Os Vespas Mandarinas
quinta-feira, 11 novembro 2010 - postado por fabiocascadura
São quatro caras. Três de São Paulo e um do Rio Grande do Sul. Mas, dentre os paulistas, há um potiguar, que se criou no interior do estado de SP. São todos de grande talento musical, no criar e executar, vindos de outras bandas que já deixaram seus nomes na história do rock e da música do Brasil nesse século.
Mauro Motoki, nissei, sansei, não sei… Descendente de japoneses, é compositor, multi-instumentista e faz parte do Ludov. Toca baixo e canta nos Vespas Mandarinas.
Thadeu Meneghini, fundador e líder do grupo Banzé!, que se separou há pouco tempo. Toca sua Les Paul com destreza, canta e dança… Mestre em todas essas artes. A faixa “O Inimigo”, da qual participamos eu, Jajá (da Vivendo do Ócio), Pitty, Nasi (do IRA!), dentre outras figuras do rock nacional, é uma composição sua.
Chuck Hipolitho, saído da Forgotten Boys, já foi diretor de programas da MTV. Pilota uma Fender Telecaster, é o pai da Nina e um rockstar legítimo.
Michel Vontobel (Mike), vindo da banda gaúcha VideoHits, mora em Porto Alegre e sempre se desloca para Sampa quando tem que ensaiar com o grupo. Tira um som muito peculiar da bateria e anda sempre sorrindo.
A música do Vespas Mandarinas soa como rock, mas está para muito além disso. A conexão com o contexto pop é muito evidente. As canções têm presença própria, cada uma, seu universo particular. A combinação de informações trazidas pelos músicos/parceiros dá ao seu repertório uma diversidade que demora a aparecer. O clima é de partilha e diversão. Ela foi formada para ser uma banda/projeto paralelo, mas parece estar assumindo o controle dos dias de cada um deles como músicos.
Entrei num estúdio com os VM e fui contaminado. Minha intenção era não atrapalhá-los no show e eles pareciam me pedir exatamente isso: “Atrapalhe-nos!”. Me senti à vontade no primeiro instante. Já conhecia o Chuck e o Thadeu, grande amigos, generosos e amáveis, mas, sei lá… na música, a mecânica costuma ser outra… Podíamos, a despeito da amizade, não combinar tocando juntos: mas nos demos bem, nesse caso.
Havíamos combinado de tocar: “Ele, o Super-Herói!”, “Mesmo Eu Estando do Outro Lado” e, por sugestão deles, uma inédita: ofereci “Rosemary”. Das deles, eu participaria de “Retroceder” e, lógico, “O Inimigo”, além de uma surpresa.
Enquanto passávamos o som no Estúdio 500, um puta complexo com várias salas para gravações e ensaios que fica no bairro do Morumbi (São Paulo), Chuck puxou a introdução de “Rádio Blá”, do Lobão. Ora! Essa música fez parte do repertório do CASCADURA durante parte da turnê Bogary: fui atrás. Todos nós fomos! E, assim, ela acabou entrando como elemento surpresa no show.
Ensaiamos por SEIS horas seguidas! Acho que desde que tenho 19 anos que não passo por uma sessão de ensaio tão extensa. Mas valeu! Terminamos satisfeitos. Foda foi sair e encontrar a confusão na Avenida Morumbi, com o engarrafamento de carros e fãs que iam ao show do Black Eyed Peas no estádio do São Paulo FC, que leva o mesmo nome e fica no final da avenida.
Deveríamos ter ido ao show do grupo paranaense Nevilton, que se apresentou naquela noite de quinta-feira no Studio SP, casa que fica na Rua Augusta, mas estávamos todos cansados e fincados na viagem de seis horas que faríamos no dia seguinte, rumo à capital potiguar.
O show, no sábado, foi espetacular. Uma das mais intensas experiências que já tive num palco. Poucas músicas e muita entrega. O público respondeu muito bem à nossa junção e nos divertimos todos juntos.
Ao final, ficou aquela sensação de “vamos fazer novamente?”.
Tomara que logo…







