execução choveram telefonemas perguntando por que a estação estava fora do ar…). Enfim, o prêmio é mais que merecido. Só achei que a produção do vídeo de apresentação não foi a contento. Tem que ter mais cuidado ao expor uma figura pública, tanto mais quando vamos homenageá-la.

No mais, espero que daqui pra frente o Prêmio Bahia de Todos os Rocks só cresça, contribuindo para tornar ainda mais visível o resultado do esforço de quem trabalha pela música na Bahia.
Parabéns aos indicados, aos premiados, aos organizadores… Enfim: Parabéns!

Bookmark and Share

Vespas Mandarinas + Fábio Cascadura no Festival DoSol

terça-feira, 16 novembro 2010 - postado por fabiocascadura

Depois de um voo que fez, desde São Paulo, duas paradas, em Brasília/DF e Fortaleza/CE, completando mais de seis horas de viagem, chegamos à “Cidade do Sol”: Natal, Rio Grande do Norte. Por isso o nome do festival: DoSol!

Voo demorado é aquilo… Numa cadeira espremida, durante o processo de implantação da nova política da companhia que, para baratear a passagem, passou a vender as refeições durante a viagem: tudo certo! Sou a favor disso, mas R$ 4 numa garrafa d’água é um pouco demais. A água desce com gosto de sal… Até fazermos o check-in no balcão, seria uma única parada, em Recife, achávamos. No “Boa tarde!” do comandante, ficamos conhecendo essa rota de pinga-pinga… Vá lá. Tudo certo se as comissárias não estivessem com a cara amarrada… sempre!

Eu tenho 1,92 metro de altura. Boa parte disso é perna… Cadeirinha espremida é tortura pra mim. Por seis horas, então… Let’s rock!
O que deu um toque pitoresco à tudo foi a presença do famoso Comissário Ronald, que assumiu o comando do serviço de bordo a partir de Fortaleza, e que nos brindou com uma inesquecível e original explicação das normas de segurança do voo.

A produção do evento, na 7ª edição esse ano, é bem experimentada. Chegamos ao aeroporto e eles lá estavam para nos receber.

Quando estive com o CASCADURA, em 2008, para tocar nesse festival, fiquei em um hotel próximo ao centro da cidade e perguntei como chegaria à Praia de Ponta Negra, muito famosa. Pela distância da qual estava, acabei não conhecendo o lugar. Nem bem entrei na van e perguntei: “Onde fica Ponta Negra?”. Me responderam que o nosso hotel ficava em frente a essa praia! “Ponto para nóis”!

Vista do hotel da Praia de Ponta Negra [Foto por Nicolau Gomes]

Vista do hotel da Praia de Ponta Negra (Foto por Nicolau Gomes)

Nos instalamos e fomos jantar. Logo mais, iríamos à 1ª noite do festival, que teria a apresentação dos AMP, de Recife, e do pessoal do Love Bazukas, junção entre Chuck Hipolitho, dos Vespas Mandarinas, e os caras do Black Drawing Chalks (GO), que tocaram no DoSol Bar. Ambos os shows foram muito bons. Sai de lá com o ouvido apitando e algumas cervejas na cabeça. Fui dormir, porque o sábado prometia. E acordei cedo (8 horas, de pé!) para aproveitar o dia.

Fomos à praia, eu, Chuck, Thadeu, Mauro e Mike, esses últimos acompanhados das namoradas, e lá encontramos os amigos Fabrício Nobre, do MQN (GO) e da Abrafin, e sua esposa, que se juntaram ao nosso sombreiro. Por lá, passaram muitos dos que se apresentariam à noite, dentre eles o Márcio do Mechanics (GO) e o Dennis, Black Drawing Chalks. Com tanto goiano em Natal, eis que surge um carrinho vendendo camarão com a estampa “Camarão Goiano”. Foi solicitado. Mas Goiás produz camarão?!

Que temperatura, a da água de Ponta Negra! Sensacional! Você tem vontade de ficar lá e pronto… E o sol expressava o calor nas mais altas casas, justificando o nome da cidade. Um calor diferente do de Salvador.

Com o banho de mar, perdemos a hora do almoço que o evento banca para os participantes. E em festival indie é assim: TUDO TEM HORÁRIO. Perdeu? Tchau!… Fomos então a um restaurante que fica ao lado do hotel. Caro, mas muito bom! Comemos… camarão. Delicioso. O detalhe é que havíamos comido isso na noite anterior e durante a estada na praia. Quando voltei ao quarto para uma soneca revigorante, sofri um “mini-piriri-cagancha”… Mas nada demais para um intestino forjado a azeite de dendê, por anos a fio…

Antes de subirmos ao quarto, quando passávamos pela porta do hotel, ouvimos um miado com sotaque de “S.O.S.”. Um segurança do hotel, em frente a um carro branco, falou: “É um gato que entrou no motor desse carro… Tá aí desde cedo, miando, e não consegue sair…”. Chuck, entre o indignado e o assombrado, perguntou por que ele não tinha feito nada para tirar o bichinho. Deitou-se no chão, pôs a cabeça embaixo do carro e foi aventurar-se a resgatar o felino. Eu pensei: “Vamos lá!”, e o imitei. Sem sucesso, tentamos arrancá-lo dos ferros. Só depois que subi, frustrado por não ter conseguido, Chuck e Thadeu o tiraram de lá, numa verdadeira operação resgate: “We can be heroes!”.

Chegamos à Rua Chile, no bairro da Ribeira (olha as semelhanças com Salvador de novo), onde rola o Festival. Um palco maior fica montado no “Armazém”, casa que deve abrigar umas duas mil pessoas. O menor fica no próprio DoSol Bar, na mesma rua. Foi onde o CASCADURA tocou em 2008. O show “Vespas Mandarinas + Fábio Cascadura” estava marcado para às 22h30, no palco do “Armazém”, mas, para minha alegria, acabou sendo transferido para o palco menor, no DoSol Bar. Gostei demais de ter tocado lá.

Chegamos com nossos instrumentos e ficamos aguardando a multidão se acomodar para levá-los ao camarim. Enquanto isso, conheci o Nevilton, cantor/compositor/líder da banda homônima. Cheio de energia, dando bons e seguros primeiros passos no universo independente brasileiro, vem conquistando o apreço da mídia, dos colegas e do público que o viu. Humilde e falante, Nevilton pareceu–me uma figura legal, autêntica e muito própria. Nos veremos novamente, muito em breve…

Reencontrei o amigo Esdras Nogueira, sax barítono dos Móveis Coloniais de Acaju (DF), banda que faz o trabalho mais consistente que tenho visto nos últimos anos, rodando o Brasil com seu show festivo e lançando bons produtos no mercado. Começamos a alinhavar uma possível colaboração mútua (mais detalhes, em algumas semanas, aqui mesmo). Autoramas, Cabruêra (com um show que hipnotizou a audiência), Superguidis, muita gente lá…

Cerca de 40 minutos para subirmos no palco, já com os instrumentos no camarim e em meio à correria reinante, fomos convidados para uma entrevista ao vivo via web. Acho que foi a única vez em que não falei numa ocasião assim e fiquei muito feliz com isso… Nos reunimos num círculo juntamente com Fabrício Nobre, que passava por lá na hora e demos aquela energia para o show: palco!

Os Vespas Mandarinas começaram espetacularmente com a sua “Sem Nome”, e o público reagiu bem. Seguiram com “Live Wire”, petardo do 1° disco do AC/DC. E assim continuaram até que Chuck falou: “Fabão!”. Subi ao palco energizado pelo que eles já haviam tocado.

Chuck disse: “Espero que vocês gostem de punk rock…”, e deu a indicação para que eu puxasse a canção a seguir. Fui com tanta sede ao pote que disse “Ok, vamos lá!” e, ao invés de tocar “Rosemary”, escolhida para ser a primeira música da minha participação, engatei “Ele, o Super-Herói”! Oh, não! Oh, sim! Errei feio… Mas o clima era de muita partilha, muita entrega, fui perdoado pelos olhares de Mike, Mauro, Chuck e Thadeu, que sorriram e pararam para recomeçarmos…

“Rosemary”, “Retroceder” (da qual esqueci a harmonia e com a qual mais me diverti ali no palco, a única coisa que fiz foi dançar e fazer pose de “guitar hero”), “Mesmo Eu Estando do Outro Lado” (com uma galera cantando junto), “O Inimigo” (sem dúvida a mais impactante música do repertório), “Ele, o Super-Herói” (finalmente, no lugar certo…) e “Rádio Blá”, num clima rock steady/ska/Stones/festa geral, deu o enlace final dessa apresentação. Todos dançando, todos dançaram… Descemos numa confraternização sincera. Recebemos o abraço de todos e o aplauso da moçada.

Pode não ter sido o melhor show do festival e nem era pra ser. Mas certamente foi o show onde todos se encontraram: banda, convidado, público e organização em torno do sincero amor à música.
Valeu, Vespas Mandarinas! Valeu, DoSol! Até a próxima.

Bookmark and Share
  • Links

  • Arquivos